Crônicas Corporativas

Há 22 anos trabalhando, coleciono vitórias e derrotas, experiências positivas e negativas de coisas que tenho orgulho de lembrar e outras que desejaria esquecer. O objetivo deste blog é contar um pouco do que eu aprendi ao longo da minha carreira.

5/12/08

Perseverança é diferente de Esperança

Hoje conversei com um amigo agoniado. Ele me disse que trabalha faz 4 anos na mesma profissão, já está na segunda empresa, sabe que tem potencial, mas ainda não conseguiu resultados que o levem ao lugar que ele quer estar. Me disse ainda que fica feliz quando vê um colega de trabalho alcançar o sucesso, mas se pergunta porque ele não consegue fazer a mesma coisa.

E eu contei a ele a minha história. Contei que eu fui um cara muito cabeçudo. Sempre tive boa intenção, mas não conseguia coloca-las em prática e nem transformá-la em resultados. Eu havia aprendido que deveria ser perseverante e eu era, mas quando chegava no final de cada ano, percebia que nada havia mudado. Mesmo assim eu entrava o ano seguinte determinado a fazer a revolução que tanto era necessária na minha vida.

Assim se passaram vários anos e o meu sonho foi desaparecendo. Parecia que a minha esperança de ser um baita profissional de sucesso começava a morrer. Mas a minha perseverança continuava, afinal perseverança é uma coisa, esperança é outra. Esperança é quando a gente “espera”. E eu havia sido acostumado a perseverar, ou seja, trabalhar. Em todos esses anos eu trabalhei muito.

Trabalhava até sem pensar e isso foi bom, porque se eu pensasse muito, teria desistido. Eu tive mil razões para desistir, mas como não pensava nelas, perseverava. Até que as coisas começaram a mudar e eu, como não pensava, também não percebi. Mas elas mudavam assim mesmo e pra melhor. Talvez se eu tivesse percebido tivesse também acomodado. Poderia haver, naquela época, um paradigma na minha cabeça que me mantivesse abaixo do nível da água, sei lá o que…

Só sei que quando eu percebi, estava crescendo na vida. E minha vida profissional estava indo para um rumo diferente do que eu planejei. É verdade, eu nem imaginava tanto. Se tivesse pensado muito naquela época, talvez tivesse tentado ir para o lado planejado e continuado na mesma. Enfim, eu perseverei, continuei trabalhando e a coisa aconteceu. Portanto, ter esperança é importante, mas ter perseverança é fundamental.

Meu amigo entendeu o recado. Ele concluiu dizendo que, às vezes, as coisas boas demoram chegar e a gente tem que ter perseverança para poder aproveitar. Tudo tem seu tempo, mas pode demorar um pouco. Somente há que se ter sensibilidade para não perder as oportunidades.

Quem quiser vencer tem que ter paciência. Afinal, se a gente trabalhar, não é certeza que vence, mas se não trabalhar, é certeza que não vence.

criado por aguinaldocps    13:51 — Arquivado em: comportamento, histórias pessoais, opinião pessoal

17/11/08

Cão que muito late é porque tem medo de morder.

Por diversas vezes tive a oportunidade de presenciar aquelas conversas descompromissadas ou, como diria Nizan Guanaes, papos dos "empresários de mesa de bar". Quero dizer que são aquelas conversas onde se prega ética e moral, mas ao sair dali o cidadão pouco faz para agir da forma com que acabou de defender uma posição.

Faz uns quinze dias, fui almoçar com um amigo em Campinas. Este, por sinal, estava acompanhado de seu colega de trabalho e aproveitou para me apresentar o cidadão. Tratava-se de um garoto de 22 anos, estudante de Direito, muito bem apresentado e igualmente comunicativo.
Durante o almoço, surgiu o assunto da eleição Americana e, por isso, o garoto mostrou seu espírito revolucionário. Falou a respeito da podridão do Capitalismo, da herança imperialista, da justiça e revelou-se ser, embora jovem, um experiente defensor da ética e da revolução.

