Crônicas Corporativas

Há 22 anos trabalhando, coleciono vitórias e derrotas, experiências positivas e negativas de coisas que tenho orgulho de lembrar e outras que desejaria esquecer. O objetivo deste blog é contar um pouco do que eu aprendi ao longo da minha carreira.

29/6/07

Contradições do Mercado de trabalho

Quem é leitor assíduo deste blog deve ter percebido que estou meio revoltado com o sistema de contratação que existe hoje no mercado. Mas não é só com isso, estou também preocupado com a forma de pensar do desempregado.

Nesta segunda-feira eu iniciei um processo seletivo em Jundiaí para contratar gente para a área comercial. Coloquei um anuncio no jornal onde pedi pessoas com algumas características, porém sem exigir experiência. Recebi cerca de 120 curriculuns e selecionei alguns.

Mas antes de falar sobre o resultado da seleção, quero expor uma estatística que eu consegui concluir com uma pergunta que passei a fazer na entrevista e outra que eu já fazia antes:

1 - SE VOCÊ PUDESSE ESCOLHER, QUAL O EMPREGO QUE VOCÊ GOSTARIA DE CONSEGUIR AMANHÃ? (A resposta deve levar em consideração a realidade atual do candidato, não adiantando ele me dizer que quer ser médico, pois teria que estudar e se formar antes).

2 - QUAL É A PROFISSÃO QUE VOCÊ GOSTARIA DE SEGUIR CARREIRA? (Aí vale ele falar o que quiser, mesmo que seja uma profissão cujo o custo da faculdade seja para ele impossível).

E com as respostas elegemos as profissões que jovens desempregados buscam. Dividi em duas categorias: a resposta para a primeira pergunta e para a segunda. Segue abaixo as respostas mais citadas:

EMPREGO AMANHÃ

-Recepcionista (Ah, gostaria de trabalhar na recepção, secretária, alguma coisa assim).

-Administração (Ah, alguma coisa administrativa, no escritório…)

SEGUIR CARREIRA

-Informática

-Publicidade ou algo ligado a comunicação

-Comércio Exterior ou Logística

Também detectamos a profissão ou carreira que mais amedronta o jovem:

-Vendas (Ah, qualquer coisa, menos vendas, porque eu acho que não levo jeito).

Conclusão:

As pessoas querem um emprego tranquilo, que trabalhe sem "ralação", que ganhe o suficiente para suas coisinhas.

Querem uma carreira promissora, com trabalho moderno, que tenha glamour, que ganhe bem.

Não querem ter que convencer, que correr de um lado para o outro, não querem que seu salário dependa de resultados. Fogem de comissões.

Vamos fazer então uma análise:

- Recepcionista: É uma tarefa árdua. Quem pensa que ser recepcionista é simplesmente atender ao telefone e dizer bom dia para as pessoas, se engana. Na verdade a maioria das empresas usa a recepcionista para uma série de tarefas, como controlar agendas, planejamento e localização da equipe, organização de tarefas e etc. É ela quem recebe todo tipo de reclamação do cliente, absorve as broncas e às vezes pira completamente, já não sabendo mais o que tem que fazer. Geralmente numa empresa, a recepcionista é o menor salário e o maior volume de trabalho.

- Administrativo: As pessoas querem trabalhar na administração porque tem a sensação que quem administra não trabalha. Algo do tipo "o meu patrão não trabalha, ele só administra". E é por isso que as pessoas pensam que administrar é só ficar olhando os outros trabalharem e ver se tudo está andando bem. Mas quando ele vai para a prática, percebe que entre seus afazeres tem a burocracia da contabilidade; a dificuldade dos controles de estoque e distribuição; que o relatório financeiro tem que bater, caso contrário ele precisa ficar até achar a diferença (ou por do bolso); tem o desafio da cobrança. Então ele percebe que não quis trabalhar com vendas porque o cliente pode ser chato, mas agora vai ter que trabalhar com cobrança, onde ele encontra gente bem mais chata e descontente.

- Informática: Essa é a profissão que veio para libertar o tímido. Ele era reprimido, tinha dificuldades de se expressar, de falar em público, de expor uma ideia. Agora veio a internet, que o permite ficar no MSN durante o dia inteiro. Agora ele entra em chats e blogs e pode expor suas maravilhosas ideias. Mas ele se esquece que para poder ter sucesso, precisa vender o seu produto ou serviço. Além disso, canso de ouvir do pessoal de TI que não têm hora para chegar em casa. E é isso mesmo, tem que trabalhar até resolver o problema.

