Crônicas Corporativas

Há 22 anos trabalhando, coleciono vitórias e derrotas, experiências positivas e negativas de coisas que tenho orgulho de lembrar e outras que desejaria esquecer. O objetivo deste blog é contar um pouco do que eu aprendi ao longo da minha carreira.

13/11/08

Encontrei velhos Amigos

O ano 2000 foi o último que eu vivi na antiga empresa, onde trabalhei por 8 anos. Lá, além do aprendizado, fiz muitos e muitos amigos. Porém, como na época não existia Orkut, a maioria deles sumiu do mapa. E eu digo isso porque foi pelo Orkut que eu encontrei muitos deles.

Recentemente, encontrei pelo site de relacionamento, o Henrique e o Armando, dois ex-colegas de trabalho que fizeram parte de uma fantástica equipe que tive o prazer de liderar no início do milênio. Numa das conversas, sugeri um almoço para nos reencontrarmos. Eles toparam, mas ficamos de marcar a data. E com isso, o tempo passou e não marcamos.

Até que o Henrique me chamou a atenção sobre a lenda do almoço. Pois então ele aconteceu. Ontem, dia 13 de novembro de 2008, no restaurante Samurai Mix, em Campinas, fomos nos reencontrar.

Cominamos tudo pela internet. Eu, o Armando, o Henrique e o Ricardo. Esse último, quando eu mudei de empresa, ele me acompanhou e trabalha comigo até hoje. Os outros dois, creio que fazia uns 7 anos que eu não via mais. Sabia que o Henrique estava gordo e que o Armando não tinha mais cabelos, pois as fotos do Orkut estavam lá pra todo mundo ver. Mas pessoalmente, eles estão muito mais feios.

Eu fui o primeiro a chegar, único pontual. Alguns minutos depois aparece o Armando. Depois o Ricardo (unico de gravata) e por fim o Atrazildo Henrique Siqueira. Ficamos exatamente duas horas almoçando e contando histórias.

Por fim, combinamos de nos encontrarmos a cada mês. Esse encontro mostra que o tempo não apaga as amizades. Grandes caras… menos o Ricardo, que é baixinho.

***Na foto, eu estou de amarelo, o Henriqeu de azul, o Armando de camisa escura e o Ricardo de gravata.

criado por aguinaldocps    17:08 — Arquivado em: Grandes Figuras

6/10/08

De Office Boy a Diretor

Hoje eu vou contar a história do Carlinhos. Ele é um velho conhecido, do tempo em que eu arrumei um emprego numa loja lá no Centro. O Carlinhos tinha 16 anos e era o boy. Ele fazia todo aquele trabalho que já sabemos qual é, como correios, cartórios, bancos, etc. Era um garoto muito simpático e muito bem quisto por todos. Tanto nós da mesma idade, quanto os funcionários mais velhos nos simpatizávamos com ele, afinal era inteligente e prestativo e tinha muita vontade de trabalhar.

Hoje, mais de quinze anos depois, o Dr. Carlos Zamparotto é o Diretor financeiro de uma grande rede de Concessionárias de Veículos e controla algumas lojas em 3 cidades da nossa região. Um dia desses encontrei-me com ele, por acaso, no bar do Pedro, no Mercado Municipal. E ele estava me contando sobre como tudo aconteceu. Afinal, na época em que trabalhávamos juntos, ele chegou até a ter oportunidades de crescer, mas continuava sendo visto como o boy que ia buscar os lanches.

Segundo o que me contou, tudo começou 2 anos depois, de uma forma muito natural, quando um cliente lhe sugeriu que mudasse a forma de vestir-se. Aconselhou-o a trajar-se mais formalmente no trabalho, dispensando aquelas camisetas dos Ramones (estou falando de 1990) e habituando-se ao jeans com sapato social. Ele experimentou, percebeu que, embora os colegas mais antigos ainda o tratassem como o eterno ofice-boy, os novos funcionários já tinham outra visão. Também notou que os clientes já demonstravam mais confiança em suas explicações.

Outra mudança foi o linguajar. O Carlos deixou de usar gírias, passou a falar mais devagar e, segundo ele, a não mais contar aberta e orgulhosamente as “loucuras” que fazia nas baladas. Resumindo, começou a se comportar de outra maneira. Nessa época, devido a ida para o exército, precisou ficar fora da empresa por um período e, quando voltou, lhe foi confiado o cargo de Supervisor de Contas a Receber.

Incentivado pelo cargo novo, voltou a estudar e fez faculdade de Direito. Ainda antes de se formar, aos 24 anos começou a estagiar em um escritório de advocacia e contabilidade, onde aprendeu a usar gravatas. Nessa época comprou seu primeiro carro, um Gol ano 83. Formou-se na faculdade aos 25 anos, mas não quis seguir como Advogado, pois preferiu trabalhar como gerente numa financeira. Foi lá que conheceu sua esposa, a Débora, com quem se casou aos 28 anos e, tempos depois, a convite de um cliente, passou a exercer o cargo de gerente administrativo em uma loja de veículos.

