Crônicas Corporativas

Há 22 anos trabalhando, coleciono vitórias e derrotas, experiências positivas e negativas de coisas que tenho orgulho de lembrar e outras que desejaria esquecer. O objetivo deste blog é contar um pouco do que eu aprendi ao longo da minha carreira.

12/12/08

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criado por aguinaldocps    9:30 — Arquivado em: Sem categoria

4/11/08

Pitadinhas de Especiarias que caem por aqui.

Um dia desses eu tive a oportunidade de conhecer uma daquelas grandes figuras que Deus espalha por aí. Eu creio que esses caras são como aquela pitadinha de especiarias que a gente joga sobre um bolo. Deus também fez isso no mundo, espalhou uns caras acima da média e alguns deles caíram aqui em Jundiaí. Foi o caso do nosso amigo abaixo.

Plínio Esteves Ricon, arquiteto e designer há mais de trinta anos, com várias obras premiadas no campo profissional, apareceu em minha frente. Aqui em nossa cidade, ele criou “a Capela”, monumento de comemoração aos 350 anos de fundação da Vila de Jundiahy, criou a Praça em homenagem ao Lions Club e também a Praça do Maçon, entre outros. Eu já havia lido sobre ele, mas não o conhecia.

Eis que numa dessas quartas-feiras ele surge para assistir uma palestra onde eu também estava. Não me contive a me apresentar e dizer que admirava muito o seu trabalho. Foi o bastante para aquele fantástico e simpaticíssimo cidadão me contar tudo que o inspirou na construção daquelas obras.

E eu o ouvi, duas vezes, sem pressa, antes e depois da palestra. E se tivesse tempo, o ouviria mais. Pois pessoas como ele, conforme eu disse lá em cima, não tem aos montes. Eu sei que esse artigo não agrega muito no ponto de vista do objetivo deste blog, mas eu tinha que fazer essa homenagem. Vale lembrar aos nossos leitores que uma das melhores maneiras de tornarmo-nos bons homens é ler biografia de bons homens. E eu acrescento que conhecê-los pessoalmente também agrega muito.

criado por aguinaldocps    10:23 — Arquivado em: Sem categoria

5/9/08

Financiar pode ser bom negócio

Faz dois anos, Cristiane queria comprar um apartamento. Achou um ótimo, mas não tinha todo o dinheiro disponível. Então, somou suas economias com as do marido, o FGTS acumulado e os dois saíram em busca de um financiamento. Acontece que a soma do FGTS e do dinheiro que tinham na poupança, não dava o mínimo da entrada para que o banco financiasse o restante. Então eles tiveram uma idéia: venderam um dos carros do casal e completaram o dinheiro para a entrada no imóvel. Dias depois compraram outro carro financiado em 60 meses.

Cristiane me passou um email contando sua história e dizendo: “Tenho ouvido o Mauro Halfeld pela CBN e acho que esse financiamento do carro foi um péssimo negócio. Nós financiamos um carro, para financiar um apartamento. Estamos pagando dois carros com os juros. Todo dia 1º do mês eu fico deprimida!!”

A minha opinião, cara Cristiane, é diferente da sua. Arrisco dizer que vocês não financiaram o carro para poder "financiar" um apartamento, mas sim para poder "dar entrada" no apartamento. Se pudessem financiar um valor maior pelo apartamento e dar menos entrada, certamente teriam feito.

A compra de um carro em financiamento nunca é um bom negócio economicamente falando. O comprador sempre pagará juros, é obvio e, pelo que entendi, quando fizeram o negocio sabiam disso. Todo economista diz que o ideal é comprar a vista. Mas acontece que muitas vezes não existem recursos para tal, portanto temos que financiar ou ficar sem o bem. Se vocês não tivessem feito assim, estariam pagando aluguel, o que seria um desperdício de dinheiro ainda maior do que os juros do carro.

Há que se ver a relação entre custo e beneficio, e o negócio que fizeram, parece-me que foi bom. Para entender melhor, some o valor do crédito imobiliário com o que paga do carro. Enxergue esse total como se fosse o que você paga pelo apartamento durante os primeiros 5 anos. Depois disso, é como se o valor caísse.