- Publicidade ou Comunicação: As pessoas acham que ser publicitário é ter ideias e criar campanhas. Elas pensam que vão ficar o dia todo se inspirando para a próxima campanha de cervejas. Acontece que esta é a realidade de pouquissimos profissionais. A enorme maioria faz outras coisas bem mais chatas, como pesquisas de rua, coleta de dados, e até mesmo vendas (que é a profissão da qual os jovens fogem).

- Comércio Exterior: Um dia desses a minha esposa entrevistou uma jovem para trabalhar na exportação e perguntou porque ela gostaria de trabalhar na área. A resposta foi que gostava muito de falar inglês e viajar, por isso havia escolhido o COMEX. Pois bem, a área de comércio Exterior nada tem a ver com viagens ou mesmo ficar conversando em inglês com todos os países do mundo. Na verdade é uma área extremamente burocrática, cheia de leis, normas, práticas definidas, onde o profissional passa o dia todo preenchendo o mesmo tipo de guias para vários produtos que ele nunca viu ao vivo. Na verdade quem viaja o mundo é o profissional de VENDAS, que vai expor seu produto em feiras. Mas esse o jovem não quer ser.

Então não estou dizendo que essas profissões não são boas, mas sim que elas tem dificuldades, como todas as outras tem. E eu já cansei de contratar recepcionistas, auxiliares de administração, técnicos em marketing e etc, que quando viram que teriam mesmo que pegar no pesado, resolveram continuar procurando emprego.

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Em tempo: A profissão mais bem remunerada do mercado, em média, é VENDAS. E 90% as pessoas que a gente admira financeiramente ganham por salários não fixos.

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SUGESTÃO: Emprego não se escolhe muito não. É uma questão de oportunidades. Você pode ser feliz sendo garçon ou jardineiro. Ontem fui a uma pizzaria e a jovem garçonete, muito bem apresentada, tinha um sorriso que por um momento me fez pensar que era a dona do restaurante. Ela deve ser mais feliz que muitos glamourosos publicitários. Quem escolhe muito, fica igual ao carneirinho da cronica no link abaixo: http://aguinaldocps.blog.terra.com.br/o_carneirinho_e_suas_mulheres

28/6/07

Concurso de Curriculum

Eu conduzo processos seletivos há muito tempo. Comecei a aprender lá em 1994, ainda na outra empresa. E cada dia mais as pessoas se preparam para se comportarem da maneira "certa", mesmo que a maneira certa não corresponda depois a realidade.

Hoje uma garota me disse que o endereço que ela mora não é o que está no Curriculum. Na verdade ela mora numa cidade aqui da região metropolitana, mas colocou no curriculum o endereço da Avó, que mora aqui na cidade, como se fosse o dela, porque assim acredita que tem mais chances de ser contratada.

Então vejam só, meus amigos, que agora o candidato bom é aquele que elabora o bom curriculum, independentemente de ele ser mesmo o que ele próprio escreveu lá.

Então a seleção de pessoal, passou a ser uma competição de habilidades gráficas, quem tem o CV mais bonito, mais enfeitado. E também uma competição do tipo "o céu é o limite", onde ganha quem responde a resposta certa. Só faltam colocar um botão igual ao do video show, para que só tenha direito a resposta o candidato que apertar o botão primeiro.

criado por aguinaldocps    12:07 — Arquivado em: Série - PROCURANDO EMPREGO, comportamento, curiosidades, mundo moderno, opinião pessoal

27/6/07

Candidatos mecanizados pelo mercado

De um tempo pra cá muitos são os meios que um candidato (que procura emprego) tem para se preparar para a entrevista perfeita. Ele lê alguns artigos (inclusive nesse site), repete as dicas que teve e, na maioria das vezes se sai bem. Mas uma coisa que site nenhum, que especialista nenhum pode ensinar é o que realmente procuramos observar num candidato: a sua autenticidade.

Depois de assistirmos "O Aprendiz" e vermos o estilo de entrevista do Roberto Justus (aquele jogo de pegadinhas, medindo o candidato e esperando que ele fale alguma coisa errada para que possa interrompê-lo e provar que é melhor que o candidato), notamos que as pessoas se preparam para mentir. Elas não se preparam para serem autênticas, mas sim para serem aquilo que o entrevistador quer.