Alguns dos assuntos citados foram o absurdo de uma cidade como Campinas não ter cestos de lixo nas esquinas de um bairro como aquele em que estávamos (Guanabara), a falta de faculdades públicas ou ainda a necessidade de os teatros públicos ou privados serem adaptados aos portadores de deficiência.

A verdade é que tudo aquilo que o garoto falava (e falava sem parar) era totalmente pertinente e razoável. Mas, eu sempre tive a sensação de que aquelas pessoas que falam demais, normalmente esquecem-se de executar suas pregações. Geralmente, o cara que se diz muito sincero é o que mente. Como dizia o meu avô, "Cão que muito late, tá querendo é assustar o ladrão porque tem medo de morder".

E vejam só o que descobri quando estávamos de saída: o carro do garoto revolucionário e indignado com a falta de ética da sociedade, estacionado bem em frente a um acesso de deficientes. É óbvio que eu o convidei a sair na foto, mas ele não quis. E eu não o fotografaria sem sua autorização. Mas o carro sim, mesmo sem mostrar a placa.

Enfim, percebemos que a sociedade passa o tempo todo cobrando ética dos governantes, mas não faz também a sua parte. O cidadão que reclama que a sua cidade está suja, normalmente é o mesmo que joga uma embalagem de bolacha pela janela do ônibus. O mesmo que se mostra indignado diante da notícia de corrupção é o que pede um desconto na loja para comprar sem nota.

criado por aguinaldocps    13:35 — Arquivado em: comportamento, opinião pessoal, política

20/10/08

Aprenda a andar de bicicleta para viver a vida.

Ultimamente, uma das características mais admiradas em um profissional é a sua capacidade de tomar decisões corretas em momentos de pressão. O poder de decidir, de falar na hora certa, de aproveitar uma oportunidade ou de não agir por impulso, de mostrar calma no momento em que todos estão nervosos ou ser agressivo quando ninguém quer arriscar, tem sido o grande diferencial entre o homem normal e o outro acima da média. Esse poder de decisão é resultado de uma outra característica fundamental na vida de um ser humano bem sucedido: o equilíbrio mental.

Esse tal equilíbrio mental pode ser comparado a um outro que encontramos numa das atividades mais simples e mais loucas de nossa vida, que é andar de bicicleta. A bicicleta, que era o brinquedo mais esperado na minha época de criança, é um negócio muito doido, basta ver que foi feita para cair. Ela, por si só, não para em pé, a não ser que esteja em movimento. E é justamente aí que o ciclista precisa aprender uma das coisas mais importantes na vida: ter equilíbrio.

Nossa vida é cheia de dificuldades, gente complicando aquilo que é simples, outros nos deixando nervosos, às vezes nós mesmos ficando nervosos à toa, brigas, discussões, problemas, etc. Tudo isso só para atrapalhar o nosso caminhar. Assim também é o caminho de um ciclista desde o princípio. Se ele estiver pedalando no meio do mato e cair, vai se estrepar todo. Se estiver no asfalto, vai se ralar. Ou seja, independentemente de qual seja a trilha, a primeira coisa que o cara aprender é a ter equilíbrio.

E para se equilibrar é necessário ter movimento. Para ter movimento é preciso pedalar. Quanto mais se pedala, mais preparado se está para continuar pedalando. Na vida é igual, pois precisamos nos movimentar para manter o equilíbrio. Um ser humano que não consegue vencer suas dificuldades e seus problemas, é como alguém que está com a bicicleta parada. Não pedala porque não agüenta o esforço, não agüenta o esforço porque não treina e não treina porque é mais fácil ficar parado. Mas, se a gente parar com a vida, assim como com a bicicleta, a gente cai.

É importante dizer que não é sadio e nem inteligente pedalarmos além do nosso nível de atleta. Então, começar pedalando pouco é normal, desde que vá aumentando o ritmo conforme a experiência e a força chega. Surgirem pedras e sarjetas no meio do caminho também é normal, pois são elas que dão graça no nosso passeio. Imaginem como seria um destino reto, sem subidas, sem descidas, sem obstáculos, sem desafios: seria muito chato!
Converse com um ciclista e ele te contará que escolhe caminhos com obstáculos, pois são justamente esses obstáculos que o farão sentir-se vitorioso no final do trecho percorrido.