Aos 32 anos, Carlos se sobressaiu num dos processos seletivos que participou, assumindo o cargo que mantém hoje. Ele me contou, em tom de brincadeira, que em seu departamento, tem alguns “guardinhas” e que sempre que pode conta sua história. Também complementa dizendo que continua usando as camisetas dos Ramones, mas no lugar certo e não no trabalho.

Resumindo, o que fez com que o Carlos fosse reconhecido pelas outras pessoas foi sua mudança de comportamento. Não é de um dia para o outro que se poderá sentir o respeito das pessoas, mas sim ao longo de um determinado tempo, conforme o quadro de funcionários de sua empresa for mudando e pessoas novas chegarem. Mas para quem quer resultados rápidos, já poderá sentir a diferença com os clientes novos, que não o vêem todos os dias. Para finalizar a história, o Carlinhos ainda contou que, na época da mudança de comportamento, como estava sempre ocupado fazendo coisas legais, não tinha mais tempo para sair comprar lanches para o pessoal e, com o tempo, eles também pararam de pedir.

criado por aguinaldocps    15:20 — Arquivado em: Grandes Figuras, comportamento

22/3/08

Mais um texto do Max Gehringer

Durante minha vida profissional, eu topei com algumas figuras cujo sucesso surpreende muita gente. Figuras sem um Vistoso currículo acadêmico, sem um grande diferencial técnico, sem muito networking ou marketing pessoal. Figuras como o Raul.
Eu conheço o Raul desde os tempos da faculdade. Na época, nós tínhamos um colega de classe, o Pena, que era um gênio.
Na hora de fazer um trabalho em grupo, todos nós queríamos cair no grupo do Pena, porque o Pena fazia tudo sozinho.
Ele escolhia o tema, pesquisava os livros, redigia muito bem e ainda desenhava a capa do trabalho - com tinta nanquim.
Já o Raul nem dava palpite. Ficava ali num canto, dizendo que seu papel no grupo era um só, apoiar o Pena. Qualquer coisa que o Pena precisasse, o Raul já estava providenciando, antes que o Pena concluísse a frase. Deu no que deu.
O Pena se formou em primeiro lugar na nossa turma. E o resto de nós passou meio na carona do Pena - que, além de nos dar uma colher de chá nos trabalhos, ainda permitia que a gente colasse dele nas provas. No dia da formatura, o diretor da escola chamou o Pena de "paradigma do estudante que enobrece esta instituição de ensino". E o Raul ali, na terceira fila, só aplaudindo.
Dez anos depois, o Pena era a estrela da área de planejamento de uma multinacional. Brilhante como sempre, ele fazia admiráveis projeções estratégicas de cinco e dez anos. E quem era o chefe do Pena? O Raul. E como é que o Raul tinha conseguido chegar àquela posição? Ninguém na empresa sabia explicar direito.
O Raul vivia repetindo que tinha subordinados melhores do que ele, e ninguém ali parecia discordar de tal afirmação.
Além disso, o Raul continuava a fazer o que fazia na faculdade: ele apoiava.
Alguém tinha um problema? Era só falar com o Raul que o Raul dava um jeito.
Meu último contato com o Raul foi há um ano. Ele havia sido transferido para Miami, onde fica a sede da empresa.
Quando conversou comigo, o Raul disse que havia ficado surpreso com o convite. Porque, ali na matriz, o mais burrinho já tinha sido astronauta.
E eu perguntei ao Raul qual era a função dele. Pergunta inócua, porque eu já sabia a resposta. O Raul apoiava.
Direcionava daqui, facilitava dali, essas coisas que, na teoria, ninguém precisaria mandar um brasileiro até Miami para fazer.
Foi quando, num evento em São Paulo, eu conheci o Vice-presidente de recursos humanos da empresa do Raul. E ele me contou que o Raul tinha uma habilidade de valor inestimável:… ele entendia de gente.
Entendia tanto que não se preocupava em ficar à sombra dos próprios subordinados para fazer com que eles se sentissem melhor, e fossem mais produtivos.
E, para me explicar o Raul, o vice-presidente citou Samuel Butler, que eu não sei ao certo quem foi, mas que tem uma frase ótima: "Qualquer tolo pode pintar um quadro, mas só um gênio consegue vendê-lo".
Essa era a habilidade aparentemente simples que o Raul tinha, de facilitar as relações entre as pessoas.
Perto do Raul, todo comprador normal se sentia um expert, e todo pintor comum, um gênio."
"Há grandes Homens que fazem com que todos se sintam pequenos. Mas, o verdadeiro Grande Homem é aquele que faz com que todos se sintam Grandes.

