Crônicas Corporativas

Há 22 anos trabalhando, coleciono vitórias e derrotas, experiências positivas e negativas de coisas que tenho orgulho de lembrar e outras que desejaria esquecer. O objetivo deste blog é contar um pouco do que eu aprendi ao longo da minha carreira.

17/11/08

Cão que muito late é porque tem medo de morder.

Por diversas vezes tive a oportunidade de presenciar aquelas conversas descompromissadas ou, como diria Nizan Guanaes, papos dos "empresários de mesa de bar". Quero dizer que são aquelas conversas onde se prega ética e moral, mas ao sair dali o cidadão pouco faz para agir da forma com que acabou de defender uma posição.

Faz uns quinze dias, fui almoçar com um amigo em Campinas. Este, por sinal, estava acompanhado de seu colega de trabalho e aproveitou para me apresentar o cidadão. Tratava-se de um garoto de 22 anos, estudante de Direito, muito bem apresentado e igualmente comunicativo.
Durante o almoço, surgiu o assunto da eleição Americana e, por isso, o garoto mostrou seu espírito revolucionário. Falou a respeito da podridão do Capitalismo, da herança imperialista, da justiça e revelou-se ser, embora jovem, um experiente defensor da ética e da revolução.

Alguns dos assuntos citados foram o absurdo de uma cidade como Campinas não ter cestos de lixo nas esquinas de um bairro como aquele em que estávamos (Guanabara), a falta de faculdades públicas ou ainda a necessidade de os teatros públicos ou privados serem adaptados aos portadores de deficiência.

A verdade é que tudo aquilo que o garoto falava (e falava sem parar) era totalmente pertinente e razoável. Mas, eu sempre tive a sensação de que aquelas pessoas que falam demais, normalmente esquecem-se de executar suas pregações. Geralmente, o cara que se diz muito sincero é o que mente. Como dizia o meu avô, "Cão que muito late, tá querendo é assustar o ladrão porque tem medo de morder".

E vejam só o que descobri quando estávamos de saída: o carro do garoto revolucionário e indignado com a falta de ética da sociedade, estacionado bem em frente a um acesso de deficientes. É óbvio que eu o convidei a sair na foto, mas ele não quis. E eu não o fotografaria sem sua autorização. Mas o carro sim, mesmo sem mostrar a placa.

Enfim, percebemos que a sociedade passa o tempo todo cobrando ética dos governantes, mas não faz também a sua parte. O cidadão que reclama que a sua cidade está suja, normalmente é o mesmo que joga uma embalagem de bolacha pela janela do ônibus. O mesmo que se mostra indignado diante da notícia de corrupção é o que pede um desconto na loja para comprar sem nota.

criado por aguinaldocps    13:35 — Arquivado em: comportamento, opinião pessoal, política

26/6/08

Brasileiro, profissão: re-pagador de Impostos.

Ouvimos todos os dias, através dos noticiários, que o Brasil é o campeão do pagamento de Impostos, no mundo. Mas na verdade, nós não somos os campeões; somos quase. Recentemente o IBPT comparou a carga tributária de 25 países. Dentre eles, a carga tributária do Brasil (37,82% do PIB) só fica atrás daquela registrada pela Suécia (50,7%), Noruega (44,9%), França (43,7%) e Itália (42,2%). Nossa carga tributária também é superior à dos EUA (25,4%) e da média dos países da OCED (36,1%). Na comparação com os latino-americanos também estamos na dianteira, já que na Argentina (21,9%), no Chile (19,2%) e no México (18,5%) o peso dos impostos no PIB é bem menor.

Mas, como se isso não bastasse, o dinheiro do imposto é mal gasto. O estado cobra os impostos com o mesmo objetivo que o seu prédio cobra o condomínio. É isso aí, o Brasil é um grande condominiozão. Nós moramos aqui e precisamos pagar uma determinada quantia por mês para pagarmos tudo aquilo que se gasta para o bem comum dos moradores, como saúde, segurança, educação, limpeza pública, etc. Até aí, tudo bem.