Mais uma coisinha: às vezes precisamos empurrar a nossa bicicleta morro acima. Nessa situação, pense que mesmo sendo um peso a mais para carregar, ela o ajudará nos outros trechos planos ou de descida. Assim é a vida, às vezes empurramos alguém para cima e depois esse alguém nos ajuda a andarmos mais rápido. Pra finalizar, eu gostaria de dizer que quem inventou a bicicleta provavelmente diria que é uma das máquinas mais simples que existem: duas rodas, um guidão, uma corrente, duas engrenagens e dois pedais. Mas a nossa vida super simples também, a gente é que complica, porque temos a mania de pensar demais e agir de menos. Então vamos agir, pedalar, correr e buscar o nosso caminho, porque pensar demais não é sinônimo de inteligência. O verdadeiro inteligente é quem transforma o conhecimento em prosperidade.

criado por aguinaldocps    13:12 — Arquivado em: comportamento, opinião pessoal

22/9/08

O importante é ser competitivo

O lema do atletismo "mais rápido, mais alto e mais forte" ("citius, altius e fortius"), representado pela trilogia correr, pular e arremessar, foi criado por Dére Didon em 1896, mas surgiu bem anteriormente, por volta de 776 a C. entre os soldados gregos, para desenvolver as habilidades físicas e criar competições. Apesar de falarem a mesma língua e de terem unidade cultural, os gregos antigos não tinham unidade política, encontrando-se divididos em 160 cidades com governos soberanos, que há cada quatro anos se reuniam num festival esportivo em Olímpia, deixando de lado suas divergências. Mesmo que inicialmente possuíssem um caráter apenas local, depois de algum tempo as competições passaram a contar com participantes de todas as partes da região. Por volta do Século V d.C., os Jogos Olímpicos acabaram juntamente com a antiga cultura grega.

Em 1896, na cidade de Atenas, por iniciativa do educador francês Pierre de Frédy, o barão de Coubertin, as Olimpíadas foram reeditadas. Fascinado pelo comportamento dos gregos no passado, De Frédy convocou em 1894, uma reunião com delegados de 9 países, expondo seu plano de reviver os torneios que tinham sido interrompidos há 15 séculos. Foi justamente ele que, em 1908, implantou o lema "O IMPORTANTE NÃO É VENCER, MAS COMPETIR".

Desde o início dos Jogos da Era Moderna, essa frase é rechaçada pelas pessoas que, na verdade, não tiveram a sabedoria de entendê-la. Nunca se valorizou, contudo, o verdadeiro sentido da mensagem que o Barão de Coubertin quis transmitir aos atletas. Se buscarmos analisar a fundo, perceberemos que faz todo sentido interpretar o verbo “competir” como “ser competitivo” e, não apenas, como “participar”. Afinal, sabemos que, por melhor que seja um competidor, ele não vai ganhar sempre, mas é importante que ele sempre esteja entre os melhores, ou seja, que seja “competitivo”.

E verdadeiramente competitivo é aquele que busca a vitória com honestidade, querendo sempre fazer o melhor. Competitivo é aquele que, no início de uma disputa, é tido como possível vencedor e, mesmo nos momentos de derrota, se levanta preparado para a próxima, com a certeza que brigará pelo troféu. Mais importante do que saber quem vai vencer é saber quem será realmente competitivo. Pois ser vencedor dependerá dos detalhes, mas ser competitivo dependerá da disciplina de cada um em fazer realmente aquilo que tem que ser feito.

