Crônicas Corporativas

Há 22 anos trabalhando, coleciono vitórias e derrotas, experiências positivas e negativas de coisas que tenho orgulho de lembrar e outras que desejaria esquecer. O objetivo deste blog é contar um pouco do que eu aprendi ao longo da minha carreira.

30/1/08

Trafegando pelo Acostamento

Dia desses eu estava na Marginal Pinheiros, em São Paulo, trafegando pela última faixa do lado direito, próximo ao “cebolão”. O trânsito não estava completamente parado, mas lento. O fato é que o velocímetro devia estar marcando uns 30 Km por hora, no máximo. Até aí, nada de novo, todos muito pacientes.

Eis que lá de trás aparece um Honda Fit em maior velocidade vindo pelo acostamento e ultrapassando todo mundo. Logo que isso aconteceu, o motorista do Vectra que estava atrás de mim fez o mesmo e o seguiu. A partir daí, em poucos segundos, muitos eram os carros andando pelo acostamento, o que fez com que o mesmo se tornasse uma nova pista de rodagem, a não mais que 30 Km por hora.

Este simples ocorrido, coisa que deve acontecer todos os dias em diversos pontos de muitas grandes cidades, nos faz aprender uma série de coisas:

A primeira é que aquele primeiro motorista de cortou o trânsito valendo-se de uma arbitrariedade deve se achar mais importante do que todos os outros 19.999.999 habitantes da Grande São Paulo. Ele provavelmente se acha mais esperto, mais inteligente, mais tudo. Afinal, ele acredita que o mundo é dos espertos e vê como algo elogiável a sua grande habilidade de fazer o que ninguém havia feito até aquele momento. Provavelmente esse motorista seja um daqueles sonegadores de impostos, que faz com que o Brasil se torne um país caro.

Quando um motorista corta os outros por um atalho ou pelo acostamento ele está utilizando-se de um recurso desonesto para levar vantagem. Com isso ele complicará o transito lá na frente, quando inevitavelmente terá que voltar para a pista, fazendo com que o honesto tenha que esperar ainda mais. O mesmo acontece quando alguém sonega imposto. Quem não sonega fica tão prejudicado que não consegue se colocar no mercado de maneira competitiva.

A segunda análise é que o motorista do Vectra, que estava tranqüilo atrás de mim, fez o que muito brasileiro faz: foi no embalo do outro. Provavelmente ele teve um segundo de indignação ao ver que foi ultrapassado desonestamente pelo outro, sendo assim, usou da mesma malandragem para “equilibrar o jogo”. É o caso de muitas pessoas, que quando são flagradas em algum ato incorreto, justificam-se dizendo que “embora proibido, todo mundo faz isso!”

E finalmente percebemos também que aquilo que todo mundo faz, embora errado, passa a ser normal. O que há de mais normal em um congestionamento é o fato dos motoristas usarem o acostamento para trafegar, ainda que seja para ganhar alguns poucos metros. Poucos imaginam que quanto mais as pessoas pensem em levar vantagem em cima das outras, menos elas vão dormir tranqüilas.

Quanto mais um homem for desonesto, mais outros homens também serão e mais ainda outros precisarão ser para se destacarem. Acontece que um dia o universo se defende e o desonesto então paga o preço. Um dos muitos congestionamentos que eu peguei em minha vida de motorista, ficou marcado pelo fato de a ambulância de resgate não conseguir passar com rapidez pelo trânsito devido ao fato de o acostamento estar totalmente ocupado por motoristas espertos que se achavam mais importantes que os outros e resolveram trafegar por lá, além de mais alguns motoristas indignados que resolveram fazer o mesmo ao se sentirem lesados ao ver que estavam sendo ultrapassados pelos outros.

criado por aguinaldocps    12:31 — Arquivado em: MELHORES ARTIGOS, comportamento, histórias pessoais, mundo moderno, opinião pessoal, política

21/1/08

Contradições

Definitivamente, o Brasil não é um país sério. E assim como qualquer coisa que não é séria, não vai para frente. Uma empresa mal administrada vai falir. Um clube mal administrado vai para a segunda divisão. Um país mal administrado coleciona seus miseráveis.

Não sou desses que adoram falar mal do Brasil. Muito pelo contrário, eu até reclamo com quem o faz. Mas hoje quero manifestar minha opinião comparando um país com aquilo que eu tenho experiência, que é uma empresa.

Uma empresa não pode gastar mais do que arrecada, tem que produzir, tem que inovar, tem que dar condições de trabalho aos seus funcionários e ter boa relação com as outras empresas, pois elas podem tornar-se parceiras comerciais. O país também precisa dar boas condições de vida ao seu povo e este, por sua vez, deve produzir para sustentar o país.