Porém eu pergunto ao leitor: como você se sentiria se pagasse o boleto do condomínio, certinho, no dia do vencimento, mas ao avaliar o local onde mora, percebesse que a água da piscina estivesse sem tratamento, o elevador quebrado, a campainha queimada e o porteiro, que saiu de férias, não tivesse sido substituído por ninguém? Se tivesse que contratar particularmente um limpador de piscinas ou um porteiro? É assim que eu vejo o Brasil.

Nós pagamos para que o governo construa e mantenha as escolas públicas, mas se queremos uma boa escola temos que matricular nossos filhos nas particulares. Pagamos para que a polícia nos proteja, mas precisamos contratar o Guarda Noturno para as nossas casas e os seguranças para as nossas empresas. Pagamos para ter hospitais, mas precisamos contratar nossos planos de saúde particulares, pois se dependermos do sistema público poderemos morrer na fila de espera.

Enquanto isso, o Governo joga a responsabilidade para o cidadão. E o cidadão, sem outra opção, aceita. Ontem ouvi uma reportagem pelo rádio, onde um secretário de saúde de um município do interior de São Paulo reclamava que gastava muito dinheiro com remédios para a população. Que mesmo aqueles que tinham planos de saúde particulares recorrem à rede pública para retirar gratuitamente os remédios. Segundo este senhor, tal município pretende entrar com ação para obrigar os planos de saúde particulares a fornecerem também os remédios para os seus segurados e com isso aliviar o Governo. Ou seja, temos que nos conformar que nós pagamos os impostos e depois “re-pagamos” os mesmos Impostos?

Aí eu pergunto: Este senhor tem consciência da besteira que ele falou? Afinal, o governo deveria atender a 100% da população com remédios e também com os médicos, exames e tratamento, afinal quem tem plano de saúde também contribui com a Previdência. Os planos de saúde nem deveriam precisar existir, mas ao invés de entender que estes aliviam o custo do Estado, o tal Secretário acha que eles deveriam fazer mais. Se as operadoras de planos de saúde fossem obrigadas a fornecer remédios para os segurados, os valores das mensalidades seriam bem maiores, o que inviabilizaria o cidadão de pagá-las. Neste caso ele voltaria a, não só buscar o remédio na rede pública, como também se tratar lá.

O que você acha disso?

criado por aguinaldocps    12:52 — Arquivado em: mundo moderno, opinião pessoal, política

30/1/08

Trafegando pelo Acostamento

Dia desses eu estava na Marginal Pinheiros, em São Paulo, trafegando pela última faixa do lado direito, próximo ao “cebolão”. O trânsito não estava completamente parado, mas lento. O fato é que o velocímetro devia estar marcando uns 30 Km por hora, no máximo. Até aí, nada de novo, todos muito pacientes.

Eis que lá de trás aparece um Honda Fit em maior velocidade vindo pelo acostamento e ultrapassando todo mundo. Logo que isso aconteceu, o motorista do Vectra que estava atrás de mim fez o mesmo e o seguiu. A partir daí, em poucos segundos, muitos eram os carros andando pelo acostamento, o que fez com que o mesmo se tornasse uma nova pista de rodagem, a não mais que 30 Km por hora.

Este simples ocorrido, coisa que deve acontecer todos os dias em diversos pontos de muitas grandes cidades, nos faz aprender uma série de coisas:

A primeira é que aquele primeiro motorista de cortou o trânsito valendo-se de uma arbitrariedade deve se achar mais importante do que todos os outros 19.999.999 habitantes da Grande São Paulo. Ele provavelmente se acha mais esperto, mais inteligente, mais tudo. Afinal, ele acredita que o mundo é dos espertos e vê como algo elogiável a sua grande habilidade de fazer o que ninguém havia feito até aquele momento. Provavelmente esse motorista seja um daqueles sonegadores de impostos, que faz com que o Brasil se torne um país caro.

Quando um motorista corta os outros por um atalho ou pelo acostamento ele está utilizando-se de um recurso desonesto para levar vantagem. Com isso ele complicará o transito lá na frente, quando inevitavelmente terá que voltar para a pista, fazendo com que o honesto tenha que esperar ainda mais. O mesmo acontece quando alguém sonega imposto. Quem não sonega fica tão prejudicado que não consegue se colocar no mercado de maneira competitiva.

