Crônicas Corporativas

Há 22 anos trabalhando, coleciono vitórias e derrotas, experiências positivas e negativas de coisas que tenho orgulho de lembrar e outras que desejaria esquecer. O objetivo deste blog é contar um pouco do que eu aprendi ao longo da minha carreira.

11/4/08

Precisamos ter Acabativa

Precisamos ter Acabativa.

Acabativa: essa palavra seguramente não está no dicionário. Mas foi exatamente isso que falou o Luciano Pires, diretor de uma multinacional da área de autopeças, ontem, durante um evento que eu participei. Ele disse que as pessoas estão muito focadas em terem iniciativas de sucesso, mas pouco tempo depois não tem mais energia para darem seqüência àquilo que iniciaram. E eu voltei pra casa pensando que essa era uma das coisas mais interessantes que eu já havia ouvido.

E hoje pela manhã, na reunião comercial eu fiz o teste. Olhei para a cara de cada membro da minha equipe e me perguntei: qual é o problema desse cara? Ele é um cara bom? Sim… Ele está aqui por pura opção? Sim… Ele deseja crescer? Sim… Ele tem as iniciativas que eu falo para ter? Sim… Então, porque ele ainda não é um CRM? E a resposta foi exatamente o que o Luciano falou ontem: elas não terminam aquilo que começam. Ou, se terminam, não chegam ao fim com a mesma motivação e fé que tinham no projeto. Ao contrário disso, os que crescem são aqueles que não param o trabalho pela metade, nem mesmo quando surgem os tubarões em seus caminhos.

Prova disso é que durante o treinamento muitas pessoas estão na sala com cara de entusiasmadas e falando que essa é a oportunidade que estavam esperando, mas uma semana depois parte deles já desistiu. Justamente porque sonhar é muito fácil. Tornar o sonho uma realidade já é um pouquinho mais trabalhoso. Então as pessoas se planejam para o sucesso, tomam uma iniciativa de sucesso, mas quando tomam o primeiro WO, o bicho pega e boa parte desiste. Aí vem uma semana ruim e caem mais alguns. Depois vem uma reunião de aperto e vai embora mais gente. Ficam somente os insistentes determinados. Todos eles tiveram a iniciativa de atender ao anuncio, permanecer no treinamento, pegar a pasta e, às vezes até ter alguns resultados positivos. Mas nem todos tiveram a "acabativa" de transformar tudo isso em sucesso.

E porque as pessoas não têm a tal da "acabativa"? Porque ter sucesso dói! É isso mesmo, o caminho do sucesso é invariavelmente muito dolorido. Para quem quiser tirar a prova, é só ver a cara do Airton Senna ao completar aquele GP do Brasil em 1989, quando ele venceu a prova somente com a sexta marcha funcionando. Observem a expressão do Bernardinho durante cada jogo da seleção brasileira de vôlei. Lembrem-se das partidas dos torneiros de Rolland Garros que o Guga venceu para ser bi-campeão. Mas o sucesso também traz muita alegria. Podem ter certeza que essas mesmas três pessoas que foram citadas, estavam extasiadamente felizes ao receberem seus troféus. Como isso funciona?
A explicação é que todo mundo precisa dar um pouco de sofrimento para valorizar suas conquistas. O sofrimento de um consultor é o que precede ao sucesso, mas quem desiste no sofrimento não chegará a parte mais interessante, que é quando se recebe o troféu. E as pessoas desistem porque acreditam que estão muito longe do objetivo, mas elas acham isso porque só olham para cima e enxergam longe, porém ninguém olha para baixo para ver o quanto já percorreu. Quando olhamos para o nosso caminho percorrido, geralmente percebemos que superamos muita coisa e nos sentimos vencedores, o que nos dá energia para continuar.

Então, para todos essas pessoas fantásticas e corajosas, que tiveram a iniciativa e desistiram de serem profissionais normais, com empregos normais e resultados normais, que decidiram ser diferente, fica aqui o meu recado: a maioria infinita das pessoas que admiramos em nossa vida são pessoas que fizeram alguma coisa diferente e deram certo. E é por isso que as admiramos. Porém, quando essas pessoas tiveram a iniciativa de fazer algo diferente, o mundo criticou e os chamou de loucos, mas quando tiveram a "acabativa" de transformar o sonho em realidade, o mundo pasmou, os chamou de campeões e destacou suas ousadias.

