Crônicas Corporativas

Há 22 anos trabalhando, coleciono vitórias e derrotas, experiências positivas e negativas de coisas que tenho orgulho de lembrar e outras que desejaria esquecer. O objetivo deste blog é contar um pouco do que eu aprendi ao longo da minha carreira.

22/3/08

Mais um texto do Max Gehringer

Durante minha vida profissional, eu topei com algumas figuras cujo sucesso surpreende muita gente. Figuras sem um Vistoso currículo acadêmico, sem um grande diferencial técnico, sem muito networking ou marketing pessoal. Figuras como o Raul.
Eu conheço o Raul desde os tempos da faculdade. Na época, nós tínhamos um colega de classe, o Pena, que era um gênio.
Na hora de fazer um trabalho em grupo, todos nós queríamos cair no grupo do Pena, porque o Pena fazia tudo sozinho.
Ele escolhia o tema, pesquisava os livros, redigia muito bem e ainda desenhava a capa do trabalho - com tinta nanquim.
Já o Raul nem dava palpite. Ficava ali num canto, dizendo que seu papel no grupo era um só, apoiar o Pena. Qualquer coisa que o Pena precisasse, o Raul já estava providenciando, antes que o Pena concluísse a frase. Deu no que deu.
O Pena se formou em primeiro lugar na nossa turma. E o resto de nós passou meio na carona do Pena - que, além de nos dar uma colher de chá nos trabalhos, ainda permitia que a gente colasse dele nas provas. No dia da formatura, o diretor da escola chamou o Pena de "paradigma do estudante que enobrece esta instituição de ensino". E o Raul ali, na terceira fila, só aplaudindo.
Dez anos depois, o Pena era a estrela da área de planejamento de uma multinacional. Brilhante como sempre, ele fazia admiráveis projeções estratégicas de cinco e dez anos. E quem era o chefe do Pena? O Raul. E como é que o Raul tinha conseguido chegar àquela posição? Ninguém na empresa sabia explicar direito.
O Raul vivia repetindo que tinha subordinados melhores do que ele, e ninguém ali parecia discordar de tal afirmação.
Além disso, o Raul continuava a fazer o que fazia na faculdade: ele apoiava.
Alguém tinha um problema? Era só falar com o Raul que o Raul dava um jeito.
Meu último contato com o Raul foi há um ano. Ele havia sido transferido para Miami, onde fica a sede da empresa.
Quando conversou comigo, o Raul disse que havia ficado surpreso com o convite. Porque, ali na matriz, o mais burrinho já tinha sido astronauta.
E eu perguntei ao Raul qual era a função dele. Pergunta inócua, porque eu já sabia a resposta. O Raul apoiava.
Direcionava daqui, facilitava dali, essas coisas que, na teoria, ninguém precisaria mandar um brasileiro até Miami para fazer.
Foi quando, num evento em São Paulo, eu conheci o Vice-presidente de recursos humanos da empresa do Raul. E ele me contou que o Raul tinha uma habilidade de valor inestimável:… ele entendia de gente.
Entendia tanto que não se preocupava em ficar à sombra dos próprios subordinados para fazer com que eles se sentissem melhor, e fossem mais produtivos.
E, para me explicar o Raul, o vice-presidente citou Samuel Butler, que eu não sei ao certo quem foi, mas que tem uma frase ótima: "Qualquer tolo pode pintar um quadro, mas só um gênio consegue vendê-lo".
Essa era a habilidade aparentemente simples que o Raul tinha, de facilitar as relações entre as pessoas.
Perto do Raul, todo comprador normal se sentia um expert, e todo pintor comum, um gênio."
"Há grandes Homens que fazem com que todos se sintam pequenos. Mas, o verdadeiro Grande Homem é aquele que faz com que todos se sintam Grandes.