A segunda análise é que o motorista do Vectra, que estava tranqüilo atrás de mim, fez o que muito brasileiro faz: foi no embalo do outro. Provavelmente ele teve um segundo de indignação ao ver que foi ultrapassado desonestamente pelo outro, sendo assim, usou da mesma malandragem para “equilibrar o jogo”. É o caso de muitas pessoas, que quando são flagradas em algum ato incorreto, justificam-se dizendo que “embora proibido, todo mundo faz isso!”

E finalmente percebemos também que aquilo que todo mundo faz, embora errado, passa a ser normal. O que há de mais normal em um congestionamento é o fato dos motoristas usarem o acostamento para trafegar, ainda que seja para ganhar alguns poucos metros. Poucos imaginam que quanto mais as pessoas pensem em levar vantagem em cima das outras, menos elas vão dormir tranqüilas.

Quanto mais um homem for desonesto, mais outros homens também serão e mais ainda outros precisarão ser para se destacarem. Acontece que um dia o universo se defende e o desonesto então paga o preço. Um dos muitos congestionamentos que eu peguei em minha vida de motorista, ficou marcado pelo fato de a ambulância de resgate não conseguir passar com rapidez pelo trânsito devido ao fato de o acostamento estar totalmente ocupado por motoristas espertos que se achavam mais importantes que os outros e resolveram trafegar por lá, além de mais alguns motoristas indignados que resolveram fazer o mesmo ao se sentirem lesados ao ver que estavam sendo ultrapassados pelos outros.

criado por aguinaldocps    12:31 — Arquivado em: MELHORES ARTIGOS, comportamento, histórias pessoais, mundo moderno, opinião pessoal, política

13/12/07

Como nos tempos do MMDCA.

Hoje faz um ano que nos reencontramos. Lembrar disso me faz sentir a mesma emoção. Há um ano atrás estávamos reunidos comemorando o vigésimo aniversário da formatura da oitava série. E seguramente não haveria data mais propícia para comentar o vínculo que se cria com essas pessoas.

Já me dizia uma professora de história do Segundo Grau, que é de dentro de uma sala de aula que se muda um país. Por muito tempo eu fiquei pensando no que aquela velha senhora por tantas vezes afirmava. E contestando, até. Afinal, a mim que sempre fui muito prático, parecia um tanto difícil alguém mudar alguma coisa somente estudando. Na minha pobre visão estudávamos para poder mudar algo um dia, mas não lá.

E há quem diga que coincidências não acontecem, mas justamente quando eu estava parado no cruzamento das ruas Alvarenga e Martins, no bairro do Butantã em São Paulo, foi que me atentei que há 75 anos, cinco jovens deram suas vidas por uma Constituição. Esses cinco jovens estudantes, Martins, Miragaia, Drausio, Cardoso e Alvarenga, que mais tarde viriam ser lembrados simplesmente pelas iniciais MMDCA, deram os motivos que faltavam, em 23 de maio de 1932, para que o Brasil exigisse de Getulio Vargas uma Carta Constituinte.

Hoje, fiz questão de lembrar uma das passagens mais importantes da história do Brasil, não para convocar alguém à luta armada, mas para ilustrar as palavras da minha antiga professora. A sala de aula, seja ela do jardim da infância ou do mestrado, é um lugar inesquecível. Desafio a falar quem não tenha uma boa lembrança daqueles bancos.

Há quarenta dias, devido ao falecimento de meu pai, enviei uma mensagem pelo correio eletrônico que destinava avisar parentes e amigos mais próximos. Por engano, inclui entre os destinatários um dos colegas de formatura da oitava série, que há muito não via. Alguns parentes próximos não se lembraram de me telefonar, mas meu amigo de duas décadas foi me dar um abraço e me disse, “amigo é para sempre”.

criado por aguinaldocps    9:49 — Arquivado em: MELHORES ARTIGOS, curiosidades, histórias pessoais, música/cultura, opinião pessoal, política

7/12/07

Entre Chimangos e Maragatos.

