Crônicas Corporativas

Há 22 anos trabalhando, coleciono vitórias e derrotas, experiências positivas e negativas de coisas que tenho orgulho de lembrar e outras que desejaria esquecer. O objetivo deste blog é contar um pouco do que eu aprendi ao longo da minha carreira.

5/12/08

Perseverança é diferente de Esperança

Hoje conversei com um amigo agoniado. Ele me disse que trabalha faz 4 anos na mesma profissão, já está na segunda empresa, sabe que tem potencial, mas ainda não conseguiu resultados que o levem ao lugar que ele quer estar. Me disse ainda que fica feliz quando vê um colega de trabalho alcançar o sucesso, mas se pergunta porque ele não consegue fazer a mesma coisa.

E eu contei a ele a minha história. Contei que eu fui um cara muito cabeçudo. Sempre tive boa intenção, mas não conseguia coloca-las em prática e nem transformá-la em resultados. Eu havia aprendido que deveria ser perseverante e eu era, mas quando chegava no final de cada ano, percebia que nada havia mudado. Mesmo assim eu entrava o ano seguinte determinado a fazer a revolução que tanto era necessária na minha vida.

Assim se passaram vários anos e o meu sonho foi desaparecendo. Parecia que a minha esperança de ser um baita profissional de sucesso começava a morrer. Mas a minha perseverança continuava, afinal perseverança é uma coisa, esperança é outra. Esperança é quando a gente “espera”. E eu havia sido acostumado a perseverar, ou seja, trabalhar. Em todos esses anos eu trabalhei muito.

Trabalhava até sem pensar e isso foi bom, porque se eu pensasse muito, teria desistido. Eu tive mil razões para desistir, mas como não pensava nelas, perseverava. Até que as coisas começaram a mudar e eu, como não pensava, também não percebi. Mas elas mudavam assim mesmo e pra melhor. Talvez se eu tivesse percebido tivesse também acomodado. Poderia haver, naquela época, um paradigma na minha cabeça que me mantivesse abaixo do nível da água, sei lá o que…

Só sei que quando eu percebi, estava crescendo na vida. E minha vida profissional estava indo para um rumo diferente do que eu planejei. É verdade, eu nem imaginava tanto. Se tivesse pensado muito naquela época, talvez tivesse tentado ir para o lado planejado e continuado na mesma. Enfim, eu perseverei, continuei trabalhando e a coisa aconteceu. Portanto, ter esperança é importante, mas ter perseverança é fundamental.

Meu amigo entendeu o recado. Ele concluiu dizendo que, às vezes, as coisas boas demoram chegar e a gente tem que ter perseverança para poder aproveitar. Tudo tem seu tempo, mas pode demorar um pouco. Somente há que se ter sensibilidade para não perder as oportunidades.

Quem quiser vencer tem que ter paciência. Afinal, se a gente trabalhar, não é certeza que vence, mas se não trabalhar, é certeza que não vence.

criado por aguinaldocps    13:51 — Arquivado em: comportamento, histórias pessoais, opinião pessoal

7/9/08

J.J. Jackson em Vinhedo, mas cadê o garçom?

Na semana passada, dia 29 de agosto, estive com alguns amigos no restaurante do clube Banespa, dentro do Condomínio Marambaia, em Vinhedo. Fomos atraídos pela apresentação de J.J. Jackson e sua banda, que começaria a tocar naquele dia às 22 horas. Chegamos exatamente às 21:50h, pois estamos acostumados aos tradicionais atrasos, mas surpreendentemente em menos de dez minutos de nossa presença ali, o músico septuagenário subia ao palco.

Nascido no Arkansas – EUA, aos 76 anos de vida, grande parte dela morando no Brasil, J.J. Jackson é um dos grandes intérpretes da música americana. Canta com a alma e um sorriso no rosto. Quando sobe no palco, incendeia a platéia com sua voz e carisma. É um negro magro, alto e iluminado. Com visual elegante, estilo Ray Charles, porta-se de forma muito marcante: dá a mão para alguns presentes, faz pose, piada, brinca com os músicos e provoca a platéia. Quando o show termina, ele faz questão de conversar com os presentes e atende com atenção a todos que o procuram. Desde os 15 anos, Jackson vive da música; na sua longa estrada dividiu palco com grandes artistas consagrados como BB King e Lightinin Hopkin. Seu primeiro grupo chamava-se Rocking Teens e tinha entre seus integrantes Jimi Hendrix.

Infelizmente, nem tudo funcionou como esperávamos. Não pelo músico, que é fantástico, mas sim pelo tal restaurante. Quando compramos o convite para o show, imaginamos um outro ambiente. Era numa sexta-feira, portanto fomos para ver o show e também para jantar. Mas ao chegar percebemos que alguma coisa iria complicar. Não havia ninguém jantando, apenas algumas pessoas comendo petiscos.