Acontece que o brasileiro vive em meio a muitas contradições. A mesma pessoa que reclama da cidade suja é a que joga uma lata de refrigerante pela janela do ônibus. O mesmo cidadão que reclamou da falta de liberdade nos anos 70, hoje reclama de ter que ir votar. A mesma senhora que se lamenta por não ter emprego, quando consegue um, reclama por ter que acordar cedo.

Ao andar pelas ruas, antes que você mude de calçada, encontrará um ônibus ou caminhão soltando fumaça preta. A contradição está no fato de fazermos anualmente o licenciamento dos nossos veículos sem que estes passem por uma inspeção. Ou seja, o licenciamento é apenas mais um imposto.

Outra contradição está ligada às drogas. Eu creio que usuário de droga deveria ser preso, assim como o traficante. Se não houvesse usuários, não haveria traficante. Isso acontece em relação ao receptador de materiais roubados, que é criminoso tanto quanto o ladrão. Então por que o “receptador” de drogas é considerado vítima?

O brasileiro, infelizmente, está habituado a se atrasar. Marca uma reunião às 9 horas e, quando tudo dá certo chega às 9 horas. Deveria chegar antes, se acomodar na sala, enfim para que às 9 horas em ponto a reunião pudesse começar. Mas não é isso que acontece. Ele usa toda a margem de erro que puder, como se uma vantagem isso fosse.

Mudar os hábitos é algo difícil, mas na minha opinião é o único caminho possível em direção a modernidade e eficiência.

criado por aguinaldocps    9:33 — Arquivado em: Sem categoria

Não fui eu quem comeu a maçã…

Faz alguns dias, nos reunimos entre os amigos para comemorar o final do ano. Fazemos isso em todos os meses de dezembro, sempre por volta do dia 20. Chamamos ironicamente de “encerramento do calendário”. Nesse último, escolhemos um bar em Jundiaí.

A parte do encontro que vale a pena contar aqui aconteceu quando pedimos a conta. Um dos meus amigos detectou um erro grosseiro no valor e reclamou. Porém, como já era tarde, o garçom que havia nos atendido por boa parte do período já havia ido embora, deixando nossa mesa a cargo do colega.

Ao argumentar, o segundo garçom alegava que nada poderia fazer, pois nossa mesa havia sido atendida por outra pessoa e o erro não era de responsabilidade dele. Ao mesmo tempo, meu pessoal dizia que não havia consumido aquele prato de nome esquisito e preço alto.

Foi então que o profissional sugeriu uma solução: “Paguem o valor da conta completa e amanhã um de vocês volta aqui e reclama com o colega que os atendeu!”

O que ele quis dizer é que não havia sido dele a confusão, portanto não era ele quem deveria solucionar. Obviamente, a reação da nossa mesa foi negativa e não aceitou a proposta, afinal o garçom que nos atendeu representava o restaurante e não a pessoa dele. Esse garçom que completou o atendimento também representa o mesmo restaurante. Portanto, quando eu peço uma porção de batatas fritas, quem me vende isso é o restaurante e não o garçom.

Quanto ao argumento de que não era culpa dele, uma das amigas tratou de responder de maneira fantástica e com base bíblica. Ela soltou sonoramente a frase “também não fui eu quem comeu a maçã, mas pago pelos pecados de Adão e Eva até hoje”.

Enfim, quando estiver atendendo um cliente, lembre-se: Tudo aquilo que ele combinar com você, estará na verdade combinando com a empresa e tudo aquilo que ele combinou com a empresa, estará combinado com você também.

criado por aguinaldocps    9:24 — Arquivado em: Sem categoria

Procure aproveitar as oportunidades

Neste dezembro tive a oportunidade de fazer um Cruzeiro. Viajei no Grand Mistral, um navio de bandeira italiana, com bares espanhóis e uma tripulação que mais parece uma torre de babel. Lá dentro há pessoas de quase todos os cantos do mundo.

A maioria dos garçons era hispânica. Vindos de Honduras, Colômbia e Peru, principalmente. Mas havia também alguns asiáticos e europeus do leste. Eram todos muito atenciosos e entendiam perfeitamente o português, embora respondessem em espanhol.

Mas uma situação me chamou a atenção: Num final de tarde eu estava sentado no Cafe Gijon, conversando com a Paula e, na mesa ao lado, um outro passageiro conversava com um dos garçons. Eu pude ouvir perfeitamente o trecho da conversa, onde o homem perguntava sobre a seqüência de temporada do navio depois de servir a costa brasileira. Ao saber que esta mesma tripulação trabalharia dali há alguns meses pelo Mediterrâneo, ele previu que aquele garçom teria dificuldades para se comunicar lá na Europa. Eis que a resposta do funcionário foi curta e grossa: “Além de minha língua, falo italiano, inglês e estou fazendo aulas de português”.