Max Gehringer

criado por aguinaldocps    20:48 — Arquivado em: Grandes Figuras, comportamento, mundo moderno, outros autores

12/2/08

A história de Walter Vieira

Na semana passada eu tive a oportunidade de almoçar com um amigo da década de 80. Conversávamos sobre o Walter Vieira. Este anônimo grande homem foi o meu primeiro gerente comercial. Ele tem uma história fantástica e sofrida, mas que merece ser contada.

O Walter tinha 45 anos e era gerente de uma grande empresa na região de Bragança Paulista. Isso, em meados dos anos 80. Pois foi nessa época que a filha dele morreu. Não sei exatamente do que. Sei que ele entrou em depressão e sua esposa também. E para fugirem das lembranças negativas, eles mudaram-se de cidade. Ele deixou a empresa e partiu para Jundiaí.

Sei que foram morar na periferia da cidade, ruas de terra, aonde o ônibus não chegava em dias de chuva. Passou a procurar emprego em grandes empresas. Porém, alguns meses se passaram e nenhum emprego surgiu. Aí a exigência diminuiu, mas mesmo assim permanecia muito difícil.

Até que um dia surgiu um emprego de balconista numa velha loja de materiais de construção. O Walter se candidatou, mas o entrevistador nem quis ouvi-lo. Disse “o Senhor já tem mais de quarenta anos, não vai querer receber o salário que se paga aqui”. O Walter argumentou dizendo que se não fosse contratado ali, no dia seguinte ele e a esposa já começariam a passar fome.

Ele foi contratado como vendedor. Salário mínimo e uma pequena comissão, que por mais quentes que fossem as vendas, não conseguiria dobrar sua renda. Afinal, aquela loja costumava contratar pessoas como eu, que tinha 14 anos, na época. E o Walter conquistou o cargo de gerente da loja e meses depois me contratou.

Foi nessa época que eu o conheci. Até então, tudo isso que eu narrei são histórias que a mim também foram narradas. Daí pra frente eu acompanhei sua história de disciplinador. Chamava-me a atenção todos os dias. Mas também não deixava de enviar um papelzinho com mensagens de motivação no meio do meu talão de pedidos.

O Walter usava a sua experiência adquirida numa grande empresa para motivar pessoas como eu, um garoto de 14 anos que nem sabia exatamente o que queria da vida. Mas, naquela época, ele já me dizia que “eu tinha jeito pra coisa”. Afirmava que, se eu me empenhasse, seria futuramente um executivo de área comercial numa grande empresa. E eu? Eu nem sabia exatamente o que isso queria dizer. Mas ficava feliz com os elogios.

O tempo passou, eu arrumei outro emprego, ele se aposentou e, por um tempo, não mais nos vimos. Graças a Deus, o Walter estava certo. Quando tive uma oportunidade de crescer, as lembranças daquelas palavras me foram muito úteis, principalmente nos momentos que eu pensei em desistir. Em 1994 assumi como gerente local e no ano 2000, a mim foi confiado o cargo de Gerente Divisional em minha antiga empresa. Nesse último, recebi uma homenagem e na semana seguinte fui até o bairro onde morava meu antigo gerente, tentar reencontrá-lo.

Lá estava ele, mais velho, se dizendo adoecido, numa casa sem muito luxo. Mas com a mesma voz forte, olhar contundente e um forte aperto de mão. Convidou-me para entrar e eu entreguei a ele uma fita VHS da solenidade que me premiara. Conversamos por umas duas horas e eu fui embora. Alguns meses depois não o encontrei mais. Creio que se mudou.

Talvez ele não saiba quanto significaram para mim aquelas broncas e aqueles elogios. Não sei se ainda o encontrarei. Mas, independente disso acontecer ainda um dia, o Walter fez seu papel, assim como hoje eu desejo fazer o meu. Qual a intensidade de sucesso que terei pela frente? Não sei. Mas sei que ele somente será verdadeiro se ficar para a posteridade e isso a gente só consegue transferindo conhecimentos e incentivando os mais jovens.

criado por aguinaldocps    13:45 — Arquivado em: Grandes Figuras, opinião pessoal

22/11/07

Lei de Gerson

Para quem não conhece a expressão, a Lei de Gerson é a de levar vantagem em tudo. O princípio disso se deu na segunda metade da década de 70 quando Gerson de Oliveira Nunes, um jogador de futebol bem sucedido, campeão mundial pelo Brasil em 1970, protagonizou uma propaganda de cigarros onde finalizava com a frase: "Você também gosta de levar vantagem em tudo, certo?"