Sentamos em 6 pessoas numa mesa de plástico próxima ao palco e ficamos esperando algum garçom. Havia um pequeno panfleto amarelo informando o preço da meia dúzia de porções fritas disponíveis e de uns 10 tipos diferentes de bebida. “Que chato!”, pensamos. Afinal fomos lá para jantar e teríamos que nos confortar com as “batatinhas”.

Mas como dizia Randy Pausch, tudo que está ruim pode ficar ainda pior. Acreditem que depois de muito tempo, nenhum dos dois únicos garçons da casa haviam nos atendido. O próprio J.J. Jackson, entre uma música e outra, perguntou usando o seu português típico de um americano, o motivo que levava seis pessoas estarem sem nenhum copo na mesa. “Vocês non eston bebendo nada?” E nem assim o garçom vinha. Meu irmão não pensou duas vezes e foi até o outro lado de um salão com cerca de 50 mesas chamar o homem meio gordinho com uma bandeja vazia na mão.

Notamos que o tal restaurante, na verdade, era apenas um salão de clube equipado com cozinha e o proprietário (ou arrendatário?) deve contratar mão de obra avulsa. Nesse dia, certamente, economizou nos garçons, o que foi uma pena. Pois como também dizia o mesmo Randy Pausch, tudo que está ruim pode ficar ainda pior, mas também pode ser consertado. E J.J. Jackson, com seu talento nato, tratou de consertar tudo, com um show contagiante. E imaginem se tivesse mais garçons no local, o consumo provavelmente compensaria a maior despesa com mão de obra.

Economizar demais, às vezes custa caro. Muitos empresários pensam que o cliente pode nem notar que o atendimento está ruim e, pode até ser que eles tenham razão. Mas não há como se negar que mais gente trabalhando faria o consumo aumentar.

Muitas pessoas pensam que o garçom está lá para servir as mesas, mas eu aprendi com o “Professor”, ex-proprietário da fantástica Galeteria Serrana, em Serra Negra, que o verdadeiro papel do garçom é vender comida, por isso o bom garçom é o que conversa com o cliente e oferece mais alguma coisinha. Isso significa que, se há demanda, quanto mais garçons a casa tiver, maior será sua receita. E se os convites foram vendidos e esgotados antecipadamente, nada justifica a existência de apenas dois profissionais no local, a não ser o fato do dono do restaurante não pensar assim. Prejuízo para ele, infelizmente. E pra mim, que saí de lá com fome.

criado por aguinaldocps    21:58 — Arquivado em: histórias pessoais, opinião pessoal

5/6/08

As Nóias e os Siameses do Caos.

Ontem recebi um e-mail da Coordenadora de um dos Departamentos da minha empresa. Nesse e-mail ela informava que Fulano de Tal passava a ter direito a usar um endereço eletrônico profissional. Segundo a colega, ele havia desenvolvido com sucesso algumas tarefas que ela pedira e por isso mereceu esse “agrado”. Nessa hora respondi dizendo que eu havia ficado muito feliz pela informação e que o Fulano foi um cara que sempre fez questão de estar presente.

Na minha resposta, continuei escrevendo e contei que anteontem eu estava pensando sobre o caso de algumas outras pessoas que temos na empresa, que são complicadas, que não trabalham com a mesma motivação do amigo Fulano e vivem dando desculpas com seus problemas pessoais. Minha conclusão dizia que o mundo é composto por pessoas normais, pessoas que sofrem e pessoas que fazem os outros sofrerem.

Os normais são aqueles que saem de casa todos os dias em direção ao trabalho pensando exclusivamente em trabalhar. Os que sofrem são os que saem de casa reclamando da vida, dos problemas e de tudo mais. E os que fazem os outros sofrerem são os que saem de casa já revoltados com tudo e com todos. O resultado disso é que os que fazem sofrer não se contentam em apenas infernizar a vida dos que já sofrem, mas parece que têm metas de encontrar novos sofredores, portanto infernizam a vida dos normais também, tentando rebanhá-los entre os sofredores.

Com isso, entendi que o maior desafio em liderar equipes não é fazê-los executar seus trabalhos ou tarefas. O verdadeiro desafio que temos está no fato de a maioria das pessoas viverem em constante conflito interno. Essas pessoas não descansam, devem deitar na cama e continuarem sofrendo. Vivem procurando problemas para sofrer. Adoram problemas… E como elas têm muitos conflitos internos, acabam por gerar conflitos externos sem motivos reais. Transformam-se todas em "Patos Donalds", que façam o que for, sempre se darão mal. E assim como o personagem de Walt Disney, nunca percebe que seu sofrimento é fruto de sua expressão negativa ou de suas atitudes.