Eu creio que seja de mau gosto tudo aquilo que pretende separar os povos, criando uma divisão entre fulanos e cicranos e beltranos. Isso inclui todas as esferas, sejam étnicas, religiosas, sociais, raciais ou quaisquer outras. Alguns políticos incentivam as pessoas a fazerem uma distinção entre ricos e pobres, alguns pregadores também fazem questão de separar crentes e céticos e assim por diante.

Em qualquer dos casos, o resultado é sempre o mesmo. Inicialmente parece ser positivo, quando se gera uma onda de transformação religiosa, pregando que há apenas um caminho e elege-se, até com alguma prepotência, o seu caminho como o certo. Tempos depois, aqueles pregadores e seguidores geram contra si uma determinada antipatia diante de outras pessoas, o que leva, em um momento posterior, a violência. Justifica-se isso com passagens bíblicas, não obstante a violência.

O nosso Brasil é composto por povos diferentes e saber lidar com as diferenças pode ser o grande ponto positivo que faz de alguém um cidadão pronto para crescer e liderar. Convivemos, dentro de nossos próprios ambientes de trabalho, com pobres, ricos, negros, brancos, católicos, protestantes, budistas, espiritualistas, homens, mulheres, altos, baixos, gordos, magros, heterossexuais, homossexuais, bissexuais, etc. Em função disso, aceitar as diferenças é cada vez mais importante.

Somos um país de Pica-Paus, Chimangos e Maragatos, todos com direito a serem respeitados como cidadãos. Nossa cultura permite que possamos dividir a mesma cidade, a mesma rua, portanto é fundamental que saibamos dividir também o mesmo ambiente de trabalho.

Quando você tenta juntar a si somente iguais, você gera os diferentes, que é uma forma de preconceito e causa os inimigo. Ter sucesso ou fracasso nesse ambiente de trabalho está muito mais ligado ao que você faz do que aos motivos que você tem para não fazer.

Muitos justificam o insucesso pelo passado, herança cultural ou racial. Mas não devemos nos ater a isso. Todos temos motivos para fracassar. Aceitar esses motivos é o que nos faz fracassar. Quem não aceita, trabalha e vence, ainda que seja necessário se passarem algumas gerações para que isso possa se tornar mais nítido para a sociedade.

criado por aguinaldocps    13:44 — Arquivado em: MELHORES ARTIGOS, comportamento, mundo moderno, música/cultura, opinião pessoal, política, preconceito racial

23/11/07

De Maquiavel a Maquiavélico

A pedido da Fernanda, que deixou um comentário no post de ontem, vamos aprofundar um pouquinho mais no assunto da Lei de Gerson. Quem terá sido o inventor da malandragem, pergunta ela?

Não sei quem inventou isso, Fernanda. Deve ter sido algum "homem da caverna" ou um dinossaouro, quem sabe? Mas para a sua pergunta não ficar sem resposta, posso te dizer ao menos quem a oficializou. 

Foi um renascentista chamado Nicolau Maquiavel. Era um historiador, poeta, diplomata e músico italiano que viveu no século XV. Nascido em Florença, viveu durante o governo de Lourenço de Médici, numa época onde os costumes populares herdavam das constantes batalhas entre os ducados italianos. Ele, como político, aprendeu a lançar mãos de atitudes não muito éticas para levar vantagem. Uma de suas frases mais famosas afirma que "os fins justificam os meios".

É aí, provavelmente, que surgiu o uso de um adjetivo que partia de seu nome, que hoje é muito usado em nossa língua, quando dizemos que fulano é "maquiavélico". É provavelmente esse o precursor da Lei de Gerson, conforme a pergunta da Fernanda.

Infelizmente hoje, no Brasil, algumas pessoas se orgulham de serem espertos, de "darem nó em pingo dágua", se julgam mais inteligentes que outros por terem conseguido ganhar um dinheiro extra numa negociação desonesta. Muitos vibram pelo "vacilo" do outro.

Há uma semana vimos no noticiário um motoboy que entregava numa delegacia, em Brasília, os U$ 6.000,00 encontrados num shopping, enquanto outros sentem-se bem por terem recebido um troco maior do que deveriam na padaria.