Quem sempre é competitivo, sempre terá chance de vencer, enquanto que aquele que somente se preocupa em ganhar, perde a grande oportunidade de aprender.

criado por aguinaldocps    17:36 — Arquivado em: comportamento, opinião pessoal

17/9/08

Evite falar daquilo que você não conhece

Ontem eu conversava com uma pessoa sobre assuntos banais. Não vem ao caso aqui divulgar seu nome, ainda que, na maioria das vezes eu troque os nomes das pessoas a fim de não identificá-las. Mas ontem o assunto foi rodando e, em determinado momento, estávamos falando do livro “Código Da Vince”, do autor Dan Brown. Eu e meu interlocutor concordávamos com quase tudo, até que ele citou negativamente o livro, chamando-o de herege e afirmando que as tais sociedades secretas são coisas do diabo. Então eu perguntei a ele se conhecia de fato alguma dessas sociedades. E ele admitiu que não conhece… e, segundo ele, nem quer.

Pois bem, uma das lembranças mais negativas que eu guardo, é de algo que aconteceu no final dos anos 80. Naquela época, eu tinha cerca de 16 anos e meu ciclo de amizade estava entre o pessoal do Heavy Metal de Jundiaí. Eu era muito conhecido entre eles e também conhecia a quase todos.

Quase todos! E o problema aconteceu por isso. Havia um rapaz chamado Thomaz, que era vocalista de uma banda de “Power Metal” da cidade. Embora ninguém negasse seu talento com a voz, a verdade é que o cara não era uma unaminidade. Ele era muito querido por uns e odiado por outros, justamente por ser polêmico. Os meus amigos mais próximos eram os que o odiavam e falavam mal. E eu, pra variar, também falava, mesmo sem nunca ter visto o cidadão.

Num domingo à noite eu estava no ponto de ônibus, voltando para a minha casa, quando vi o Edson, um colega que, por acaso, estava acompanhado de um outro rapaz “cabeludo” e no “visual metal”. Começamos a conversar, mas não fomos apresentados pelos nomes, apenas estávamos conversando. Foi então que surgiu o assunto do tal Thomaz e, eu muito arrogante e besta, comecei a falar mal dele, o que não seria novidade entre a nossa galera. Alguns poucos minutos mais tarde estava eu, com a cara no chão, sem saber o que dizer ao descobrir que o “cabeludo” em minha frente era o próprio Thomaz, me indagando agora. Afinal, com qual autoridade eu estava falando de alguém que eu nem conhecia?

Com isso eu aprendi que não se fala daquilo que não se conhece. Essa mensagem vale para pessoas como eu, que naquele momento cometi um grave erro. Vale para o meu interlocutor de ontem, que falava de algo desconhecido para ele. E também para os ambientes profissionais. É conveniente que não falemos de pessoas que não conhecemos, assim como é importante não denegrirmos nem mesmo as empresas concorrentes simplesmente porque alguém nos disse que o produto deles é ruim. Pode ser que um dia, se precise trabalhar lá.

criado por aguinaldocps    10:19 — Arquivado em: curiosidades, opinião pessoal

13/9/08

Herói de verdade é o goleiro

Se, em algum momento, você estiver pensando que seu trabalho está difícil, que es coisas não estão dando certo, que as vendas caíram ou qualquer outra coisa nesse sentido, experimente se inspirar no trabalho do goleiro.

Ser goleiro é ser herói e vilão, ao mesmo tempo. Pois se um atacante perde dez gols e faz dois, sai de campo como herói, mas um goleiro defende dez ataques e sofre dois gols, sai como frangueiro. Portanto, perceba que suas características são um misto de determinação, automotivação, consciência e humildade.

Ser goleiro é querer evitar o inevitável sempre achando, lá no fundo, que dava pra defender o mais indefensável dos chutes. É jogar um jogo coletivo de forma quase individual e depois de um gol a favor, ainda assistir de longe os outros jogadores do seu time comemorando lá na frente sem nem se lembrarem dele. Então trata-se de uma pessoa com muito auto-estima, pois só assim permanece motivado e entende que é assim mesmo.

Depois de uma grande defesa, ainda que ninguém agradeça, que ninguém grite um “Boa, Goleiro!!!”, ele vai saber que é tão importante quanto todo o restante do time junto, afinal, um time joga sem um atacante, sem um volante, sem um zagueiro, mas jamais haverá um time sem goleiro. Isso faz do goleiro um confiante convicto.