Se as pessoas se concentrassem em fazer os seus trabalhos, motivados, sem se preocupar com nóias, com divergências familiares ou com os colegas negativos, elas evoluiriam. A maioria dos problemas que uma pessoa tem poderia ser resolvida com o realizar de um bom trabalho. E se o cara não faz um bom trabalho, além de permanecer com aquele monte de problemas que ele já tem, ainda terá um novo problema que será a cobrança do chefe e, em alguns casos, até a perda do trabalho. Resumindo: O MUNDO GOSTA DE SOFRER!

Um outro colega me contava do programa que ele assistiu onde este assunto estava em pauta, de como o ser humano passa a vida murmurando, se lamentando. Está na bíblia, que desde de que o mundo é mundo o homem murmura e se lamenta… E quando o sofrenildo se afasta, as pessoas normais sentem a diferença.

E problemas… quem não os tem? A questão está em como lidamos com eles. Se os colocarmos no centro de nossas vidas, nossas vidas virarão um problema. Se colocarmos as bênçãos em primeiro lugar, teremos uma vida recheada de coisas boas e os problemas parecendo pequenos. Isso nos faria agradecer a Deus pelos poucos motivos que temos para reclamar… Visite um hospital e verá pessoas com o que realmente podemos chamar de problema… pessoas que não sabem se estarão vivas no dia seguinte. Problema não é ter que trabalhar, mas sim não ter emprego ou saúde para poder trabalhar.

Inicie, na sua vida, a OPERAÇÃO LIMPEZA. Isso consiste em se aproximar de pessoas de bem com a vida e se distanciar daqueles que chamamos de siameses ao caos (que vivem grudadas ao problema). Dê uma oportunidade a você de ser feliz.

criado por aguinaldocps    14:54 — Arquivado em: comportamento, histórias pessoais, opinião pessoal

23/5/08

Respeitar o espaço dos outros é importante.

O Sandoval é colega de trabalho de uma amiga minha. Eu não o conheço pessoalmente, por isso tomei o cuidado de trocar seu nome. Também não sei se o relato que ouvi é exatamente como entendi, por isso quero deixar claro que a partir desse momento, ele se torna simplesmente uma personagem desta crônica, onde qualquer semelhança com o mundo real é apenas coincidência. Mas o fato é que existem alguns Sandovais por aí.

Segundo minha amiga, ele é exageradamente mal organizado e, devido a isso, atrapalha também outras pessoas. Tem uma quantidade enorme de trabalho para fazer justamente porque não consegue terminar nenhum. O acumulo é tão grande que as pastas ficam num canto, em cima da mesa, em pilha, com anotações em “post-its” que ninguém mais entende. Em poucos dias forma-se outra pilha de pastas no outro canto da mesa.

O grande problema é que, segundo ela, o seu vizinho invade a mesa dos colegas, com papéis desnecessários ou materiais que já deveriam ter ido para os arquivos, sem ao menos pedir licença. Isso, atualmente é mais comum do que se imagina, mas é um problema novo. Não acontecia antigamente, pois as salas eram bem divididas e as mesas individuais. Porém, com a arquitetura moderna de ambientes, muitas empresas se dispõem em Estações de Trabalho, cujas mesas se emendam nas outras e a divisão de espaço não é exatamente bem definida. Nesse caso, o que fazer para delimitar o seu espaço? Como impedir que os Sandovais invadam o seu território e espalhem a sua bagunça por todos os cantos?

A única solução é delimitar fisicamente. Usar seus instrumentos de trabalho ou enfeites para marcar a fronteira é a única solução que vejo. Conversar com o colega invasor (até em tom de brincadeira, dependendo do caso) e explicar que aquele espaço é seu pode ser bem válido. Em casos mais difíceis, use a criatividade, como o Heitor, amigo meu que levou seus soldadinhos de brinquedo para a empresa e ganhou a simpatia do invasor quando disse que eles vigiariam o limite e que qualquer coisa que passasse por ali estaria sujeito a fiscalização alfandegária. Segundo ele, daquele dia pra frente, ninguém nunca mais teve coragem de invadir sua mesa com bagunças.

criado por aguinaldocps    17:49 — Arquivado em: comportamento, histórias pessoais, mundo moderno, opinião pessoal

5/3/08

Mas afinal, não era isso que ela queria?

Fabia era funcionária de uma empresa fazia 3 anos. Ela cumpria muito bem suas metas, sendo inclusive, nesse quesito, a melhor de todos no seu departamento. Mas Fabia foi demitida ontem.

A justificativa foi seu temperamento. Ela fazia todas as suas tarefas, mas passava o dia reclamando da vida, enumerando os defeitos da empresa e criando um clima ostil no departamento. Ela era arrogante e prepotente. Ah, também era mandona.