Claro que vocês teriam outra opção, que seria ter ficado com um carro só, mas nem sempre isso é possível, conforme as profissões que se exerce. Se o carro é para você ou para o seu marido, uma ferramenta de trabalho, entendo que vocês não poderiam ficar sem ele. Se vocês tivessem esperado dois anos para comprar o apartamento, talvez não comprassem mais, pois os preços de imóveis aumentaram bastante no Estado de São Paulo.

O Mauro Halfeld fala genericamente sobre economia. Ele não leva em conta o uso do bem ao longo do período de pagamento. Ele dá informações a respeito do que compensa ou deixa de compensar no raciocínio puro. Mas imagine uma pessoa desempregada, com dificuldade de encontrar emprego e dinheiro suficiente para mais 3 meses de subsistência. Por outro lado tem talento e preparo para empreender. Se não arrisca, dali há 3 meses o dinheiro acaba. Se arrisca, de desempregado pode virar patrão.

Concluo perguntando a Cristiane se ela fica deprimida também nos outros 29 dias do mês, quando anda de carro e não de ônibus, quando entra em casa, dorme bem, recebe os amigos, toma um banho gostoso. Fica deprimida quando está calor e então liga o ar condicionado do seu carro? Fica deprimida quando desfruta do carro e do apartamento?

criado por aguinaldocps    15:16 — Arquivado em: Sem categoria

2/9/08

Pensar em todos é a melhor maneira de pensar em si

A história que vou contra aqui é baseada no Ademir. Ele é um ex-colega, que durante dois anos dividiu um apartamento comigo em Campinas. Na época nós trabalhávamos juntos e, por conveniência financeira, dividíamos o valor do aluguel. O Ademir tinha, entre várias de suas características boas e ruins, uma que o marcou: ele era muito egoísta.

E porque vou contar essa história? Porque hoje eu li alguma coisa sobre o Henry Ford. Então quer dizer que o Henry Ford era egoísta? Claro que não, muito pelo contrário. Henry Ford é até hoje lembrado pelo seu espírito empreendedor e por ter colaborado para a evolução de sua sociedade.

Aliás, quando se pensa em empreendedores de sucesso e em “business”, logo se imagina, equivocadamente, que isso significa “lucro a qualquer custo” ou “apenas benefício próprio”. Mas Ford pensava diferente disso. Ele entendia que não seria possível ser próspero numa sociedade medíocre.

Henry Ford desenvolveu a primeira linha de montagem, com automóveis sendo produzidos em série. Bom… isso todo mundo sabe. O que a maioria das pessoas não sabe que ele aumentou consideravelmente a média salarial de sua empresa, pois entendia que de nada adiantava produzir mais se a sociedade não tivesse dinheiro para comprar seus produtos. Sua empresa também investiu na abertura de estradas públicas (isso mesmo, públicas), pois quem iria fazer questão de ter automóvel sem ter onde pô-lo para andar? Ford também investiu na construção de postos de gasolina, dos quais nunca recebeu um dólar sequer, mas sabia que a existência desses seria fundamental para o sucesso de seu negócio.

Henry Ford, já naquela época, tinha visão de futuro. Ele conseguia planejar. Tinha a capacidade de abrir mão de alguma coisa hoje para se beneficiar no futuro. Com essa sua visão, ele conseguiu fazer com que sua comunidade crescesse e com isso muitas pessoas se beneficiaram. Muitas pessoas aproveitaram-se da existência de estradas para fazer seus empreendimentos darem certo e, provavelmente Ford não recebera nenhum royalty. Mas ele se beneficiou indiretamente, porque além de criar seus produtos, criou também seus clientes.

E o que o Ademir tem a ver com isso? O Ademir seria justamente o contrário. Ele já pensaria que se fosse para outras pessoas se aproveitarem de um feito dele, ele preferia não fazer. O Ademir é um cara que jamais permitiria que alguém levasse vantagem em uma atitude sua. Ele tem a sensação de que se o outro levou alguma vantagem, de certo é porque ele próprio levou alguma desvantagem. E é por isso que pessoas como o Ademir não conseguem prosperar, pois não conseguem fazer outros rosperarem.

Já dizia o grande publicitário brasileiro, Nizan Guanaes: “Pensar no coletivo tem sido a melhor maneira de pensar em si”. Eu concordo com ele.

criado por aguinaldocps    21:44 — Arquivado em: Sem categoria

1/9/08

Você sabe o que é o efeito halo?