A cara de bobo que o hóspede (que provavelmente não fala nenhum outro idioma) exibiu não vem ao caso narrar aqui, pormenorizadamente. O fato que desejo frisar é que uma pessoa culta, como aquele garçom, vê como um grande negócio trabalhar por alguns meses servindo cafés, visando evoluir profissionalmente.

Aqui no Brasil, em terra, podemos ver muitas pessoas formadas, que preferem ficar desempregadas a aceitarem um trabalho cujo currículo pedido é inferior ao que este apresenta. Se o currículo de uma pessoa é bom, ela tem duas opções: buscar um emprego numa vaga concorrida, onde terá que disputar espaço com outros iguais ou aproveitar as oportunidades que tem de se destacar, preparado que é, num trabalho que o exige menos.

Ao desempregado, o que deve realmente interessar é entrar no mercado de trabalho. Na maioria das vezes, as oportunidades vêm disfarçadas de vagas menos chamativas. Já dizia meu avô: "Enquanto todos procuravam ouro com as próprias unhas, o célebre procurava as ferramentas para poder extraí-lo".

criado por aguinaldocps    9:23 — Arquivado em: Sem categoria

9/1/08

Eutanásia pelo texto de Ruben Alves

Como um instrumento musical, a vida só vale a pena ser vivida enquanto o corpo for capaz de produzir música
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SEMPRE QUE SE FALA EM EUTANÁSIA ,os seus opositores invocam razões éticas e teológicas. Dizem que a vida é dada por Deus e que, portanto, somente Deus tem o direito de tirá-la. Eutanásia é matar uma pessoa e há um mandamento que proíbe isso. Assim, em nome de princípios universais, permite-se que uma pessoa morra em meio ao maior sofrimento.
Pois eu afirmo: sou a favor da eutanásia por motivos éticos. Albert Camus, numa frase bem curta, disse que, se ele fosse escrever um livro sobre ética, 99 páginas estariam em branco e na última página estaria escrito "amor". Todos os princípios éticos que possam ser inventados por teólogos e filósofos caem por terra diante dessa pequena palavra: "amar". Deus é amor.
O amor, segundo os textos sagrados, é fazer aos outros aquilo que desejaríamos que fosse feito conosco, numa situação semelhante. Amo os cães e já tive dezenas. Muitos deles eu mesmo levei ao veterinário para que lhes fosse dado o alívio para o seu sofrimento. Fiz isso porque os amava, eram meus amigos, queria o bem deles. E eu gostaria que fizessem o mesmo comigo, se estivesse na situação de sofrimento deles.
Defender a vida a todo custo! De acordo. É a filosofia de Albert Schweitzer e a filosofia de Mahatma Gandhi: reverência pela vida. Tudo o que vive é sagrado e deve ser protegido. Mas, o que é a vida? Um materialismo científico grosseiro define a vida em função de batidas cardíacas e ondas cerebrais. Mas será isso que é vida? Ouço os bem-te-vis cantando: eles estão louvando a beleza da vida. Vejo as crianças brincando: elas estão gozando as alegrias da vida. Vejo os namorados se beijando: eles estão experimentando os prazeres da vida. Que tudo se faça para que a vida se exprima na exuberância da sua felicidade! Para isso, todos os esforços devem ser feitos.
Mas eu pergunto: a vida não será como a música? Uma música sem fim seria insuportável. Toda música quer morrer. A morte é parte da beleza da música. A manga pendente num galho: tão linda, tão vermelha. Mas o tempo chega quando ela quer morrer. A criança brinca o dia inteiro. Chegada a noite, ela está cansada. Ela quer dormir. Que crueldade seria impedir que a criança dormisse quando o seu corpo quer dormir.
A vida não pode ser medida por batidas e coração ou ondas elétricas. Como um instrumento musical, a vida só vale a pena ser vivida enquanto o corpo for capaz de produzir música, ainda que seja a de um simples sorriso. Admitamos, para efeito de argumentação, que a vida é dada por Deus e que somente Deus tem o direito de tirá-la. Qualquer intervenção mecânica ou química que tenha por objetivo fazer com que a vida dê o seu acorde final seria pecado, assassinato.
Vamos levar o argumento à suas últimas conseqüências: se Deus é o senhor da vida e também o senhor da morte, qualquer coisa que se faça para impedir a morte, que aconteceria inevitavelmente, se o corpo fosse entregue à vontade de Deus, sem os artifícios humanos para prolongá-la, seriam também uma transgressão da vontade divina. Tirar a vida artificialmente seria tão pecaminoso quanto impedir a morte artificialmente, porque se trata de intromissões dos homens na ordem natural das coisas determinada por Deus.
A vida, esgotada a alegria, deseja morrer. O que eu desejo para mim é que as pessoas que me amam me amem do jeito como eu amo os meus cachorros.

criado por aguinaldocps    16:11 — Arquivado em: Sem categoria

7/1/08

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criado por aguinaldocps    17:13 — Arquivado em: Sem categoria
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