Ontem foi por causa do mouse que quebrou. Ela ficou indignada ao saber que a empresa não tinha lá, guardado, um mouse reserva. Fez um escândalo por causa disso. Para apaziguar a situação, o gerente de TI ofereceu o seu mouse, mas ela não quis. Ela dizia ser um absurdo ter que usar o mouse do outro. "Será que eu vou ter que trazer de casa???"

Ela passou o dia inteiro resmungando, dizendo que estava muito nervosa e não queria nem saber. Se quizessem mandá-la embora, que mandassem. Pois no final da tarde alguém quis. Demitiram-na. Afinal, era isso que ela queria…

E quando todos pensaram que ia ficar tudo bem, eis que entra na sala a Fabia, vindo direto do departamento pessoal. Chegou chorando, aos berros. Se dizia injustiçada. "Como pode? Me demitiram!!! Ninguém quis saber se eu tenho contas para pagar… ninguém lembrou das coisas boas que eu fiz aqui… estou me sentindo humilhada…" Como pode-se perceber, ela estressou.

Mas afinal, não era isso que ela queria? Não, não era! Ela dizia que era isso que queria porque se sentia segura demais em seu cargo, em seu emprego. Ela sempre achou que ninguém iria demiti-la por problemas de relacionamento, pois o seu trabalho estava em dia. Por isso ela desafiava.

O que muita gente não entende é que as tarefas diárias são somente parte do seu trabalho. Mas também há outras coisas que precisam ser analisadas num profissional. No futebol, por exemplo, tem muito craque de bola que nenhum time quer, porque ele joga bem, mas cria um clima tão negativo com suas vaidades que lá ninguém mais joga. Nasses casos, o melhor que o treinador tem a fazer é tirar o craque mal humorado, arrogante e mandão e, no lugar dele, colocar um principiante.

É bem possível que o novato não faça tantos gols quanto o antecessor, mas fará alguns, enquanto que o clima no time melhorará e os outros que não faziam nada, passarão a fazer também. É preferível ter vários profissionais medianos do que ter somente um bom e os outros todos coitados. Na verdade, ninguém é bom o suficiente para ser campeão sozinho. Ninguém consegue levar um time nas costas por muito tempo.

As empresas estão repletas de Fabias. Mas aos poucos os chefes vão percebendo que sem elas, as empresas funcionam melhor. Já as Fábias sempre acham que facilmente encontrarão um emprego melhor, o que pode ser verdade. Mas só por pouco tempo, já que em poucos meses estará insatisfeita novamente.

As Fábias sempre reclamam que suas vidas não vão para a frente. Elas dizem que sempre quando acham que tudo está indo bem, alguma coisa acontece de ruim para estragar. O que elas não sabem é que a explicação disso está na "lei da ação e reação", que diz que tudo que vai, volta… e na mesma intensidade.

Se o problema está em você, não adianta mudar de empresa, pois você leva você junto contigo para lá. Isso me faz lembrar de uma frase do russo Leon Tolstoy que dizia que "o homem passa a vida inteira tentando mudar o mundo e se negando a mudar a si próprio".

criado por aguinaldocps    21:50 — Arquivado em: comportamento, histórias pessoais, opinião pessoal

4/3/08

Eu machuquei o Seu Vizinho da direita

E foi isso mesmo que aconteceu. O fato ocorreu no sábado pela manhã, quando eu jogava futebol na Academia Clube da Bola, em Campinas. Como alguns sabem, eu sou goleiro (dos bons).

Jogo num time formado por uma garotada mais jovem. Eles são quase todos funcionários de uma empresa que distribui parafusos. Trabalham de segunda a sexta-feira e no sábado se reúnem para o “Grande Clássico Semanal”.

E foi um prazer quando eu fui convidado a participar. Na época eu estava sem praticar esportes, apenas me mantendo fazendo exercícios na academia, coisa que eu, sinceramente, não gosto. Quando o Roberto me convidou para jogar, mudei completamente minha agenda e me adaptei ao horário deles, sábado pela manhã.

E tive a oportunidade de conhecer uma galera jóia. Todos são muito animados, motivados e ao participar percebi que isso ajuda inclusive no próprio trabalho deles. Onde há gente motivada, há também produtividade e nada melhor do que um jogo de futebol para manter o clima de amizade e competição em equilíbrio.

Na década passada, trabalhei durante dois anos em São Paulo. Naquela época nós jogavamos semanalmente, numa quadra no Brooklin, cujo proprietário era o Rivelino. Na época a empresa se reunia na terça às 22h para jogar até às 23:30h. Eram pessoas de todos os departamentos, do diretor aos motoboys. Lá nós nos livravamos da tensão da semana anterior e carregavamos as baterias para a semana seguinte.