Nesta sexta-feira, dia 29 de agosto, nós, aqui em Jundiaí-SP, pudemos observar um fenômeno da natureza um pouco raro. Trata-se do efeito Halo, algo que nem todo dia acontece. Esse fenômeno consiste em cristais de gelo presentes nessa região aliados às formas de determinadas nuvens, onde a luz solar que atravessava é decomposta, dando origem às cores do arco-íris.

Quem prestou atenção no céu naquele dia, viu o Sol com um arco colorido ao seu redor. Embora a astronomia seja uma ciência com centenas de anos, a reação popular com o fenômeno foi impactuante. A maioria das pessoas falou em eclipse, outros somente diziam que havia alguma coisa diferente. O fato é que olhar para o céu num caso como esse é difícil e, até fotografar dá trabalho, pois não é muito fácil posicionar a câmera.

Independente de ser raro ou não, o fato é que trata-se de algo bonito de se ver. Diante disso, eu tirei algumas fotos. E uma delas é esta, que está aí em cima.

criado por aguinaldocps    18:07 — Arquivado em: Sem categoria

29/8/08

Há quanto tempo, muito prazer em revê-los!

Caros amigos, que bom estar novamente aqui. Já faz quase dois meses que eu não escrevia nada, mas dessa vez não foi preguiça, apenas concentração em outras coisas. Parece que não, mas escrever esses posts exigem mais do que os minutos que levam para digitar as palavras, exigem concentração.

Desde o final de junho que estive (e ainda estou) empenhado em um trabalho direto na área comercial da empresa, o que constantemente requer uma atenção integral. Além disso foram dias dedicados a leitura de algumas literaturas históricas, que há muito eu queria descobrir. Nesse tempo confesso que escrevi sim alguns artigos, um deles inclusive foi publicado em nosso site interno, mas sempre muito específicos ao meu trabalho, citando nomes, portanto inviáveis para publicar aqui.

Agora, de volta, estou feliz por retomar o blog, que tenho como um prazeroso canal de comunicação com pessoas que eu não conheço. Na verdade não sei se meus antigos leitores ainda estão por aí, mas se estiverem, espero que gostem do que virá agora pela frente.

criado por aguinaldocps    11:31 — Arquivado em: Sem categoria

2/6/08

Os pioneiros formadores de mão de obra.

Quando Pelé e Jairzinho encantaram o mundo com a conquista do tricampeonato mundial de futebol, em 1970, o Brasil vibrou ao ritmo de um Jingle que até hoje é lembrado pelos "quarentões". A letra cantava os "noventa milhões em ação, pra frente Brasil, salve a seleção…" De lá pra cá, a população brasileira dobrou de 94 milhões de habitantes para 186 milhões, segundo o senso do IBGE de 2006. Além disso, quase quarenta anos depois, o mundo não é mais o mesmo. A tecnologia diminuiu as distâncias, transformou a TV em digital, o telefone em celular, a máquina de escrever em museu e o emprego em raridade. Quanto mais o mundo gira, mais temos dificuldades de resolver um dos maiores fantasmas da nossa geração: o desemprego.

Mas, o que, de fato acontece com o mundo? Será que o ser humano é tão perverso a ponto de desenvolver uma máquina que vai eliminá-lo no futuro? Será que a tecnologia é realmente a exterminadora de emprego que todos pensam que é? O computador, de fato, está substituindo o homem? A nossa experiência “day by day” mostra que não é bem assim.

A automatização substitui determinadas funções antes feitas pelo trabalho humano. Mas a mesma tecnologia que substitui, também cria outras fontes de trabalho em outros lugares, pois gera mais produtividade e, quando tem aumento de produtividade, tem crescimento e geração de empregos e serviços. Se antes dez pessoas eram responsáveis por uma linha de produção e hoje a máquina substituiu nove delas, há de se pensar que gerou também trabalho para quem inventou a máquina, para quem a fabrica, para quem a vende, para quem a entrega, para quem a instala e para quem faz sua manutenção.
O setor de serviços é, já há alguns anos, um dos que mais cresce no mundo. Empresas como as de informática, telecomunicações, jornalismo, transportes, turismo, educação e idiomas, lideram a maior parte da nossa receita operacional líquida, conseqüentemente gerando novos postos de trabalho. Não raramente, estas empresas tem vagas em aberto e, contraditoriamente, dificuldade de contratar.