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A campanha tinha a intenção de mostrar que fumar Vila Rica seria uma vantagem, por ser um cigarro mais barato. Porém a frase foi interpretada como um resumo da suposta malandragem brasileira, símbolo do jeitinho e da corrupção, ficando popularmente conhecida como lei de Gérson. Mais tarde, diante do impacto, o jogador se desculpou publicamente e lamentou ter associado seu nome a esse claro defeito de parte da população brasileira.

Talvez Gerson (o jogador) tenha sido escolhido para a propaganda pelo seu perfil (visto até então pelo lado positivo), do carioca malandro, esperto, ligado, etc. Acontece que embora contestado por todos, o adepto a Lei de Gerson é mais comum do que se imagina. É algo que todos detestam, mas quase todos querem ser. As pessoas estão muito preocupadas em levar vantagem nas coisas, em vez de se preocuparem com o bem comum.

É daí que surgem vendedores que se orgulham de "enrolar" o cliente e transmitem o ensinamento de que ser esperto, malandro e "liso" é uma característica de valor positivo.

É justamente por isso que o país (e o mundo) passa por tantos problemas. A corrupção existe porque é interessante para várias partes. Um policial somente é corrupto porque alguém o corrompe. O mesmo cidadão que fica indignado com o evento do mensalão, dias depois oferece R$ 50,00 para o guarda não multá-lo. O mesmo rapaz que se lamenta por ter sido assaltado na praia é o que dias antes estava consumindo maconha, uma droga vendida por traficantes que invariavelmente sustentam a criminalidade.

Há uma semana eu estava numa rodovia aqui de São Paulo e o trânsito parou, formando-se um congestionamento. Imediatamente alguns motoristas começaram a usar o acostamento para cortar o trecho e consequentemente depois de alguns poucos minutos, parou também. Havia acontecido um acidente, mas a Ambulância custou chegar até o local devido ao acumulo de carros inclusive pela única via alternativa, o acostamento.

O motorista que tomou a iniciativa de cortar os outros não deve ter tido a intensão de prejudicar o atendimento do acidentado, mas simplesmente de ser esperto e não ficar "marcando bobeira" ali parado. Quis dar uma de bom, do tipo "fiquem aí os mais bobos, pois eu vou embora". Não fosse pela ambulância, ainda assim esse motorista prejudicaria o honesto, que estava lá aguardando o trânsito fluir.

Não acho que as pessoas devem fazer o caminho mais longo e nem que não possam ultrapassar o carro da frente. Ultrapassar é justo quando o seu direito não fere o do outro, mas ultrapassar sem trapassear, sem seru um "Dick Vigarista".

"Levar vantagem em tudo" pode significar, a médio prazo, uma grande desvantagem. Se eu crio ou ajudo a criar a cultura da malandragem na minha comunidade, estou alimentando a possibilidade de eu ser vítima dessa mesma cultura no futuro. Se um cidadão "esperto" desvia dinheiro da educação para o próprio bolso, vai criar cidadãos mal educados que lhe gerarão problemas.

Em contrapartida, se crio uma cultura de honestidade, poderei desfrutar dessa segurança no futuro também. Se os hoteis do Rio de Janeiro investissem parte de seus lucros em educação coletiva para a comunidade, geraria alternativas de vida a população, a cidade teria menos trombadinhas e atrairia mais turistas. Com isso os próprios hotéis teriam mais lucros.

2/11/07

O Elias virou anjo

E os dias do Elias chegaram ao fim. Uma hemorragia encerrou seu papel aqui no filme da vida e o levou para os bastidores do céu. Mesmo com toda a correria que fizemos na quarta-feira pela manhã, o dia de Halloween nos pregou uma grande peça.

Mas a verdade é que nós, os filhos, já esperávamos. Não foi um choque, mas somente aquela sensação de… não sei bem o que. Devido a cirurgia, ao câncer no esôfago e a perda de tecido pulmonar, ele já estava bem debilitado. A última motivação de vida se foi quando não podia mais se alimentar pela boca e precisou usar uma sonda pelo nariz a fim de levar a comida diretamente para o estômago. Acho que aí ele perdeu a vontade.

Mas ontem as pessoas chegavam no velório e me perguntavam: "Como você está?" e eu respondia: "estou tranquilo, já estava preparado". No momento em que foi fechado o tumulo me emocionei um pouco mais, mas não chorei, pois o meu sentimento era diferente.

Fiquei triste com sua partida, mas feliz por saber que ele se libertou daquela doença e de todo aquele sofrimento. Ele foi embora e há uma hora dessas já está lá em cima, encostado em algum balcão, quem sabe ao lado de algum amigo ou mesmo do tio João.

Muitos amigos dele foram ao velório, gente que ele conheceu na Cica, na Krupp ou mesmo lá em São João da Boa Vista. Outra boa parte ele nem conhecia, eram amigos meus e de meu irmão e vieram de longe. Alguns diziam que sentiriamos mais no dia seguinte (que é hoje), mas eu continuo tranquilo. Lamento muito mais ao lembrar dos momentos positivos, engraçados, as piadas que ele contava. Mas acho que ficou melhor assim.