Então isso fica como sugestão às empresas que quiserem criar um mecanismo de equilíbrio aos funcionários, visando diminuir o stress causado pelo trabalho. Não precisa se prender ao futebol, existem outras alternativas, mas desse exemplo podem surgir outras ideias.

Mas voltando ao fato, no último sábado estava eu, lá, debaixo das traves, quando já no finalzinho do tempo regulamentar alguém, que eu não vi quem foi, chutou uma bola em direção ao gol. É claro que não foi gol, pois eu estava lá. Mas ao defender, percebi uma forte dor no meu dedo anelar da mão direita. Tirei a luva, vi que o dedo ficou roxo e pedi para ser substituído. Ao analisar melhor a contusão, percebi que ela foi idêntica a uma outra que tive há uns 4 anos também no anelar, mas da mão esquerda. Demorou uns 10 dias para sarar e sarou.

Quando eu era criança, minha mãe ensinou-me o nome dos dedos e seus apelidos. Os nomes, todos sabem, mas dos apelidos, creio que vale lembrar. Ela dizia que eram “mindinho, seu vizinho, pai de todos, fura bolo e mata piolho. Eu machuquei o “Seu Vizinho”… da mão direita.

criado por aguinaldocps    15:04 — Arquivado em: comportamento, curiosidades, histórias pessoais, mundo moderno, opinião pessoal

19/2/08

Entrevista sobre empreendedorismo

Na semana passada, fui entrevistado por um grupo de alunos da Faculdade Politécnica de Jundiaí, sobre empreendedorismo. Não é a primeira vez que isso acontece, mas esta, especialmente, teve uma sequência de perguntas muito interessantes. Eu creio que seja útil transcrever aqui.

Também quero aproveitar a oportunidade e agradecer aos alunos do grupo que me confiaram a tarefa de responder essas perguntas.

1) Há Quanto tempo possui seu próprio negócio?

Iniciei minha primeira escola em setembro de 2001, como franqueada do Grupo Uptime. Atualmente atuamos com 3 unidades franqueadas, das 70 que este grupo possui.

2) Houve algum evento de “disparo” para iniciar seu negócio?

Sim, houve tal evento. Eu trabalhava em uma outra empresa do ramo como diretor e esta empresa foi vendida. Por não me ver seduzido pelo novo projeto, busquei um outro projeto que me motivasse. Isso somente foi possível criando a minha própria empresa.

3) Como surgiu a idéia de abrir um negócio nesse ramo de atividade?

Como eu já tinha experiência no ramo, entendi que seria mais seguro trabalhar com ele. Dessa forma, quando saí em busca de um projeto, foquei no ramo cujos desafios eram razoavelmente conhecidos.

4) Que experiência anterior possuía? Serviu de base para a criação do negócio?

Sem dúvida, serviram. Eu já trabalhava em área comercial de uma outra escola de inglês, havia 8 anos. Ao procurar um franqueador, o fiz baseado em conceitos que eu já havia adquirido com minha experiência nesses 8 anos. Mesmo assim, houve uma grande diferença entre tocar um negócio como executivo e fazer esse mesmo trabalho como proprietário. Precisei reaprender muitas coisas.

5) Possuía uma rede de relacionamentos que favorecia o empreendimento? Em que momento?

Eu possuía uma rede de relacionamentos interessante, que me serviu quando procurei um franqueador, já que este era meu conhecido havia anos. Também foi mais fácil encontrar fornecedores de serviços básicos, como contador de confiança, banco, advogado, etc.

6) Quais são suas forças e fraquezas? Como as utilizou para progredir?

Eu acredito que tenho mais força do que talento. Creio que meu ponto positivo é ser uma pessoa de bastante atitude, com pouco medo de errar. Acredito que uma das fraquezas é ser muito pouco teórico e querer resolver tudo na base da motivação. Ciente dessas duas vertentes, procurei usar meu ponto forte em forma de trabalho e compensar meu ponto fraco me unindo a um sócio talentoso.

7) Possui sócios? Quais os pontos positivos e negativos de uma sociedade?

Meu sócio é uma pessoa fantástica, que contratei como funcionário ainda na antiga empresa. Quando resolvi empreender, Ele se convidou a vir também. Meu sócio se especializou em tarefas que eu não fazia. Esse é o ponto positivo de ter sociedade, enquanto que o ponto negativo é não poder “mandar” sozinho. Mas esse ponto negativo se transforma em ponto positivo quando a divergência faz com que tenhamos mais prudência.

8) Em que seu sócio pode complementar suas habilidades?

Somos pessoas diferentes. Eu sou mais criativo e dinâmico. Ele é mais racional e detalhista. Eu sou mais força, ele é mais organização. Eu sou mais sonhador, ele mais precavido. Sendo assim, eu trabalho na área comercial e ele na área administrativa e financeira.