Mas então, o que ainda acontece com o mercado? O grande problema é que o trabalhador que foi demitido ontem pode não se encaixar no novo trabalho que surgiu hoje. Então concluímos que o verdadeiro vilão do emprego não é a tecnologia, mas sim outros dois monstros: o baixo grau de educação, que impede que o desempregado consiga um novo trabalho, e o preconceito, que impede que ele o aceite.

A verdade é que o trabalhador ainda não vê o setor de serviços como uma grande oportunidade profissional. A menina dos olhos, tanto do experiente quanto do recém formado ainda é a indústria multinacional. Porém a quantidade de empregos que existe lá é insuficiente para todo mundo. Em contrapartida, empresas prestadoras de serviços crescem territorialmente, se organizam politicamente com filiais em todas as regiões do país, proporcionando com isso uma linha de oportunidades, ascensão e salários extremamente interessantes para a realidade em que vivemos.

E existe uma outra vantagem: é um setor que forma. Como se tratam de trabalhos muito singulares, essas empresas se dedicam a ensinar seus profissionais, dando a eles a chance de crescerem num terreno ainda muito pouco explorado. Seguramente, aí está a solução. Aqueles que enxergaram essa tendência têm sido os pioneiros daquilo que formará muitos grandes executivos do futuro. Ao trabalhador, sobretudo o mais jovem, vale aproveitar com fé esse momento, enquanto as prestadoras ainda estão se propondo a contratar pessoas sem experiência e formá-las. No futuro, pode ser tarde demais.

criado por aguinaldocps    16:03 — Arquivado em: Sem categoria

21/1/08

Contradições

Definitivamente, o Brasil não é um país sério. E assim como qualquer coisa que não é séria, não vai para frente. Uma empresa mal administrada vai falir. Um clube mal administrado vai para a segunda divisão. Um país mal administrado coleciona seus miseráveis.

Não sou desses que adoram falar mal do Brasil. Muito pelo contrário, eu até reclamo com quem o faz. Mas hoje quero manifestar minha opinião comparando um país com aquilo que eu tenho experiência, que é uma empresa.

Uma empresa não pode gastar mais do que arrecada, tem que produzir, tem que inovar, tem que dar condições de trabalho aos seus funcionários e ter boa relação com as outras empresas, pois elas podem tornar-se parceiras comerciais. O país também precisa dar boas condições de vida ao seu povo e este, por sua vez, deve produzir para sustentar o país.

Acontece que o brasileiro vive em meio a muitas contradições. A mesma pessoa que reclama da cidade suja é a que joga uma lata de refrigerante pela janela do ônibus. O mesmo cidadão que reclamou da falta de liberdade nos anos 70, hoje reclama de ter que ir votar. A mesma senhora que se lamenta por não ter emprego, quando consegue um, reclama por ter que acordar cedo.

Ao andar pelas ruas, antes que você mude de calçada, encontrará um ônibus ou caminhão soltando fumaça preta. A contradição está no fato de fazermos anualmente o licenciamento dos nossos veículos sem que estes passem por uma inspeção. Ou seja, o licenciamento é apenas mais um imposto.

Outra contradição está ligada às drogas. Eu creio que usuário de droga deveria ser preso, assim como o traficante. Se não houvesse usuários, não haveria traficante. Isso acontece em relação ao receptador de materiais roubados, que é criminoso tanto quanto o ladrão. Então por que o “receptador” de drogas é considerado vítima?

O brasileiro, infelizmente, está habituado a se atrasar. Marca uma reunião às 9 horas e, quando tudo dá certo chega às 9 horas. Deveria chegar antes, se acomodar na sala, enfim para que às 9 horas em ponto a reunião pudesse começar. Mas não é isso que acontece. Ele usa toda a margem de erro que puder, como se uma vantagem isso fosse.

Mudar os hábitos é algo difícil, mas na minha opinião é o único caminho possível em direção a modernidade e eficiência.

criado por aguinaldocps    9:33 — Arquivado em: Sem categoria

Não fui eu quem comeu a maçã…

Faz alguns dias, nos reunimos entre os amigos para comemorar o final do ano. Fazemos isso em todos os meses de dezembro, sempre por volta do dia 20. Chamamos ironicamente de “encerramento do calendário”. Nesse último, escolhemos um bar em Jundiaí.