Particularmente, quando eu atendo uma pessoa, eu prefiro que ela fale o que está pensando e não "a resposta certa". Hoje, fazendo mais uma das minhas seleções, percebi que 90% dos candidatos são mascarados, que usam os mesmos termos, os mesmos costumes. Estão todos preparados para me dizerem "os seus maiores defeitos e suas maiores virtudes" (eu não pergunto isso), mas tem dificuldade de me responder coisinhas simples, como a profissão dos pais.

Para algumas áreas, eu prefiro selecionar gente que não esteja estudando, pois posso precisar deles em período integral. Pego então o curriculum do candidato, observo que este não está cursando nada e, por questão de hábito, pergunto se ele estuda. A resposta vem sempre igual: "Não estou, mas vou voltar agora no próximo semestre. Ele responde isso porque aprendeu que o mercado quer quem esteja "sempre evoluindo". O caso é que eu não queria quem está com as noites tomadas e se ele respondesse a verdade, sem querer enfeitar, teria mais chances. Os candidatos estão cada vez mais mecanizados pelo mercado.

Hoje, o entrevistador tem que ter duas habilidades: a primeira é observar o perfil que o candidato apresenta e a segunda é observar o seu perfil verdadeiro. Já reprovei gente que falou muito bem e respondeu tudo certinho, assim como também já aprovei quem foi mal, mas me passou que tinha potencial escondido.

Quando fazemos uma seleção para emprego, queremos um candidato que nos passe confiança. E confiança nós só vamos sentir se este falar a verdade.

criado por aguinaldocps    15:00 — Arquivado em: comportamento, mundo moderno

25/6/07

O Carneirinho e suas mulheres

Esta crônica a seguir é de autoria de Mario Prata.  Eu resolvi postá-la aqui para dizer que uma pessoa muito perfeccionista geralmente se dá mal no final. Isso acontece porque ninguém é perfeito, o que torna o perfeccionista um grande candidato a se frustrar. Como dizia Nizan Guanaes, num outro artigo, "Faça, erre, tente, falhe, lute. Mas, por favor, não jogue fora, se acomodando, a extraordinária oportunidade de ter vivido".