O que nos faz ter um sentimento de conforto é poder confiar nos outros. Quando não confiamos, sentimos ter que dormir de olho aberto. Infelizmente em nosso cotidiano existem muitos Gersons, Maquiavéis, Lalaus, Zé Dirceus e outros que dão exemplos tão negativos.

criado por aguinaldocps    12:07 — Arquivado em: MELHORES ARTIGOS, comportamento, música/cultura, opinião pessoal, política

22/11/07

Lei de Gerson

Para quem não conhece a expressão, a Lei de Gerson é a de levar vantagem em tudo. O princípio disso se deu na segunda metade da década de 70 quando Gerson de Oliveira Nunes, um jogador de futebol bem sucedido, campeão mundial pelo Brasil em 1970, protagonizou uma propaganda de cigarros onde finalizava com a frase: "Você também gosta de levar vantagem em tudo, certo?"

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A campanha tinha a intenção de mostrar que fumar Vila Rica seria uma vantagem, por ser um cigarro mais barato. Porém a frase foi interpretada como um resumo da suposta malandragem brasileira, símbolo do jeitinho e da corrupção, ficando popularmente conhecida como lei de Gérson. Mais tarde, diante do impacto, o jogador se desculpou publicamente e lamentou ter associado seu nome a esse claro defeito de parte da população brasileira.

Talvez Gerson (o jogador) tenha sido escolhido para a propaganda pelo seu perfil (visto até então pelo lado positivo), do carioca malandro, esperto, ligado, etc. Acontece que embora contestado por todos, o adepto a Lei de Gerson é mais comum do que se imagina. É algo que todos detestam, mas quase todos querem ser. As pessoas estão muito preocupadas em levar vantagem nas coisas, em vez de se preocuparem com o bem comum.

É daí que surgem vendedores que se orgulham de "enrolar" o cliente e transmitem o ensinamento de que ser esperto, malandro e "liso" é uma característica de valor positivo.

É justamente por isso que o país (e o mundo) passa por tantos problemas. A corrupção existe porque é interessante para várias partes. Um policial somente é corrupto porque alguém o corrompe. O mesmo cidadão que fica indignado com o evento do mensalão, dias depois oferece R$ 50,00 para o guarda não multá-lo. O mesmo rapaz que se lamenta por ter sido assaltado na praia é o que dias antes estava consumindo maconha, uma droga vendida por traficantes que invariavelmente sustentam a criminalidade.

Há uma semana eu estava numa rodovia aqui de São Paulo e o trânsito parou, formando-se um congestionamento. Imediatamente alguns motoristas começaram a usar o acostamento para cortar o trecho e consequentemente depois de alguns poucos minutos, parou também. Havia acontecido um acidente, mas a Ambulância custou chegar até o local devido ao acumulo de carros inclusive pela única via alternativa, o acostamento.

O motorista que tomou a iniciativa de cortar os outros não deve ter tido a intensão de prejudicar o atendimento do acidentado, mas simplesmente de ser esperto e não ficar "marcando bobeira" ali parado. Quis dar uma de bom, do tipo "fiquem aí os mais bobos, pois eu vou embora". Não fosse pela ambulância, ainda assim esse motorista prejudicaria o honesto, que estava lá aguardando o trânsito fluir.

Não acho que as pessoas devem fazer o caminho mais longo e nem que não possam ultrapassar o carro da frente. Ultrapassar é justo quando o seu direito não fere o do outro, mas ultrapassar sem trapassear, sem seru um "Dick Vigarista".

"Levar vantagem em tudo" pode significar, a médio prazo, uma grande desvantagem. Se eu crio ou ajudo a criar a cultura da malandragem na minha comunidade, estou alimentando a possibilidade de eu ser vítima dessa mesma cultura no futuro. Se um cidadão "esperto" desvia dinheiro da educação para o próprio bolso, vai criar cidadãos mal educados que lhe gerarão problemas.

Em contrapartida, se crio uma cultura de honestidade, poderei desfrutar dessa segurança no futuro também. Se os hoteis do Rio de Janeiro investissem parte de seus lucros em educação coletiva para a comunidade, geraria alternativas de vida a população, a cidade teria menos trombadinhas e atrairia mais turistas. Com isso os próprios hotéis teriam mais lucros.