Té mais, meu velho! 

Para saberem mais da história do Elias, entrem no link abaixo: http://aguinaldocps.blog.terra.com.br/?s=elias&catsel%5B%5D=

 

criado por aguinaldocps    15:32 — Arquivado em: Grandes Figuras, MELHORES ARTIGOS, comportamento

22/9/07

Um Fiat 147 para o seu filho

Eu tenho um amigo rico. Francisco tem 55 anos, é professor de Educação Física e desenvolveu carreira como empresário dono de algumas academias de ginástica e musculação.
Mas o motivo que faz com que eu dedique esse post ao Chico é a forma elogiável que ele criou seus dois filhos, Renato e Emanuela. Chico é daqueles pais que ama o filho sem ter que comprá-lo com um presente ou fazer todos os seus gostos. Lembro-me de alguns casos, como num dia de vento, levar Emanuela para soltar pipas, para mostrar que o vento, de que todos reclamam, também tem seu lado bom; ou numa outra oportunidade ele colocar como condição para consertar o caminhãozinho de bombeiros, que o garoto largasse a chupeta.
Uma das mais interessantes histórias de Francisco foi em 2005, logo que Renato completou 22 anos. Naquela época meu amigo tinha dois carros em sua garagem, um Vectra de uso dele para ir ao trabalho e um Golf que sua esposa usava para seus afazeres. Como Madalena, a esposa, trabalhava como Promotora de Vendas em um escritório próximo de casa, duas semanas por mês um dos carros ficava constantemente na garagem. Renato, o mais velho e Emanuela, aos 18 anos, vez ou outra saíam com o carro da mãe.
O garoto, por sua vez, queria de toda forma que o pai lhe comprasse um veículo, para que não mais dependesse de pedir emprestado e para isso fez várias “birras”. O pai sempre deu a mesma resposta: “Você precisa comprar o seu”. O que Francisco queria dizer e sempre deixou claro é que Renato somente daria valor a um bem se o conquistasse, mas que até então, poderia ocasionalmente usar um dos carros da família para se locomover.
Como todo jovem, Renato faria qualquer coisa para ter um carro, foi então que se candidatou a um emprego de representante comercial, onde ter veículo era uma exigência. Começou a trabalhar usando o Golf da mãe, mas na semana seguinte já teria problemas com isso. Foi quando, em nome do emprego (que o pai apoiava), Renato pediu mais uma vez que Chico o presenteasse com um carro, afinal esta seria uma ferramenta de trabalho. Chico, dessa vez cedeu e prometeu: “até sexta-feira eu resolvo isso!”.
Na tarde da sexta-feira, quando Renato chegou do trabalho, se deparou na garagem com um Fiat 147, branco, extremamente conservado, mas sem um único luxo. Desceu do Golf calado, olhando e sem ainda entender o que estava acontecendo. Passaram-se alguns minutos e foi de encontro ao pai para questionar… Antes mesmo que pudesse falar, Francisco o abraçou, lhe entregou as chaves e disse:
“Esse é o carro que você usará para trabalhar, meu filho. Ele não tem ar condicionado justamente para você não se acomodar, pois quero te ver num outro melhor em pouco tempo. É por isso mesmo que vamos o registrá-lo em seu nome e quando você tiver algumas economias, poderá trocá-lo por um mais novo. Ah, o dinheiro que gastei comprando essa belezura, você não precisa me devolver não”.
Se foi certo ou errado? Não estou aqui para julgar. Mas sei que há dois anos Renato trabalha na mesma empresa distribuidora de vinhos e atualmente é responsável pela regional do Vale do Paraíba, em São Paulo. Tem um Honda Fit financiado em 24 vezes e já está pagando as prestações de um apartamento que comprou por conselho do pai.
Francisco comenta que se naquela época tivesse dado um carro novo ao filho, Renato muito provavelmente não estaria mais no mesmo emprego e nem estaria tão bem. Renato admite que se esforçou além do normal para trocar de carro logo, pois se envergonhava em andar com o Fiat, mas que quando em março de 2006 o trocou por um Gol, percebeu que se continuasse se esforçando, evoluiria mais a cada ano.
E eu? O que tenho a dizer? Que Francisco não deu o peixe ao filho, mas ensinou-o a pescar. Podemos dizer que ele deu uma vara, a linha e até a minhoca, mas não deu molinetes nem equipamentos de última geração e o filho provou que para se ter sucesso é preciso principalmente de uma causa.

criado por aguinaldocps    15:10 — Arquivado em: Grandes Figuras, comportamento, histórias pessoais, mundo moderno, opinião pessoal

12/9/07

Aos meus heróis

Em 1994, época em que eu frequentava a OVER NIGTH, um bar bilhar em Jundiaí. conheci umas figuras estranhas. O bar ficava numa sobreloja na Avenida Jundiaí e a entrada era por uma escada caracol.