Um goleiro sabe que as falhas fazem parte, pois só quem joga lá sob as traves, sabe o quanto as defesas que parecem fáceis, podem ser bem mais difíceis do que se espera. Mas a verdade é que um goleiro de verdade torce para que o outro time venha. Goleiro que é goleiro não gosta de ter zagueiro bom no time, ele quer mesmo é que a bola chegue, pois só assim poderá aparecer e fazer o seu trabalho. Goleiro não tem medo de cara feia.

Enfim, ser goleiro é ser o coração do time, mesmo num jogo onde o principal objetivo deve ser por ele evitado, ele festeja cada defesa, cada saída. E, lá no seu íntimo sabe, que se o atacante chutou pra fora, foi porque o goleiro fechou o ângulo.

Ah! Um goleiro nunca corta as unhas antes de um jogo. Quer saber por que? Chute uma bola bem no canto oposto e, quando ele tocar bem de leve e desviá-la pra escanteio, você imaginará que ele não cortou as unhas.

A principal mensagem que vejo nisso tudo é a ausência do medo. Um profissional que torce para ter dificuldades no jogo, pois se não for assim, ele passará despercebido. E quando tem dificuldades, se motiva e aproveita a oportunidade de mostrar que é bom.

criado por aguinaldocps    18:22 — Arquivado em: comportamento, opinião pessoal

12/9/08

No trânsito, não existe bom senso.

No passado eu já escrevi que o lugar onde as pessoas mais revelam a falta de bom senso é no trânsito. Lá, o certo e o errado são julgados não pelo que diz a inteligência, mas sim pelo argumento de cada um. Se eu tenho uma determinada atitude, ela é correta, mas se outro tem uma atitude parecida que venha a me prejudicar, então ela é um absurdo. E quando questionado, digo que “é diferente”. Vão alguns exemplos:

SE EU DOU SETA, O OUTRO É OBRIGADO A ME DEIXAR ENTRAR.
SE O OUTRO DÁ SETA, ELE QUE ESPERE UM POUCO.

SE EU ESTOU ATRÁS, O DA FRENTE É LERDO.
SE EU ESTOU NA FRENTE, O DE TRÁS É APRESSADINHO.

SE EU ESTOU COM PRESSA, OS OUTROS ESTÃO ENROLANDO.
SE EU ESTOU CALMO, OS OUTROS SÃO TODOS AFOBADOS.

SE BUZINO, É PORQUE O OUTRO MERECEU.
SE BUZINAM PARA MIM, PERGUNTO SE QUER VENDER?

SE EU ESTOU NA PISTA E PEÇO PASSAGEM, RECLAMO SE O OUTRO NÃO SAI.
SE EU ESTOU NA PISTA E ALGUÉM PEDE PASSAGEM, NÃO SAIO PORQUE ESSE CARA É MUITO FOLGADO COM ESSE FAROL NO MEU RETROVISOR.

SE ESTOU NA FRENTE E ALGUÉM PEDE PASSAGEM, NÃO SAIO PORQUE JÁ ESTOU NO LIMITE PERMITIDO E NÃO HÁ PORQUE ESSE ALGUÉM ME PASSAR.
SE ESTOU ATRÁS PEDINDO PASSAGEM E O DA FRENTE NÃO SAI, RECLAMO, POIS NÃO É ELE QUEM TEM QUE CONTROLAR MINHA VELOCIDADE.

SE SOU PEGO PELO RADAR, RECLAMO DO ABSURDO DA INDÚSTRIA DE MULTAS.
SE VEJO ALGUÉM ANDANDO EM ALTA VELOCIDADE, PERGUNTO: CADÊ OS RADARES DESSA CIDADE???

SE OS MOTOCICLISTAS ANDAM PELO CORREDOR, OS CHAMO DE LOUCOS E RETARDADOS.
SE ELES ANDAM NA PISTA ATRÁS DOS CARROS, QUESTIONO PORQUE ELES TÊM MOTOS SE É PRA FICAREM PARADOS.