O Carneirinho era loirinho, cabelo encaracolado. Daí, o apelido. Quando éramos jovens, ele era o mais bonito, o mais simpático, o mais bem vestido. Namorava todas as meninas da cidade. Todas as meninas adoravam o Carneirinho. Mas ele nunca se casou.
Depois, formou-se em medicina, veio para São Paulo, montou uma clínica maravilhosa. E continuou a conquistar todas as mulheres de São Paulo. E do mundo.
Via pouco, o velho amigo. Mas cada vez ele estava com uma mulher diferente. Maravilhosas. Aviões, como ele gostava de dizer. Mas nunca se casou, embora eu tenha ficado sabendo de dois ou três esparsos noivados nos últimos trinta anos.
Na semana passada, encontrei-me com ele na Mercearia São Pedro. Continua um tipo bonito, mas cachinhos loiros já não há mais. O pouco que lhe restou já está branco. Mas continua o mesmo: bonito, elegante, rico e, como sempre, muito bem acompanhado.
Começamos a beber e o Carneirinho, que sempre foi fraco com o álcool, desandou a me explicar porque não ficava muito tempo com a mesma mulher, por melhores que fossem.
- Acho que eu fico procurando a mulher perfeita. Sei que não tem, mas insisto. Em cada uma, depois de um tempo, eu começo a encontrar defeitos. Defeitos físicos, pequenos, mas que, com o passar do tempo, aquilo vai crescendo na minha cabeça. Por exemplo, lembra da Lurdica? Tinha joanete. Aquele joanete foi crescendo na minha cabeça. Um dia cheguei à conclusão que não podia conviver mais com um joanete.
- E a Celinha?
- Falava menas. Eis a questã.
- A Glória?
- Como é que eu podia continuar beijando aquele avião, com aquele canino superior direito? Saltado. Ninguém observava, mas eu sabia. A Bia tinha muito pêlo no braço, lembra? Parecia o bigode da Cidoca. Lembra da Paulinha? Tinha um dos bicos do seio para dentro. A Loló você devia saber do mau hálito dela. Vinha lá do estômago, do útero, sei lá.
- E a Candinha?
- Roia unha. Até do pé. A Selminha tinha a testa muito avançada, lembrava a minha mãe. Lembra da Rose? Quando ria, dava murrinhos na mesa: não podia conviver com aquilo. A Claudete, a gente chegou até a ficar noivo, mas um dia, num almoço de família, toda a minha família e a dela, eu pedi o pão, ela passou, eu pequei o pão e ficou aquele indefectível farelo na mão dela. Aquele farelo foi definitivo, você há de concordar comigo…
- E a Joana? Você ficou noivo da Joana também.
- A Joaninha era legal, mas tinha orelhas enormes. Nunca reparou? Eu tinha a impressão que cada dia estavam maiores. A Maria C. não tinha orgasmo. Fiz de tudo. A Aninha, quando tinha orgasmo, virava os olhos para cima: parecia que estava tendo um ataque epilético.
- E a Carmen Lúcia? Aquela não tinha nenhum defeito.
- Como não? Não sabia quem era a Sarita Montiel e muito menos o Hemingway. E velho e o mar, ela achava que era o avô dela. A Carlota também, nunca tinha lido um livro. Aliás, tinha lido o Caminho Suave.
- Mas todo mundo achava que você ia se casar com a Ledinha.
- Era linda, mas o cabelo meio pixaim. Meus pais não iriam gostar. A Léia, por exemplo, tinha dois dedos do pé meio grudados. Morria de vergonha dela, na praia. A Gegê tinha o lábio inferior meio viradinho, lembra? Boca pequena. E por falar em boca, a Lucinha beijava de boca fechada, pode? Ao contrário da Dequinha que me mordia a língua toda vez.
- E aquela fazendeira de Ribeirão Preto?
- Marina? Peito caído. Já a Ciça tinha o joelho caído. Já viu mulher de joelho caído? A Marcinha era perfeita, mas a mãe dela rezava terço todo dia. E ela morava com a mãe. Parecia a casa do Nelson Rodrigues.
- E aquela francesa que eu te vi uma vez na…
- Michele. Você não viu os pés dela, né? Então não fala nada. Fora isso, tinha aquele narizinho rebitado, lembra? De onde saiam chumaços de pelos. E não era muito chegada a uma Sabesp. Toda mulher tem seu defeito, meu amigo. Mais dias, menos dias, você tem que enfrentar o inimigo. A Letícia não falava inglês. Levei-a para a Europa e passei vergonha.
- Então você nunca vai achar uma mulher perfeita, Carneirinho.
- Um dia eu acho, um dia eu acho.
Ia me esquecendo de dizer que neste encontro com ele na Mercearia, ele estava com um garoto, com pouco mais de vinte anos, loiro, cabelos encaracolados, elegante, educado e tatuado, que ele me apresentou como "primo".
Sei não, Carneirinho, sei não.

criado por aguinaldocps    14:30 — Arquivado em: comportamento, opinião pessoal, outros autores

23/6/07

Envelheço na cidade

Hoje é meu aniversário.

Eu não ficaria confortável escrevendo sobre esse têma, mas também não poderia deixar passar em branco essa data.

Me lembrei de uma música que marcou minha adolescencia e que ainda hoje faz parte da minha vida:

………….

Ira! - Envelheço Na Cidade 

Mais um ano que se passa, mais um ano sem você
Já não tenho a mesma idade, envelheço na cidade
Essa vida é jogo rápido para mim ou prá você
Mais um ano que se passa e eu não sei o que fazer!

Juventude se abraça, se une pra esquecer
Um feliz aniversário para mim ou prá você…
Feliz aniversário - envelheço na cidade
Feliz aniversário - envelheço na cidade
Feliz aniversário - envelheço na cidade
Feliz aniversário

Meus amigos minha rua, as garotas da minha rua,
Não os sinto, não os tenho… mais um ano sem você!
As garotas desfilando, os rapazes a beber
Já não tenho a mesma idade, não pertenço a ninguém

Juventude se abraça, se une pra esquecer
Um feliz aniversário para mim ou prá você…
Feliz aniversário - envelheço na cidade
Feliz aniversário - envelheço na cidade
Feliz aniversário - envelheço na cidade