Max Gehringer

criado por aguinaldocps    20:48 — Arquivado em: Grandes Figuras, comportamento, mundo moderno, outros autores

7/3/08

“Ser gerente”, por Max Gehringer

“Escreve o ouvinte Moraes: Acabo de ser promovido a gerente, sei que muita coisa vai mudar por causa disto, mas ainda não sei exatamente o que. Por isso pergunto o que é ser gerente.
Caro Moraes, gerentes são profissionais que conseguem resultados através das pessoas. A definição é mais velha que matusalém, mas essa é a grande mudança, você deixa de ser as pessoas e passou a ser alguém que consegue resultados através delas. Então vamos lá!
O que é ser gerente?
Ser gerente é ser exigente, as pessoas acham que dá para deixar tudo para depois. O gerente é o responsável pelo cumprimento dos prazos.
Ser gerente é ser paciente, mesmo sendo inflexível na hora de cobrar. O gerente tem que saber explicar para casa pessoa o que s espera dela e faze-la repetir o que ouviu, para ter certeza que ela entendeu. Gerentes que só dão meia explicação, recebem desculpas inteiras.
Ser gerente é ser competente ele é o modelo técnico das pessoas, se o gerente souber menos que as pessoas, falar mais alto que elas, não vai gerar respeito, vai gerar insatisfação.
Ser gerente é ser producente, ele trabalha mais horas que as pessoas.
Ser gerente é ser vidente, ele deve perceber que algo está errado, mesmo sem ter todos os dados e consertar a situação antes que ela saia do controle.
Ser gerente é ser coerente, se ele fala cada dia uma coisa e vive desdizendo o que disse, só vai ganhar desconfiança.
Ser gerente é ser valente, ele defende as pessoas que trabalham com ele.
Ser gerente é ser decente, ele não pode fomentar, nem ignorar intrigas.
Ser gerente é ser semente, o bom gerente é o que forma futuros gerentes.
Finalmente, ser gerente é ser gente, ele não de imaginar que o seu título de superior hierárquico irá torna-lo melhor que as pessoas que trabalham com ele. O erro mais comum de um gerente recém-promovido é permitir que o cargo lhe suba a cabeça.
Ser gerente é muita coisa que rima, mas ser gerente não é ser onipotente.

Max Gehringer, para CBN.”

criado por aguinaldocps    10:47 — Arquivado em: outros autores

5/3/08

Mas afinal, não era isso que ela queria?

Fabia era funcionária de uma empresa fazia 3 anos. Ela cumpria muito bem suas metas, sendo inclusive, nesse quesito, a melhor de todos no seu departamento. Mas Fabia foi demitida ontem.

A justificativa foi seu temperamento. Ela fazia todas as suas tarefas, mas passava o dia reclamando da vida, enumerando os defeitos da empresa e criando um clima ostil no departamento. Ela era arrogante e prepotente. Ah, também era mandona.

Ontem foi por causa do mouse que quebrou. Ela ficou indignada ao saber que a empresa não tinha lá, guardado, um mouse reserva. Fez um escândalo por causa disso. Para apaziguar a situação, o gerente de TI ofereceu o seu mouse, mas ela não quis. Ela dizia ser um absurdo ter que usar o mouse do outro. "Será que eu vou ter que trazer de casa???"

Ela passou o dia inteiro resmungando, dizendo que estava muito nervosa e não queria nem saber. Se quizessem mandá-la embora, que mandassem. Pois no final da tarde alguém quis. Demitiram-na. Afinal, era isso que ela queria…

E quando todos pensaram que ia ficar tudo bem, eis que entra na sala a Fabia, vindo direto do departamento pessoal. Chegou chorando, aos berros. Se dizia injustiçada. "Como pode? Me demitiram!!! Ninguém quis saber se eu tenho contas para pagar… ninguém lembrou das coisas boas que eu fiz aqui… estou me sentindo humilhada…" Como pode-se perceber, ela estressou.

Mas afinal, não era isso que ela queria? Não, não era! Ela dizia que era isso que queria porque se sentia segura demais em seu cargo, em seu emprego. Ela sempre achou que ninguém iria demiti-la por problemas de relacionamento, pois o seu trabalho estava em dia. Por isso ela desafiava.

O que muita gente não entende é que as tarefas diárias são somente parte do seu trabalho. Mas também há outras coisas que precisam ser analisadas num profissional. No futebol, por exemplo, tem muito craque de bola que nenhum time quer, porque ele joga bem, mas cria um clima tão negativo com suas vaidades que lá ninguém mais joga. Nasses casos, o melhor que o treinador tem a fazer é tirar o craque mal humorado, arrogante e mandão e, no lugar dele, colocar um principiante.