Pois bem, entramos e ouvimos um movimento diferente, uma moçada que eu não conhecia, com cabelos coloridos, fazendo a maior zueira. Eles estavam com um violão cantando algumas músicas que eu me lembro até hoje.

Uma delas falava de um tal Robocop Gay, outra era sobre um nordestino que havia vindo a São Paulo comer um tal de gergelin. Ainda tinha um pagodinho falando que a Kombi quebrou lá na praia e mais umas outras.

É isso aí: conheci uns, até então desconhecidos, "Mamonas Assassinas". Eles estavam lá, de graça, divulgando seu trabalho e seu CD. Um tal "Dinho" a todo momento pedia que assistíssemos o "Jô Soares Onze e meia", na época no SBT, na quinta-feira seguinte. E ele dizia: "a gente vai no Jô, vamos ficar famosos…"

A minha esposa (que na época já namorava comigo) ainda disse: "então dá um autógrafo aqui, pois quando vocês ficarem famosos eu vou vender!" e eles deram. Pena que ela jogou fora.

Mas escrevi tudo isso pra dizer para duas pessoas que geralmente eu dou sorte. E se essas duas pessoas não acreditam em sorte, somente trabalhem, pois foi o que dissemos aos Mamonas antes deles se tornarem o maior fenômeno musical daquele momento.

Estou contando isso porque ontem conheci, ainda que de passagem, duas figuras muito interessantes. Estava eu chegando para ver a gravação do programa do Jô e eles estavam distribuindo o CD na entrada da Rede Globo. Trata-se de Julinho Marassi e Gutemberg, fluminenses de Barra Mansa e autores de uma MPB de muito boa qualidade. Resolvi transcrever uma das letras abaixo, que reflete muito também o meu sentimento atual, de dó mesmo. Fico com dó da juventude que ouve o que todo mundo ouve e deixa de conhecer musica de qualidade.

AOS MEUS HERÓIS

Faz muito tempo que eu não escrevo nada,
Acho que foi porque a TV ficou ligada?
Me esqueci que devo achar uma saída
E usar palavras pra mudar a sua vida.
Quero fazer uma canção mais delicada,
Sem criticar, sem agredir, sem dar pancada,
Mas não consigo concordar com esse sistema
E quero abrir sua cabeça pro meu tema.
Que fique claro, a juventude não tem culpa.
É o eletronic fundindo a sua cuca.
Eu também gosto de dançar o pancadão,
Mas é saudável te dar outra opção.
Os meus heróis estão calados nessa hora,
Pois já fizeram e escreveram a sua história.
Devagarinho vou achando meu espaço
E não me esqueço das riquezas do passado.
Eu quero “a benção” de Vinícius de Morais,
O Belchior cantando “como nossos pais”,
E “se eu quiser falar com…” Gil sobre o Flamengo,
“O que será” que o nosso Chico tá escrevendo.
Aquelas “rosas” já “não falam” de Cartola
E do Cazuza “te pegando na escola”.
To com saudades de Jobim com seu piano,
Do Fábio Jr. Com seus “20 e poucos anos”.
Se o Renato teve seu “tempo perdido”,
O Rei Roberto “outra vez” o mais querido.
A “agonia” do Oswaldo Montenegro
Ao ver que a porta já não tem mais nem segredos.
Ter tido a “sorte” de escutar o Taiguara
E “Madalena” de Ivan Lins, beleza rara.
Ver a “morena tropicana” do Alceu,
Marisa Monte me dizendo “beija eu”.
Beija eu, beija eu, deixa que eu seja eu
Beija eu, beija eu, deixa que eu seja eu
O Zé Rodrix em sua “casa no campo”
Levou Geraldo pra cantar num “dia branco”.
No “chão de giz” do Zé Ramalho eu escrevi
Eu vi Lulu, Benjor, Tim Maia e Rita Lee.
Pedir ao Beto um novo “sol de primavera”,
Ver o Toquinho retocando a “aquarela”,
Ouvir o Milton “lá no clube da esquina”
Cantando ao lado da rainha Elis Regina.
Quero “sem lenço e documento” o Caetano
O Djavan mostrando a cor do “oceano”.
Vou “caminhando e cantando” com o Vandré
E a outra vida, Gonzaguinha, “o que é?”
Atenção DJ faça a sua parte,
Não copie os outros, seja mais “smart”.
Na rádio ou na pista mude a seqüência,
Mexa com as pessoas e com a consciência.
Se você não toca letra inteligente
Fica dominada, limitada a mente.
Faça refletir DJ, não se esqueça,
Mexa o popozão, mas também a cabeça.
a cabeça.
a cabeça.
a cabeça Dj
a cabeça.