SE PRECISO PARAR EM FILA DUPLA, DIGO QUE É BEM RAPIDINHO.
SE VEJO ALGUÉM PARADO EM FILA DUPLA, ACHO UM ABSURDO.

SE ESTACIONO MUITO PRÓXIMO A UMA ENTRADA DE GARAGEM, DIGO QUE DÁ PRA ENTRAR ATÉ UM ÔNIBUS ALÍ.
SE ALGUÉM PARA PERTO DA MINHA GARAGEM, AMEAÇO CHAMAR O GUINCHO.

SE PASSO NO SINAL AMARELO, É PRA EVITAR QUE ALGUÉM BATA EM MINHA TRASEIRA.
SE VEJO ALGUÉM PASSANDO NO AMARELO, RECLAMO DA IMPRUDÊNCIA.

SE POSSO IR DE ÔNIBUS, DIGO QUE NÃO TEM SENTIDO TER CARRO SÓ PARA FICAR NA GARAGEM.
SE PEGO CONGESTIONAMENTO, RECLAMO QUE ESSE POVO NÃO ANDA DE ÔNIBUS.

SE SOU MULHER, ENTENDO QUE AS MULHERES DIRIGEM MELHOR PORQUE PROVOCAM MENOS ACIDENTES.
SE SOU HOMEM, DIGO QUE ELAS PROVOCAM MENOS ACIDENTES PORQUE PEDEM PARA O MARIDO DIRIGIR.

SE BATO O CARRO, NÃO FUI EU… BATERAM EM MIM.

E SE FOI NUM POSTE, RECLAMO QUE AÍ NÃO É LUGAR DE TER POSTE, SACO!!!

criado por aguinaldocps    20:17 — Arquivado em: comportamento, curiosidades, opinião pessoal

10/9/08

A capacidade de planejar

Eu li algo interessante, acho que foi no livro do Golleman - Inteligência Emocional, sobre uma experiência que foi feita em uma Universidade nos Estados Unidos. Nessa experiência, os pesquisadores colocaram para uma determinada quantidade de crianças, um doce a disposição de cada um. As crianças tinham duas opções: a primeira seria comer o doce naquele mesmo momento e a outra opção seria deixar para trinta minutos depois. Antes disso, porém, foram avisados que se optassem por deixar para depois, ganhariam outro doce igualzinho no final da tarde.

O que eles queriam saber era quantas daquelas crianças tinham, já naquela idade, capacidade de planejar o futuro e se possuíam visão de planejamento. Mais interessante do que o resultado percentual de quantos comeram o doce imediatamente ou quantos deixaram para depois, foi saber que depois de 25 anos, a Universidade se interessou por saber o que faziam aquelas crianças que haviam sido pesquisadas. E perceberam que a maioria das crianças que haviam comido o doce na hora, depois de adultos, tiveram dificuldade de ascender em suas carreiras profissionais enquanto, a maioria dos que souberam esperar para ter direito ao outro doce, já se desenvolviam como pessoas bem sucedidas.

Ficou nítido que há uma relação entre a capacidade de escolher por fazer alguma coisa imediatamente ou por esperar para fazer mais tarde, com a probabilidade de uma carreira de sucesso. Num outro livro, encontrei a afirmação de que as únicas duas coisas que não podemos nos livrar é morrer e fazer escolhas. São duas coisas inevitáveis, afinal todos morreremos um dia e fazer escolhas, até quando nos negamos a fazê-las, estamos escolhendo não escolher.

Acontece que, na vida profissional, as pessoas que conseguem abrir mão de um conforto momentâneo em prol de um benefício maior no futuro, têm a tendência de atingir maior grau de satisfação. Essas pessoas têm mais capacidade de poupar, portanto maior possibilidade de estrategiar. Os mais ansiosos são mais propensos a tomarem decisões impulsivas e irracionais.