19/11/07

Festa dos anos 80

Os anos 80 ficarão para a eternidade. Posso afirmar isso tranquilamente pois vivi essa época. Nasci em 1972 e tinha 10 anos quando o Brasil perdeu para o Paolo Rossi (digo, seleção da Italia) na Copa do Mundo de 82. Ouvi Blitz e vi o surgimento do Ira e do Barão. Odiei os Menudos, brinquei com o Cubo Mágico, assisti Rock Santeiro e me apaixonei pela Ninon, personagem da Claudia Raia.

 

Assim foram os anos 80. E é isso que nos faz hoje festejarmos o estilo dos cabelos armados e roupas ridiculas, mas que na época eram moda. A Uptime realizou uma festa na Cachaçaria Tradicional em Campinas para relembrar a época.

Com a presença de umas 300 pessoas, pudemos nos divertir de verdade, sem sermos incomodados por btidões e funks que insistem em fechar as festas da cidade. Essa foi a oportunidade de ouvirmos os flashback sem haver preocupação de sairmos antes do bonde do tigrão e companhia.

Mas seguramente o ponto principal está no fato de podermos nos reunir com alunos, colegas de trabalho e convidados e deixarmos a Uptime ainda mais aberta e fidelizadora. As fotos mostram um pouco do clima na pista de dança.

criado por aguinaldocps    15:25 — Arquivado em: comportamento, curiosidades, mundo moderno, opinião pessoal, política, projetos na Uptime

12/11/07

O futebol feminino e a evolução da Pátria

O Santos F.C. (futebol feminino) perdeu o jogo por 2 X 1 para o Botucatu, na semana passada. Uma das personagens do jogo era a canadense Melissa, atacante que chegou ao Brasil em Janeiro e tem viagem de volta ao seu país marcada para 21 de dezembro.

Melissa é formada em Educação Física e fez inclusive mestrado, mesmo assim veio ao Brasil “aprender” futebol. Segundo ela “Não vou esquecer tudo o que vivi no país de vocês. Foi uma experiência incrível. Espero voltar um dia”, disse a atacante, em um português carregado de sotaque. Ela foi selecionada em uma das clínicas de futebol que o técnico Kleiton Lima, do Santos, ministra nos Estados Unidos.

Antes de conhecer o treinador, Melissa já ouvia falar sobre o Peixe. “Claro que a gente sabe o que é o Santos no Canadá! É o time do Pelé!”, sorriu, bastante satisfeita por finalmente jogar no estádio que foi a casa do Rei do Futebol. “Perdemos o jogo, mas sempre lembrarei desse dia. A atmosfera foi ótima. Estádio cheio [3.153 pessoas estavam na Vila, público enorme para o futebol feminino], torcida cantando, campo bonito: tudo de bom.”

De fato, o ambiente da noite de quinta-feira era bem diferente da situação que Melissa encontrou durante toda a temporada. Como a profissionalização do futebol feminino é mínima no Brasil, sequer há categorias de base, as jogadoras do Santos recebem apenas uma ajuda de custo da prefeitura, moram em um alojamento cedido pelo clube e muitas vezes são obrigadas a treinar na praia, Kleiton Lima já havia preparado a canadense para o impacto.

“Precisei de um pouco de adaptação mesmo, mas a gente se acostuma. No Canadá, o futebol também é semiprofissional. A gente pratica por hobby. Existe essa palavra em português?”, pergunta Melissa. Em Montreal, no entanto, ela cursou faculdade de Educação Física e fez até mestrado na área. Muitas de suas colegas brasileiras do Santos sequer completaram o Ensino Médio.

Outra diplomada que marcou época na Vila Belmiro foi a norte-americana Caithy Fischer, antropóloga norte-americana formada em Harvard. Lateral-esquerda do Santos entre 2004 e 2005, ela se inspirou a escrever um livro sobre as mazelas do esporte no Brasil. Kleiton Lima, inclusive, cedeu boa parte de seus recortes sobre futebol feminino para Fischer, que ganhou uma bolsa de US$ 50 mil da Fifa para desenvolver o projeto em mais países.