9) Qual foi o momento mais crítico vivenciado? Como foi superado?

Foram vários os momentos difíceis, mas os primeiros dois anos foram de “corda no pescoço”, pois tínhamos pouco dinheiro e nos pesava o ceticismo de alguns. Tínhamos dificuldade de contratar gente boa por não conseguir que acreditassem no nosso projeto. A superação aconteceu quando começamos a aprender, tanto na prática quanto em cursos, que deveríamos nos concentrar em transferir conhecimento e formar pessoas tão capazes de executar tarefas quanto nós. Perdemos as vaidades.

10) Como conquistou seu primeiro cliente?

Por ser uma escola de inglês, temos que buscar clientes todos os dias no varejo. Mas se ficássemos esperando eles virem nos procurar, já teríamos falido. O primeiro aluno foi fruto de uma conversa informal com uma pessoa que se interessou pelo nosso serviço. Além disso, implantamos um marketing direto que propiciou bastante retorno, sendo usado até hoje.

11) Qual foi o momento de maior satisfação?

Um deles foi recentemente, quando referente ao ano 2006/2007 as nossas 3 unidades receberam prêmio de “franquia modelo” por parte do franqueador. Aliado a isso, passamos a contar com gerentes e coordenadores que já são a nossa segunda geração de comandantes nas áreas comerciais, administrativa e operacional. Aumentar a quantidade de pessoas na equipe e vê-las crescer, desenvolvendo habilidades por nós ensinadas, isso nos causa muito orgulho.

12) Quando iniciou o processo de criação do negócio, já possuía um plano de negócios? Se não, que tipo de planejamento foi feito?

Sim, eu tinha um plano de negócios, mas era ainda muito falho. Para compensar isso, busquei uma empresa franqueadora que trabalhasse na linha que eu desejava. Tive que mudar algumas coisas do meu projeto inicial, mas valeu a pena porque pude trabalhar com mais planejamento estratégico.

13) Quais são seus principais fornecedores?

Desde os básicos comuns a qualquer empresa, como a imobiliária que nos aluga os imóveis, contador, banco, material de escritório, até os fornecedores específicos, como o franqueador que fornece o método e o material didático usado nas aulas. Além disso, a empresa franqueadora ainda nos fornece gráfica e agência de propaganda (home).

14) Quantos empregados possui?

Atualmente empregamos cerca de 50 pessoas entre as 3 unidades. São recepcionistas, professores, auxiliares administrativos, comerciais, auxiliares de limpeza, seguranças, além das pessoas que compõem o quadro de liderança. Eles são mais 3 gerentes comerciais (um em cada unidade), 3 coordenadores pedagógicos, 3 coordenadores administrativos, uma pedagoga, além de mim e meu sócio que, hoje, atuamos numa espécie de direção regional.

15) Em números, quanto cresceu nos últimos anos?

Saímos do zero para cerca de 1300 alunos num prazo de 6 anos. O ano de maior crescimento foi 2007, quando conseguimos dobrar o numero de matriculas feitas em relação ao ano anterior.

16) Que conselho daria a quem pretende abrir seu próprio negócio?

Meu conselho é que se prepare para ser empreendedor. Não adianta achar que ter experiência num determinado negócio como funcionário basta para empreender. Ter empresa consiste em desenvolver muitas outras tarefas além de fornecer um produto ou serviço. Sugiro que faça cursos de empreendedorismo e que não eleja um determinado negócio como mina de ouro. O ponto determinante não está no negócio em si, mas sim no espírito do empreendedor, que tem que deixar de achar que o negócio vai torná-lo rico e passar a entender que ele (empreendedor) vai tornar o negócio bom.

criado por aguinaldocps    15:35 — Arquivado em: curiosidades, histórias pessoais, opinião pessoal, projetos na Uptime

17/2/08

Nível profissional e nível de escolaridade

A Cleide, que tem 53 anos, comentou um dia desses que pensava em entrar numa faculdade. Mas segundo ela, seu objetivo nem é aprender mais, já que ela atua como gerente financeiro de uma empresa média e tem ainda o conforto de ser formalmente aposentada. O que Cleide realmente objetiva é calar a boca de uma colega de trabalho, formada, que de tempos em tempos, solta uma indireta sobre o assunto, alegando que tem gente que tem salário alto e não tem nem nível superior.

Essa é uma situação muito comum em empresas médias, já que, com o passar do tempo, as grandes multinacionais tem seus programas de ascensão baseados também no nível de escolaridade do indivíduo. Mas, nas empresas médias, onde o proprietário está regularmente participando do dia a dia do escritório, vale mais a cumplicidade e a confiança que a empresa tem nas pessoas.