Enfim, para concluir, basta lembrar a fábula da Cigarra e da Formiga. É o caso do adolescente que quer trabalhar cedo e daquele outro que protela ao máximo assumir essa tarefa, preocupado apenas com o conforto momentâneo e querendo evitar uma mudança, pensando apenas no que lhe custaria a tarefa e nunca no quanto poderia lhe custar fugir dela.

Às vezes achamos que nossa vida está boa, mas na verdade nosso aparente conforto não passa de comodismo.

criado por aguinaldocps    23:20 — Arquivado em: comportamento, opinião pessoal

7/9/08

J.J. Jackson em Vinhedo, mas cadê o garçom?

Na semana passada, dia 29 de agosto, estive com alguns amigos no restaurante do clube Banespa, dentro do Condomínio Marambaia, em Vinhedo. Fomos atraídos pela apresentação de J.J. Jackson e sua banda, que começaria a tocar naquele dia às 22 horas. Chegamos exatamente às 21:50h, pois estamos acostumados aos tradicionais atrasos, mas surpreendentemente em menos de dez minutos de nossa presença ali, o músico septuagenário subia ao palco.

Nascido no Arkansas – EUA, aos 76 anos de vida, grande parte dela morando no Brasil, J.J. Jackson é um dos grandes intérpretes da música americana. Canta com a alma e um sorriso no rosto. Quando sobe no palco, incendeia a platéia com sua voz e carisma. É um negro magro, alto e iluminado. Com visual elegante, estilo Ray Charles, porta-se de forma muito marcante: dá a mão para alguns presentes, faz pose, piada, brinca com os músicos e provoca a platéia. Quando o show termina, ele faz questão de conversar com os presentes e atende com atenção a todos que o procuram. Desde os 15 anos, Jackson vive da música; na sua longa estrada dividiu palco com grandes artistas consagrados como BB King e Lightinin Hopkin. Seu primeiro grupo chamava-se Rocking Teens e tinha entre seus integrantes Jimi Hendrix.

Infelizmente, nem tudo funcionou como esperávamos. Não pelo músico, que é fantástico, mas sim pelo tal restaurante. Quando compramos o convite para o show, imaginamos um outro ambiente. Era numa sexta-feira, portanto fomos para ver o show e também para jantar. Mas ao chegar percebemos que alguma coisa iria complicar. Não havia ninguém jantando, apenas algumas pessoas comendo petiscos.

Sentamos em 6 pessoas numa mesa de plástico próxima ao palco e ficamos esperando algum garçom. Havia um pequeno panfleto amarelo informando o preço da meia dúzia de porções fritas disponíveis e de uns 10 tipos diferentes de bebida. “Que chato!”, pensamos. Afinal fomos lá para jantar e teríamos que nos confortar com as “batatinhas”.

Mas como dizia Randy Pausch, tudo que está ruim pode ficar ainda pior. Acreditem que depois de muito tempo, nenhum dos dois únicos garçons da casa haviam nos atendido. O próprio J.J. Jackson, entre uma música e outra, perguntou usando o seu português típico de um americano, o motivo que levava seis pessoas estarem sem nenhum copo na mesa. “Vocês non eston bebendo nada?” E nem assim o garçom vinha. Meu irmão não pensou duas vezes e foi até o outro lado de um salão com cerca de 50 mesas chamar o homem meio gordinho com uma bandeja vazia na mão.

Notamos que o tal restaurante, na verdade, era apenas um salão de clube equipado com cozinha e o proprietário (ou arrendatário?) deve contratar mão de obra avulsa. Nesse dia, certamente, economizou nos garçons, o que foi uma pena. Pois como também dizia o mesmo Randy Pausch, tudo que está ruim pode ficar ainda pior, mas também pode ser consertado. E J.J. Jackson, com seu talento nato, tratou de consertar tudo, com um show contagiante. E imaginem se tivesse mais garçons no local, o consumo provavelmente compensaria a maior despesa com mão de obra.

Economizar demais, às vezes custa caro. Muitos empresários pensam que o cliente pode nem notar que o atendimento está ruim e, pode até ser que eles tenham razão. Mas não há como se negar que mais gente trabalhando faria o consumo aumentar.