Nós, os brasileiros, o que poderíamos dizer para essas jovens, Melissa e Caithy? Podemos dizer que são loucas de virem jogar no Brasil considerando seus diplomas? Se sim, então o que poderíamos dizer a esse povo que se mete a fazer ajuda humanitária? Será que existimos simplesmente para termos retorno de nossas profissões ou também temos nosso papel social?

A resposta para essa pergunta, cada um tem em seu íntimo, mas a minha é clara: Acho que Melissa e Caithy podem se orgulhar de terem vindo ao Brasil, assim como as brasileiras devem se orgulhar do Vice Campeonato Mundial de futebol e da medalha de Ouro no Pan. Tudo que hoje é lindo, um dia não foi. As maiores empresas do mundo começaram desacreditadas, o vôlei brasileiro começou desacreditado, Bill Gates era chamado de louco.

Melissa e Caithy, seguramente vocês nunca vão ler essa coluna, mas mesmo assim quero deixar meu recado: O Brasil é um país lindo, fantástico, que tem uma gente maravilhosa e que tem problemas como em todo outro lugar do mundo. A forma com que se administra esses problemas estão erradas, mas nós os brasileiros, um dia vamos acertar. É difícil, pois somos mais de duzentos milhões de cabeças que precisam ser orientadas, motivadas, acalmadas. De uma vez só é difícil, pode ser que demore 10 anos, 50 anos, 200 anos ou mais. Eu e os meus leitores não estaremos mais aqui, mas o importante é sabermos que esse movimento pela ética e pelo amadurecimento da nossa Nação passou por nós. Que as próximas gerações desfrutem, mas que eu esteja entre os heróis (ainda que anônimos).

criado por aguinaldocps    14:34 — Arquivado em: MELHORES ARTIGOS, esportes, mundo moderno, opinião pessoal, política, responsabilidade social

31/10/07

A Copa do Mundo nos trará muito progresso.

Finalmente o Brasil foi anunciado como organizador e séde da Copa do Mundo de 2014. Muitos dizem que não se pode organizar uma Copa com gente passando fome no país, enquanto outros dizem que seria um grande orgulho.

E aqueles que criticam o fazem, a meu ver, por costume de criticar e complexo de inferioridade. Organizar uma Copa do Mundo de Futebol requer muitos investimentos em infra-estrutura, coisa que ajuda a população e quando o evento acaba, isso tudo fica. Para um evento como esse, não são construídos somente estádios, mas também hospitais, estradas, acessos, hoteis e muita urbanização.

Além de tudo isso, a política muda, já visando tal acontecimento. Se investe em segurança, energia, saneamento básico, etc. A maioria desses investimentos vem de bancos internacionais, interessados em aproveitar uma fatia do bolo, o que significa que o Brasil aproveitará os próximos 7 anos para se fortalecer, o que seguramente vai trazer o desenvolvimento a população.

Tenham certeza que a impolgação do presidente Lula, na cerimônia da FIFA, em Genebra, não é apenas por nacionalismo, mas também pensando nisso tudo descrito acima. Acontece que o nosso querido presidente não poderia deixar de cometer um ato de grosseria, não é mesmo? Tinha que citar os argentinos?

Um presidente deve ser político. Ele pode ter rivalidade com os Argentinos, assim como 101% dos brasileiros tem, mas jamais deve declarar isso. O que ele fez ontem foi oficializar essa rivalidade, justamente agora com a nova "presidente" eleita querendo se aproximar da gente. Não era hora!

Me lembro do FHC, quando o Rio de Janeiro foi descartado como sede Olimpica para o ano 2000, dizendo que com a desclassificação da candidatura brasileira ele ficaria torcendo para que Buenos Aires fosse escolhida, assim teríamos os jogos no nosso continente. E ele estava torcendo nada… seguramente estava tocendo contra, mas não seria delicado se expor.

Imaginem só se hoje eu fosse governador do Estado de São Paulo e tivesse que comentar a situação de degola do Corinthians. Independente de qual é o time que eu torço, diria a imprensa que "se Deus quiser o Corinthians vai escapar". Depois que o repórter fosse embora eu lavaria a boca com sabão, é claro!

criado por aguinaldocps    7:23 — Arquivado em: opinião pessoal, política
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