*observem o post sobre o ato de envelhecer: http://aguinaldocps.blog.terra.com.br/ficar_velho_e_uma_vitoria_muitos_nao_con

criado por aguinaldocps    11:04 — Arquivado em: comportamento, curiosidades

22/6/07

Amizade Masculina

Num posta antigo eu brinquei com as diferenças entre os sexos, aproveitando uma piada que recebi pela internet. Eu falava a respeito do comportamento e fidelidade entre dois amigos e o mesmo entre duas amigas. http://aguinaldocps.blog.terra.com.br/amizades_masculinas_e_femininas#comments

Numa outra cronica escrevi sobre o que significam determinadas frases se elas são ditas por homens ou por mulheres. http://aguinaldocps.blog.terra.com.br/o_que_elas_dizem_e_o_que_elas_querem_diz#comments

Mas hoje quero falar sobre a fidelidade da amizade entre homens e entre mulheres. Jonh Gray (que escreveu "homens são de marte, mulheres são de vênus) e o casal Alan e Barbara Pease (autores de "porque os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor") certamente se divertiriam com esta piada. Segue o texto abaixo:

A esposa passou a noite fora de casa. Na manhã seguinte, explicou ao marido que havia dormido na casa da melhor amiga.

O marido então telefonou para dez das suas melhores amigas. Nenhuma delas confirmou a versão.

O marido, então, passou a noite fora de casa dizendo que ia dormir na casa do melhor amigo. A esposa, daí, ligou para dez dos melhores amigos do marido. Sete deles confirmaram a versão, os três restantes além de garantirem que ele ainda estava lá dormindo, preferiram não acordá-lo.

criado por aguinaldocps    13:48 — Arquivado em: Homens X Mulheres, comportamento, curiosidades, outros autores

21/6/07

A Teoria do Dez: equipe rumo ao sucesso

Antes de mais nada, quero me situar. Meu nome é Luiz Belatto, amigo do blogueiro que ocupa este espaço. Certa noite recente, ao falar sobre um processo seletivo de que participei, ele me pediu que fizesse um texto contando a minha apresentação.

Trabalho atualmente em uma indústria farmacêutica nacional – Biolab/União Química. Estou lá há menos de um mês. No processo seletivo, três entrevistas e a apresentação de um projeto de comunicação para dois gerentes e os demais concorrentes à vaga. Ao final, um dos gerentes relembra a Teoria da Competição das Espécies, de Charles Darwin, e fulmina:

- Luiz Fernando, começamos com você. Quais são as características que você me venderia para trabalhar e trazer vantagens à empresa?

Se dissesse que tirei a resposta da cartola, seria um grande mentiroso e não estaria aqui. Gaguejei, senti o peito apertar e comecei a responder:

- Eu lhe venderia três características: o comprometimento, o interesse e a mania de considerar o fim infinito.

Até aí, tudo bem. Os olhos alheios se arregalaram – e eu também, pensando bem depois– ao ouvir a frase seguinte:

- Comprometimento significa respeito, confiança e atuação coletiva, em equipe. O que seria, por exemplo, do número dez se não fossem os dois números mais baixos da cadeia, o zero e o um?

E fechei dizendo: “O dez só é o maior número de sua dezena porque atrás dele, empurrando-o para a frente, estão os outros nove números”.

Quem lê pode pensar que é mera retórica retirada das edições do Aprendiz, com Roberto Justus. Confesso que nunca vi o programa nem sou leitor assíduo de publicações especializada em mercado ou competição. Mas a frase reflete o que penso sobre uma atividade profissional e o desenvolvimento – tanto pessoal quanto de negócios.

Podemos ser uma usina de idéias ou ter talentos para qualquer atividade. Mas nunca sairemos do lugar se não nos cercarmos de outras pessoas, com características opostas às nossas – e por isso mesmo complementares. Do debate saudável, do espaço aonde todos tenham noção do que podem aportar e que são ouvidos – e por isso mesmo parte participante desse processo que é a construção de uma carreira no mercado -, surge o interesse contínuo em saber mais, aprender o que ainda não temos domínio, trabalhar melhor. Em uma palavra, participar.

O número dez é associado a posições de destaque, ao topo da cadeia, a uma meta a ser alcançada. Mas ele nunca seria dez sem os outros nove números que o antecedem: é assim com qualquer dezena, é assim em qualquer atividade. Sem gente ao lado contribuindo e dando base, o sucesso não aparece.