criado por aguinaldocps    11:35 — Arquivado em: Grandes Figuras, comportamento, curiosidades, histórias pessoais, música/cultura

12/8/07

Um grande abraço ao Elias

Meu pai nasceu em 19 de Agosto de 1946, em São João da Boa Vista/SP. Ele morava numa fazenda e era o segundo filho de uma família que viria a ter mais 3 depois.
Pouco sei de sua infância e adolescência, apenas que ele era um cara brigão e que adorava jogar futebol. Sei que estudou somente até a terceira série primária em escola rural e que ajudava meus avós a colherem café. Meu pai tornou-se lavrador, não serviu ao exército e se casou aos 19 anos com a minha mãe, que na época tinha só 18.
Em 1965 vieram passear em Jundiaí na casa de um primo chamado Santo. É isso mesmo, Santo. E a esposa do primo era a Angelina (tudo lá do céu). Foi nesse final de semana que meu pai (Elias) ficou sabendo que a Cica (aquela que bons produtos indica) estava "ajustando" (termo usado na época para contratação, significava ajustar o quadro de funcionários). Ele não foi embora no domingo à tarde, como prevera e se lançou a um emprego, que em 1965 não era tão difícil.

Duas semanas depois estavam eles morando numa meia casa na Avenida Rubbo. Seus vizinhos, o Agostinho e a Juracy se tornariam grandes amigos. Enfim, aos poucos o Elias mudou-se de casa, construiu uma própria, mudou de emprego e foi para a Krupp. A Minha mãe, a Dona Rose lavava as roupas do futebol para ganhar um dinheirinho. Aos poucos eles conseguiram comprar um fusca 66 (já no ano de 1975) e novamente se mudaram de casa para uma maior, novamente ele mudou de emprego, foi para a Duratex e mudaram-se novamente para outra casa. Nessa época ele resolveu trabalhar como pedreiro e assim trabalhou até se aposentar, agora já próximo do ano 2000. Nesse tempo todo minha mãe fazia serviços que ajudavam a sustentar a casa e virariam profissão (mas outro dia eu escrevo sobre ela, que foi a grande responsável pela estrutura que nós, os filhos, tivemos).


O ponto que desejo realmente frisar é que ao longo de toda essa história de vida (até o ano 2000), o Elias consumiu perto de 30.000 maços de cigarros, numa média de 2 maços por dia. Segundo ele, quando jovem era incentivado a fumar nas pescarias para espantar os mosquitos. Também deve ter consumido uma quantidade incalculável de doses de cachaça (Japi, 3 fazendas, 51, Ponte Torta e também as de garrafão que comprava no alambique).
Creio que a mistura desses dois fatores tenha feito todos os problemas de sua vida. Explico a partir de agora o motivo: Eu nasci em 72 e a imagem que tenho do Elias é de um homem forte e bravo. Sempre tive medo dele enquanto criança. O Reginaldo veio 4 anos depois e viveu o mesmo dilema, ter o pai ausente.

Várias e várias vezes presenciei discussões entre os meus pais devido a bebida. Eu ia constantemente chamar meu pai no bar da esquina enquanto mina mãe o aguardava em casa. Ficavamos o esperando para sair enquanto ele terminava o interminável jogo de truco. Mas uma coisa é certa: eu jamais o vi deixar de ir trabalhar por qualquer motivo que seja. Nem gripe o cara pegava. Nunca o vi acordar mais tarde por ter bebido no dia anterior. Ele também deu exemplos bons, como o da honra, honestidade e capricho com o trabalho.
Resumindo a história, em 2002, no mesmo dia em que Diego, Elano e Robinho comemoravam o título brasileiro do Santos, o Elias foi hospitalizado. Ele dizia que não sentia fome e por isso não se alimentava bem, mas segundo o médico isso acontecia porque a pinga criava a sensação de satisfação. Porém a marvada eliminava todo o potássio de seu corpo e num determinado momento, ele nem conseguia se levantar. Nessa internação descobriu um tumor na garganta que foi facilmente removido numa pequena cirurgia.
Nessa época conheci um pai que eu não sabia que tinha. Era alegre e divertido, afinal por ordens médicas não podia mais beber nem fumar. Eu achava que ele seguia tais conselhos. Durante uns meses eu o levava comigo para a empresa em Campinas onde ele cuidava da manutenção da empresa, pintava, trocava lâmpadas, consertava fechaduras, etc. Foi lá que o vi novamente fumando e ele disse que era no máximo um por dia. Meses depois já o percebia novamente agressivo e investigando constatei que ele voltara às pingas (ficavam escondidas na horta).