A Cleide poderia ter respondido tranqüilamente a sua colega, que tanto se orgulha de ter cursado o terceiro grau, informando que ela está um tanto enganada quanto a forma correta de se calcular o valor de um profissional. Não se quantifica o salário de alguém por quanto ele estudou ou por quantos idiomas ele fala, mas sim por uma outra regrinha que se aprende ainda no segundo grau, quando se estuda economia, que se chama “Lei da Oferta e da Procura”.

Segundo essa lei, se há mais profissionais no mercado capazes de exercer aquela missão do que vagas disponíveis, o salário de tal profissional abaixa, considerando que, se um não quer a vaga, outro quer. Porém, quando há uma vaga com escassez de mão de obra qualificada, o profissional contratado tende a receber salário melhor, pois a empresa não desejará perdê-lo.

O que talvez a colega da Cleide também não compreenda, é que “nível profissional” é diferente de “nível de escolaridade”. Quando um cidadão estuda por completo uma faculdade de direito, ele se torna um cidadão com nível de escolaridade superior. Mas isso não o torna um profissional de nível superior, pois ele precisa, antes de tudo, aprender a fazer alguma coisa com diferencial, ou seja, fazer alguma coisa como poucos podem fazer. Uma pessoa formada em faculdade é facilmente encontrada no mercado, enquanto que uma pessoa que faça bem uma tarefa difícil, com dedicação e confiança é cada vez mais rara.

No início dos anos 90 eu trabalhava no Departamento Fotográfico de um grande jornal. Naquela época, recentemente havia sido regulamentada a profissão de “Repórter fotográfico” e, justamente por isso, muitos antigos profissionais trabalhavam legalmente sem terem cursado jornalismo. Um deles era o Neldo, um senhor de cerca de 60 anos, que chefiava uma equipe de mais 8 fotógrafos formados ou em formação universitária. Naquela época já surgiam esses papos, de que profissionais como ele eram coisas do passado. Foi num desses momentos que Neldo, já com seus cabelos brancos e dificuldade para andar, desafiou sua equipe a fotografar no domingo, a bola exatamente em cima da linha do gol, no jogo entre Guarani e Ponte.

No domingo lá estava ele no campo, com mais 4 outros profissionais mais graduados. O jogo foi zero a zero e todos voltaram para o jornal com belas fotos do jogo, mas sem o desafio cumprido. Todos, menos Neldo. Ele havia clicado o momento em que o goleiro da Ponte Preta salvou uma bola bem em cima da linha. Eu acho que isso explicou porque o Neldo era chefe e ganhava mais. Ele cumpria sempre o seu objetivo.

Voltando a Cleide, vai o meu conselho de fazer sim uma faculdade, mas não para contentar ou calar sua amiga, mas para ganhar conhecimento, experiência e fazer novas amizades. Para a colega da Cleide eu dou um outro conselho: comece a se preocupar menos com o salário dos outros e se preocupar mais em sempre cumprir o seu objetivo. Fazendo assim, um dia você será reconhecida, assim como hoje é a Cleide.

criado por aguinaldocps    17:44 — Arquivado em: MELHORES ARTIGOS, curiosidades, histórias pessoais, mundo moderno, opinião pessoal

30/1/08

Trafegando pelo Acostamento

Dia desses eu estava na Marginal Pinheiros, em São Paulo, trafegando pela última faixa do lado direito, próximo ao “cebolão”. O trânsito não estava completamente parado, mas lento. O fato é que o velocímetro devia estar marcando uns 30 Km por hora, no máximo. Até aí, nada de novo, todos muito pacientes.

Eis que lá de trás aparece um Honda Fit em maior velocidade vindo pelo acostamento e ultrapassando todo mundo. Logo que isso aconteceu, o motorista do Vectra que estava atrás de mim fez o mesmo e o seguiu. A partir daí, em poucos segundos, muitos eram os carros andando pelo acostamento, o que fez com que o mesmo se tornasse uma nova pista de rodagem, a não mais que 30 Km por hora.

Este simples ocorrido, coisa que deve acontecer todos os dias em diversos pontos de muitas grandes cidades, nos faz aprender uma série de coisas:

A primeira é que aquele primeiro motorista de cortou o trânsito valendo-se de uma arbitrariedade deve se achar mais importante do que todos os outros 19.999.999 habitantes da Grande São Paulo. Ele provavelmente se acha mais esperto, mais inteligente, mais tudo. Afinal, ele acredita que o mundo é dos espertos e vê como algo elogiável a sua grande habilidade de fazer o que ninguém havia feito até aquele momento. Provavelmente esse motorista seja um daqueles sonegadores de impostos, que faz com que o Brasil se torne um país caro.