É bem possível que o novato não faça tantos gols quanto o antecessor, mas fará alguns, enquanto que o clima no time melhorará e os outros que não faziam nada, passarão a fazer também. É preferível ter vários profissionais medianos do que ter somente um bom e os outros todos coitados. Na verdade, ninguém é bom o suficiente para ser campeão sozinho. Ninguém consegue levar um time nas costas por muito tempo.

As empresas estão repletas de Fabias. Mas aos poucos os chefes vão percebendo que sem elas, as empresas funcionam melhor. Já as Fábias sempre acham que facilmente encontrarão um emprego melhor, o que pode ser verdade. Mas só por pouco tempo, já que em poucos meses estará insatisfeita novamente.

As Fábias sempre reclamam que suas vidas não vão para a frente. Elas dizem que sempre quando acham que tudo está indo bem, alguma coisa acontece de ruim para estragar. O que elas não sabem é que a explicação disso está na "lei da ação e reação", que diz que tudo que vai, volta… e na mesma intensidade.

Se o problema está em você, não adianta mudar de empresa, pois você leva você junto contigo para lá. Isso me faz lembrar de uma frase do russo Leon Tolstoy que dizia que "o homem passa a vida inteira tentando mudar o mundo e se negando a mudar a si próprio".

criado por aguinaldocps    21:50 — Arquivado em: comportamento, histórias pessoais, opinião pessoal

4/3/08

Eu machuquei o Seu Vizinho da direita

E foi isso mesmo que aconteceu. O fato ocorreu no sábado pela manhã, quando eu jogava futebol na Academia Clube da Bola, em Campinas. Como alguns sabem, eu sou goleiro (dos bons).

Jogo num time formado por uma garotada mais jovem. Eles são quase todos funcionários de uma empresa que distribui parafusos. Trabalham de segunda a sexta-feira e no sábado se reúnem para o “Grande Clássico Semanal”.

E foi um prazer quando eu fui convidado a participar. Na época eu estava sem praticar esportes, apenas me mantendo fazendo exercícios na academia, coisa que eu, sinceramente, não gosto. Quando o Roberto me convidou para jogar, mudei completamente minha agenda e me adaptei ao horário deles, sábado pela manhã.

E tive a oportunidade de conhecer uma galera jóia. Todos são muito animados, motivados e ao participar percebi que isso ajuda inclusive no próprio trabalho deles. Onde há gente motivada, há também produtividade e nada melhor do que um jogo de futebol para manter o clima de amizade e competição em equilíbrio.

Na década passada, trabalhei durante dois anos em São Paulo. Naquela época nós jogavamos semanalmente, numa quadra no Brooklin, cujo proprietário era o Rivelino. Na época a empresa se reunia na terça às 22h para jogar até às 23:30h. Eram pessoas de todos os departamentos, do diretor aos motoboys. Lá nós nos livravamos da tensão da semana anterior e carregavamos as baterias para a semana seguinte.

Então isso fica como sugestão às empresas que quiserem criar um mecanismo de equilíbrio aos funcionários, visando diminuir o stress causado pelo trabalho. Não precisa se prender ao futebol, existem outras alternativas, mas desse exemplo podem surgir outras ideias.

Mas voltando ao fato, no último sábado estava eu, lá, debaixo das traves, quando já no finalzinho do tempo regulamentar alguém, que eu não vi quem foi, chutou uma bola em direção ao gol. É claro que não foi gol, pois eu estava lá. Mas ao defender, percebi uma forte dor no meu dedo anelar da mão direita. Tirei a luva, vi que o dedo ficou roxo e pedi para ser substituído. Ao analisar melhor a contusão, percebi que ela foi idêntica a uma outra que tive há uns 4 anos também no anelar, mas da mão esquerda. Demorou uns 10 dias para sarar e sarou.

Quando eu era criança, minha mãe ensinou-me o nome dos dedos e seus apelidos. Os nomes, todos sabem, mas dos apelidos, creio que vale lembrar. Ela dizia que eram “mindinho, seu vizinho, pai de todos, fura bolo e mata piolho. Eu machuquei o “Seu Vizinho”… da mão direita.

criado por aguinaldocps    15:04 — Arquivado em: comportamento, curiosidades, histórias pessoais, mundo moderno, opinião pessoal
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