A parte do encontro que vale a pena contar aqui aconteceu quando pedimos a conta. Um dos meus amigos detectou um erro grosseiro no valor e reclamou. Porém, como já era tarde, o garçom que havia nos atendido por boa parte do período já havia ido embora, deixando nossa mesa a cargo do colega.

Ao argumentar, o segundo garçom alegava que nada poderia fazer, pois nossa mesa havia sido atendida por outra pessoa e o erro não era de responsabilidade dele. Ao mesmo tempo, meu pessoal dizia que não havia consumido aquele prato de nome esquisito e preço alto.

Foi então que o profissional sugeriu uma solução: “Paguem o valor da conta completa e amanhã um de vocês volta aqui e reclama com o colega que os atendeu!”

O que ele quis dizer é que não havia sido dele a confusão, portanto não era ele quem deveria solucionar. Obviamente, a reação da nossa mesa foi negativa e não aceitou a proposta, afinal o garçom que nos atendeu representava o restaurante e não a pessoa dele. Esse garçom que completou o atendimento também representa o mesmo restaurante. Portanto, quando eu peço uma porção de batatas fritas, quem me vende isso é o restaurante e não o garçom.

Quanto ao argumento de que não era culpa dele, uma das amigas tratou de responder de maneira fantástica e com base bíblica. Ela soltou sonoramente a frase “também não fui eu quem comeu a maçã, mas pago pelos pecados de Adão e Eva até hoje”.

Enfim, quando estiver atendendo um cliente, lembre-se: Tudo aquilo que ele combinar com você, estará na verdade combinando com a empresa e tudo aquilo que ele combinou com a empresa, estará combinado com você também.

criado por aguinaldocps    9:24 — Arquivado em: Sem categoria

Procure aproveitar as oportunidades

Neste dezembro tive a oportunidade de fazer um Cruzeiro. Viajei no Grand Mistral, um navio de bandeira italiana, com bares espanhóis e uma tripulação que mais parece uma torre de babel. Lá dentro há pessoas de quase todos os cantos do mundo.

A maioria dos garçons era hispânica. Vindos de Honduras, Colômbia e Peru, principalmente. Mas havia também alguns asiáticos e europeus do leste. Eram todos muito atenciosos e entendiam perfeitamente o português, embora respondessem em espanhol.

Mas uma situação me chamou a atenção: Num final de tarde eu estava sentado no Cafe Gijon, conversando com a Paula e, na mesa ao lado, um outro passageiro conversava com um dos garçons. Eu pude ouvir perfeitamente o trecho da conversa, onde o homem perguntava sobre a seqüência de temporada do navio depois de servir a costa brasileira. Ao saber que esta mesma tripulação trabalharia dali há alguns meses pelo Mediterrâneo, ele previu que aquele garçom teria dificuldades para se comunicar lá na Europa. Eis que a resposta do funcionário foi curta e grossa: “Além de minha língua, falo italiano, inglês e estou fazendo aulas de português”.

A cara de bobo que o hóspede (que provavelmente não fala nenhum outro idioma) exibiu não vem ao caso narrar aqui, pormenorizadamente. O fato que desejo frisar é que uma pessoa culta, como aquele garçom, vê como um grande negócio trabalhar por alguns meses servindo cafés, visando evoluir profissionalmente.

Aqui no Brasil, em terra, podemos ver muitas pessoas formadas, que preferem ficar desempregadas a aceitarem um trabalho cujo currículo pedido é inferior ao que este apresenta. Se o currículo de uma pessoa é bom, ela tem duas opções: buscar um emprego numa vaga concorrida, onde terá que disputar espaço com outros iguais ou aproveitar as oportunidades que tem de se destacar, preparado que é, num trabalho que o exige menos.

Ao desempregado, o que deve realmente interessar é entrar no mercado de trabalho. Na maioria das vezes, as oportunidades vêm disfarçadas de vagas menos chamativas. Já dizia meu avô: "Enquanto todos procuravam ouro com as próprias unhas, o célebre procurava as ferramentas para poder extraí-lo".

criado por aguinaldocps    9:23 — Arquivado em: Sem categoria
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