Muitas pessoas pensam que o garçom está lá para servir as mesas, mas eu aprendi com o “Professor”, ex-proprietário da fantástica Galeteria Serrana, em Serra Negra, que o verdadeiro papel do garçom é vender comida, por isso o bom garçom é o que conversa com o cliente e oferece mais alguma coisinha. Isso significa que, se há demanda, quanto mais garçons a casa tiver, maior será sua receita. E se os convites foram vendidos e esgotados antecipadamente, nada justifica a existência de apenas dois profissionais no local, a não ser o fato do dono do restaurante não pensar assim. Prejuízo para ele, infelizmente. E pra mim, que saí de lá com fome.

criado por aguinaldocps    21:58 — Arquivado em: histórias pessoais, opinião pessoal

6/9/08

O problema é o salário.

A Danila, uma colega aqui de Jundiaí me contou que gosta do seu trabalho. O ambiente é bom, o serviço é gostoso, tem uma razoável estabilidade, pois é funcionária antiga, tem liberdade para pedir algumas concessões ao chefe e, o que é melhor, fica há dez minutos de sua casa.

Porém agora ela se desmotivou e resolveu que quer sair. O problema é o salário. Não que seja uma miséria, pois não é o caso. Mas ontem ela ficou sabendo que uma ex-colega de trabalho, bem mais jovem e menos experiente, está trabalhando numa grande empresa em São Paulo. A amiga tem um salário maior que o dela e ainda goza do status de trabalhar numa empresa de maior porte.

Eu senti que a Danila está com um pouco de inveja da amiga, por isso se revoltou. Senti que se não tivesse ficado sabendo do salário da outra, nesse momento estaria tudo bem. Mas saber que alguém conseguiu conquistar algo melhor que ela o fazia mal. Então mudei de assunto e fiz uma questão a ela: se fosse uma vendedora de automóveis, qual seria a primeira pergunta que faria aos seus clientes? Ela respondeu meio sem ter certeza que seria quanto ao modelo que estava procurando ou quanto quer gastar.

Então eu contei a minha colega o que eu aprendi com o Sêo Walter (tem um tópico sobre ele aqui no blog): a primeira pergunta a se fazer é “o que é mais importante num carro para você?” E várias podem ser as respostas, como potência, conforto, economia, preço, qualidade, status, etc. Dependendo da resposta do cliente, então o vendedor pode oferecer alternativas que o satisfaçam. Se a prioridade é a potência, seguramente não será um carro econômico ou se a prioridade é o preço baixo, então não poderá ser um modelo de alta grife.

“Ta! Mas o que isso tem a ver”, perguntou a Danila. Tem a ver, respondi eu, que o emprego é a mesma coisa. A gente vê o que é nossa prioridade, se é o salário, o status, a segurança, a estabilidade, o conforto, etc. Se escolhermos pela estabilidade, teremos que abrir mão de um plano de carreira. Se escolhermos pelos ganhos altos, teremos que abrir mão de alguma tranqüilidade.

A amiga da Danila, pelo que se sabe, faz dois anos que acorda às 5 horas da manhã, sai de casa às 6 horas, pega um ônibus fretado até São Paulo para chegar às 8 horas e nunca viu o seu diretor pessoalmente. Chega em casa por volta das sete e meia da noite e constantemente está preocupada com o risco de ser substituída por outra pessoa.

Se a Danila estiver disposta a fazer o mesmo, eu acho que deve, mas sem ilusão de que vai encontrar o trabalho perfeito. Precisa estar preparada para ganhar mais dinheiro e abrir mão de alguns confortos. O que não pode é ter inveja, pois se a outra tem hoje um emprego mais rentável é porque abriu mão de seu conforto antes, o que a Danila também poderia ter feito e não fez. A única coisa que não adiante é se revoltar.

criado por aguinaldocps    12:12 — Arquivado em: comportamento, opinião pessoal
Posts mais antigos »
Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://aguinaldocps.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o serviço e siga participando do Terra Blog.