O dez pode ser a empresa em que você trabalha: os nove são todos aqueles que, junto de você, estão lá colocando o melhor para que ela atinja o topo e, como disse o meu atual gerente, seja competitiva. Um desafio que deve se renovar e ser incentivado a cada momento, evitando se tornar um dez arcaico, que vive de glórias passadas e não do frescor do presente.

Sei e acredito na competição individual, mas um indivíduo só não faz uma grande empresa. Ela passa pelo executivo e pela moça que serve café, cada qual com seu papel, cada qual com sua vontade e ânimo de participar e crescer. Desse processo vem o comprometimento e o natural interesse em novos conhecimentos e atividades.

Por fim, do comprometimento e do interesse surge o último artigo que vendi em minha apresentação: o fim infinito. Afinal, a cada meta batida, nos propomos mais duas ou três, em um constante processo de incentivo e de crescimento que nos leva a empurrar o fim adiante.

Fim esse como as dezenas: elas nunca acabam. E seu número mais alto só existe porque, atrás, estão todos os outros.

*Luiz Fernando Belatto escreveu especialmente para este site.

criado por aguinaldocps    10:34 — Arquivado em: outros autores

20/6/07

Feliz Aniversário Belatto

Hoje é aniversário do Belatto. É um amigo meu, que eu não gostava. Não se trata de não gostar por ele ter me feito algo de ruim e nem por achá-lo arrogante ou coisa parecida. Muito pelo contrário, o Belatto era "legal demais". Eu quis dizer que ele era muito legal, a ponto de ser exagerado.

Então eu me irritava com algumas de suas atitudes, como não participar integralmente do nosso Clube do Bolinha na churrasqueira e preferir ficar alternado um pouco conosco e outro pouco no chá da cozinha com as meninas. Além disso, tinha cara de japonês, mas não era, fazia "luzes" nos cabelos e usava a carteira cheia de papeis no bolso dianteiro da calça, igual ao Nuno Leal Maia nos filmes nacionais antigos.

Mas, por outro lado ele tinha uma coisa muito legal: era uma enciclopédia do futebol, lembrava um pouco até o Roberto Havalone. Fiquei sabendo que ele, que é jornalista, havia participado daquele site da uol, o pele.net e que isso havia o transformado nessa sabedoria. Ele lembrava de muita coisa, o nome do goleiro do São Paulo que levou 7 gols do Vasco nos anos 90 (Alencar), quem era o lateral esquerdo do Palmeiras nos anos 80 (Pedrinho) ou qual foi o placar do primeiro jogo das finais do brasileirão de 83, entre Santos e Flamengo (2X1).

Interessante é que ele não tem nem 30 anos, então como poderia se lembrar de tantas coisas? Um dia o Edson (um amigo, na casa dos 50) o desafiou a cantar o grito de guerra do XV de Piracicaba nos anos 80. Ele disse que não se lembrava inteiro, mas cantarolou uma parte (caixara de forfe…) o do Nhô Quin.

Aos poucos comecei a me acostumar com o estilo belatto de ser e passei a considerá-lo um grande amigo. Hoje ele completa mais um ano e em setembro vai se casar. Acreditem, ele me convidou para ser padrinho, quem diria? Aqui está uma homenágem a você, Belatto.

O objetivo desse post é passar ao leitor uma coisa que eu aprendi com essa minha amizade: nem sempre a primeira impressão é a que fica, ela pode mudar.

criado por aguinaldocps    16:55 — Arquivado em: Grandes Figuras

19/6/07

Onde estará o Doutor Edgar

Há vários dias eu vinha pensando em escrever sobre algumas personalidades não famosas que eu conheço, as GRANDES FIGURAS. Ainda na sexta-feira eu falei sobre o Roberto Collar, um amigo que já foi meu diretor. Hoje, porém, eu gostaria de contar sobre o Dr Edgar.

Eu tinha 20 anos e comecei a sentir uma dor abdominal. Fui ao médico do convênio e ele nem olhou pra minha cara e já me disse que eu tinha que fazer uma endoscopia. Confesso que isso me assustou um pouco e por isso voltei pra casa meio chateado, com o exame marcado para a manhã seguinte.