Quando um motorista corta os outros por um atalho ou pelo acostamento ele está utilizando-se de um recurso desonesto para levar vantagem. Com isso ele complicará o transito lá na frente, quando inevitavelmente terá que voltar para a pista, fazendo com que o honesto tenha que esperar ainda mais. O mesmo acontece quando alguém sonega imposto. Quem não sonega fica tão prejudicado que não consegue se colocar no mercado de maneira competitiva.

A segunda análise é que o motorista do Vectra, que estava tranqüilo atrás de mim, fez o que muito brasileiro faz: foi no embalo do outro. Provavelmente ele teve um segundo de indignação ao ver que foi ultrapassado desonestamente pelo outro, sendo assim, usou da mesma malandragem para “equilibrar o jogo”. É o caso de muitas pessoas, que quando são flagradas em algum ato incorreto, justificam-se dizendo que “embora proibido, todo mundo faz isso!”

E finalmente percebemos também que aquilo que todo mundo faz, embora errado, passa a ser normal. O que há de mais normal em um congestionamento é o fato dos motoristas usarem o acostamento para trafegar, ainda que seja para ganhar alguns poucos metros. Poucos imaginam que quanto mais as pessoas pensem em levar vantagem em cima das outras, menos elas vão dormir tranqüilas.

Quanto mais um homem for desonesto, mais outros homens também serão e mais ainda outros precisarão ser para se destacarem. Acontece que um dia o universo se defende e o desonesto então paga o preço. Um dos muitos congestionamentos que eu peguei em minha vida de motorista, ficou marcado pelo fato de a ambulância de resgate não conseguir passar com rapidez pelo trânsito devido ao fato de o acostamento estar totalmente ocupado por motoristas espertos que se achavam mais importantes que os outros e resolveram trafegar por lá, além de mais alguns motoristas indignados que resolveram fazer o mesmo ao se sentirem lesados ao ver que estavam sendo ultrapassados pelos outros.

criado por aguinaldocps    12:31 — Arquivado em: MELHORES ARTIGOS, comportamento, histórias pessoais, mundo moderno, opinião pessoal, política

18/12/07

A visita do grande cliente.

Estava ela em frente ao computador conferindo o trabalho que sua equipe havia feito durante uma tarde. Além dela, funcionária há mais de uma década, havia ainda 7 outras pessoas na sala. Eis que entra o dono da empresa, com um visitante. Ele estava fazendo um tour pela empresa com um grande cliente. Entrou dizendo:

- Aqui é o Departamento de Planejamento. São instalações novas, acabaram de passar por uma reforma. As máquinas, todas de última geração, ar condicionado digital, iluminação natural e espaço para mais 5 mesas, prevendo a demanda que virá.

O visitante o congratula pela beleza do escritório e ambos saem da sala rumo ao departamento ao lado. Por um momento todos se olham, pasmados. Ele havia entrado na sala, apresentado os computadores, as mesas e até o ar condicionado. Mas não havia apresentado as pessoas. O orgulho dele era pela infra-estrutura física, mas o capital intelectual nem fora lembrado.

Os funcionários sentiram-se mal, com razão, mas o dono nem notou. Afinal ele nem lá voltou. Para ele, despercebido, nada havia acontecido. Despediu-se do visitante e já retornou ao seu gabinete, onde planejava a festa de confraternização de final de ano. Ele estava empenhado em fazer a melhor festa que pudesse, com vinho chileno, carne argentina e sobremesa francesa. Também pediu um bom músico para dar ritmo a comemoração. Sua intenção era que todos tivessem orgulho de trabalhar lá.

Ela, a funcionária, dias antes, havia sugerido aos seus colegas de departamento que se trajassem socialmente naquela quinta-feira, já esperando a visita do cliente. O mensageiro estava de gravata, a estagiária usava um terninho em pleno verão paulistano. Mas o dono nem notou. Por sua vez, nem o cliente. O episódio havia gerado um mal estar e já havia gente falando em procurar outro emprego.

O dono, nesta manhã tinha sugerido um aumento de salário um pouco acima do índice de dissídio combinado pelo sindicato. Ele acreditava que se pagasse mais, o trabalho fluiria melhor e teria menos rotatividade na equipe. Ele passava o dia todo retirado dos outros, pois queria que o grupo estivesse em paz e concentrado.

A empresa continuou tendo muita rotatividade de funcionários e estes partiam para outras empresas mesmo que, para ganhar a mesma coisa. O dono continuou com o “grilo na cuca”, sem entender por que as pessoas mudavam tanto de emprego, já que ganhavam bem e tinham bons equipamentos. Os funcionários continuaram revoltados e odiando aquele patrão insensível.

E todos tinham a mesma intenção positiva, mas como não se comunicavam, não sabiam o que a outra parte realmente queria. Foi assim que aconteceu.

criado por aguinaldocps    11:33 — Arquivado em: MELHORES ARTIGOS, comportamento, histórias pessoais, opinião pessoal
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