Em 2005, no dia do falecimento de um tio (irmão de minha mãe), o Elias engasgou-se com um pedaço de carne e foi para o Hospital. Essa cena se repetiria várias vezes até se descobrir um câncer no esôfago. Ele passou por uma cirurgia de grande porte, retirou o esôfago e passou 5 meses internado. Saiu bem, agora sem fumar mesmo e bebida, nem pensar. Voltei a ter um grande pai. Amável, bacana, engraçado, espirituoso. Todos gostam muito dele e quando contamos o seu passado é difícil de acreditar que era ele mesmo. Se tornou o velho mais simpático e querido da família.
Porém as pessoas podem mudar, mas as conseqüências dos seus atos permanecem. Hoje, dois anos depois da cirurgia, ele não consegue se alimentar e é obrigado a usar um incômodo aparelho que leva o alimento direto ao estômago.
Escrevi esse texto para dizer que embora eu tenha 35 anos e meu pai já tenha passado dos 60, eu pouco o conheci. Entendo os motivos dele beber, fumar e ser machão. Naquele tempo, na fazenda, devido à cultura da época e do lugar, o homem bom era aquele fortão, brigão, machão, que bebia, que fazia suas ousadas loucuras. O delicado e sensível era o que? Suponho que as mulheres se sentiam mais seguras e protegidas ao lado de um bruta-montes e os caras tentavam ser justamente isso.
O que sempre converso com o Reginaldo é que temos que aproveitar essa chance de conviver com o Elias, ainda que nos últios dois meses, devido ao aparelho alimentador, ele tenha perdido quase toda a alegria. Mas não perde um jogo do Peixe. Hoje, Elias, é contra o Fluminense no Maracanã e vai ser ao vivo pelo Sportv.

criado por aguinaldocps    10:30 — Arquivado em: Grandes Figuras, comportamento, histórias pessoais, opinião pessoal

1/8/07

Mudar de profissão pode ser uma boa!

Mudar de profissão pode sim ser uma boa. Claro que não é tão simples assim, é importante avaliar antes se a situação é favorável.

Se você já tem mais de 30 anos e trabalha numa boa empresa ou tem uma boa carreira, fazer uma faculdade de algo totalmente diferente achando que vai se formar e ser requisitadíssimo por dezenas de empresas, está muitíssimo enganado. Mas se você está com a vida empacada numa profissão aquem da capacidade que acredita ter e recebe uma proposta de mudança, crie coragem com o relato abaixo.

Em 2005, uma pessoa muito próxima a mim completava 12 anos na mesma empresa. Ele era serralheiro e trabalhava numa pequena oficina que fazia box para banheiro. Esta empresa era familiar, tinha dois donos (irmãos) que sabiam fazer todas as tarefas e tinham neste meu amigo o seu funcionário mais antigo, mais experiente e, por consequência, o seu braço direito.

Porém, era impossível para esta pequena empresa dar alguma espectativa de crescimento ao meu amigo. Ao mesmo tempo este tinha pouca chance de encontrar alguma coisa nova no mercado de trabalho porque trabalhava nesta empresa havia muito tempo e não tinha concluído nem o segundo grau.

Mas um dia meu amigo recebeu uma proposta de trabalho numa outra empresa bem maior, que estava abrindo seu novo escritório na cidade. Porém era uma proposta muito mais desafiante. Primeiro porque tratava-se de uma tarefa administrativa, com computador, internet, pessoas e etc. Segundo porque o salário era a metade do que ele recebia mensalmente na oficina. Mais um detalhe relevante é que esse meu amigo não sabia nem usar um computador. Windows, excel, word, internet eram nomes que ele conhecia somente de ouvir falar.

E o que deu na cabeça de um louco para convidá-lo para uma função administrativa se este não tinha nenhuma característica aparente que o credenciasse a vaga? Resposta: a confiança. Sim, meu amigo era alguém de extrema confiança do diretor desta empresa, também nosso amigo.

Se alguém conclui eque então a amizade falou mais alto, errou! Meu amigo pediu demissão do seu antigo trabalho, começou a trabalhar nesta nova empresa como auxiliar administrativo, aos 28 anos, ganhando menos do que antes. Em pouco tempo dominava o computador e a internet, tratava com os clientes com uma maestria incrível e em cerca de 18 meses atingiu um cargo de gerente administrativo.

Nesse meio tempo concluiu o ensino médio e prestou duas vezes o vestibular para um curso superior. Passou nas duas, mas na primeira ele ainda não estava bem financeiramente e não pode ingressar. Na segunda vez ele até fez a matricula, mas a faculdade cancelou o curso por alguma razão.

Dia desses ele estava chateado por causa do cancelamento do curso e eu disse que tudo tem seu tempo e as conquistas tem que serem medidas e valorizadas, por menores que sejam.

Ao meu amigo desejo que continue nesse ritmo e… até o próximo sim no vestibular, no início do ano.

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