A partir de hoje, vamos até a Acabativa.

criado por aguinaldocps    13:02 — Arquivado em: comportamento, opinião pessoal

3/4/08

O chefe deve ser exemplo e conviver com todos

Pergunta do Leitor:
Como moro numa cidade pequena, é muito comum as pessoas frequentarem os mesmos lugares,chefes e funcionários e nunca sei como me comportar e que distancia devo manter nessa situação. Por exemplo, uma funcionário mudou se para uma casa nova, vai fazer um churrasco no sábado para todos os colegas. Devo ir? As vezes acho que ela me convidou por educação, que talvez eles não fiquem a vontade, as vezes acho que pode ser antipatico não ir, acho tambem que depois de um churrasco, pode ficar dificil chamar atenção, cobrar alguma coisa á mais… O que voce acha? Socorroooo!

Resposta:
Eu tenho um grande amigo, o Ricardo, que sempre fala sobre esse assunto. Diante de sua pergunta, resolvi que se eu respondesse, eu o faria com as palavras do Ricardo. Então, nada mais justo: pedi que ele escrevesse a resposta. E aí vão as palavras dele:

Prezada amiga:
Sua dúvida é muito mais comum do que você possa imaginar. Muitos profissionais que exercem cargos de chefia têm dificuldades de administrar esse tipo de situação. Até onde devo me aproximar de meus liderados?

Falando especificamente sobre o exemplo que você citou, a primeira coisa que tenho a dizer é: a última coisa que você deve ficar pensando é porque você foi convidada. Independente do motivo, se por educação, ou porque seu funcionário gosta de você, o importante é que você foi convidada, e isso é uma ótima oportunidade de você mostrar apreço pela pessoa que a convidou indo ao churrasco.

O fato de você ir, não diminui e nem aumenta sua autoridade sobre os profissionais que trabalham com você. Não vivemos mais na época do "Nós os Patrões", "Eles os Empregados". Uma empresa é um time, com presidente, conselheiros, técnicos, jogadores, roupeiros, porteiros, faxineiras etc. Todo mundo ganha, todo mundo perde. O que pode aumentar ou diminuir sua autoridade é forma com que você age com seus profissionais e todas as outras pessoas dentro e fora do ambiente de trabalho. O chefe deve se comportar de forma exemplar em qualquer ocasião.

Se você tem vontade de ir, vá, beba com moderação, seja amável, converse com todos. Pode ser que um dia alguém no seu trabalho até tome, veja bem, eu disse tome, uma liberdade que você não deu. Mas isso pode acontecer com qualquer um e por qualquer motivo. Aí sim cabe a você, mostrar até onde vai sua liberdade com ele, e a liberdade dele com você. Se você não tem vontade de ir, não vá. Mas não se esqueça de agradecer o convite e justificar antecipadamente sua ausência.

Abordando o tema de forma mais ampla, antipático será se você recusar todos os convites e se isolar das pessoas de sua cidade com medo de que elas não te respeitem mais. Aí você passará por metida e arrogante, sem ter nenhuma intenção de se comportar desta forma e causar tal impressão.

Sobre ser uma pessoa exemplar, não significa que você não pode ter defeitos ou que você tenha que escondê-los de seus liderados. Vou mais além, acho importante saber mostrar seus pontos fracos e seu esforço por melhorar, como uma forma de exemplo de desenvolvimento pessoal para aqueles que trabalham e vivem com você. Até mesmo, para que eles não cometam os mesmos erros que você, e que além disso, te ajudem, principalmente no trabalho, a superar os desafios que teus pontos fracos fazem com que você não tenha sucesso em algumas situações.

RICARDO HALAOUANI

criado por aguinaldocps    18:04 — Arquivado em: comportamento, opinião pessoal, outros autores
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