Chegando em casa uma amiga de minha mãe me disse que em Campo Limpo Paulista havia um médico, já velhinho (estavamos em 1992), que costumava acertar esse tipo de diagnóstico. Pois bem, telefonei no número que ela me deu e atendeu a secretária, chamada Luisa, marcando uma consulta para o dia seguinte. Imaginei um baita consultório, com ar condicionado, porta automática e coisas mais.

Pois fui ao consultório orientado a parar em frente ao Paço Municipal. Estacionei o carro em frente a prefeitura daquela cidade e atravessei a rua. Encontrei o endereço. Um portão aberto ao lado de uma loja, um corredor que levava ao fundo, numa sala baixa, com uma japonesa fazendo cruzadas. Ela me atendeu muito bem, me pediu para esperar e eu fiquei pensando se esse tal médico saberia mesmo me diagnosticar, afinal o seu consultório era mais simplório que a unidade básica de saúde do meu bairro.

Rapidamente a japonesa (Luisa) fez uma fichinha de papel com meus dados (o que era razoavelmente normal para a época) e entrgou ao doutor, que veio me receber na porta da sala, com seus cabelos brancos e apecto de uns sessenta e poucos anos.

O Doutor Edgar me convidou a me sentar numa velha cadeira de madeira com estofado, um pouco manca para a direita. Conversou comigo, pediu detalhes sobre a tal dor e ainda me fez umas 50 perguntas de rotina, se tenho isso, se tenho aquilo, coisas que seguramente nada tinha a ver com a dor abdominal.

Em seguida ele me pediu para entrar numa sala ao lado, onde havia uma velha maca, alguns velhos equipamentos médicos e uma velha balança dessas que temos em casa. Eu me deitei e ele conferiu juntas dos dedos dos pés, das mãos, coluna, nariz, garganta, olhos, joelho, até que chegou no abdomem e apertava perguntando se doia. Me levantei, me pesei e saí para a primeira salinha. Ele anotou tudo o que fez, com numeros, sintomas, etc.

O Doutor sentou-se numa cadeira velha diante de sua mesa, a frente de uma grande estante cheia de livros velhos e novos. Me disse que eu estava muito bem, mas tinha a vesícula preguiçosa. Ele escreveu num receituário velho, ainda produzido em clichê (modelo gráfico bem antigo), o pedido de alguns exames e me disse: "nem precisa fazer a tal da endoscopia amanhã, porque não vai dar nada. Seu problema não é no estômago". Me disse ainda que só estava pedindo os exames porque um médico tem que se certificar, mas que seria certeza.

Segui seus conselhos e não fui a endoscopia, fiz os exames e voltei já dois dias depois em seu consultório. E foi "batata" (diagnóstico certo). Ele me receitou um remédio moderno no mesmo modelo de receituário velho, com um manuscrito todo desenhado, parecendo convite de casamento. Eu sarei e nunca mais tive nenhum problema com isso.

———

No ano de 2002 eu comecei a sentir umas dores no peito e já com "trintão" fiquei meio assustado. Como eu estava passando por uma fase financeiramente magra da minha vida, não tinha convênio e também não queria cair no INSS. Me lembrei do Dr Edgar. Alguém me disse que ele havia morrido, mas mesmo assim eu telefonei para aquele mesmo número. E atendeu uma pessoa chamada Luisa (…).

Enfim, ele estava lá, firme, forte. Como da outra vez cheguei no mesmo consultório e a mesma japonesa pegou… a mesma ficha de papel (impressionante) com todos os meus dados. Como sempre o Doutor veio me receber na porta de sua sala e tudo aconteceu exatamente igual a antes. O diagnóstico foi novamente certeiro (Ácido Úrico elevado) e novamente fiz os exames somente para confirmar.

Porém agora eu firmava uma gostosa amizade com o médico setentão (78, eu acho) e ele me perguntava da escola de inglês, do meu casamento, se estava tudo bem. Me contava com muito orgulho que sua filha estudava em Campinas, que ele odiava ir para lá, que não gostava de carros modernos, odiava o Golf. Contava que adorava vinhos, que segundo ele, vinho não é bebida, é alimento. Me contava de sua chácara na Figueira Branca, que não gostava de praia, que morou em NY, que medicou na Amazonia por muitos anos, contraiu malária, que atendia em seu consultório gente de diversas cidades, incluindo cidades de Minas Gerais. Ele não gostava do Lula e estava inconformado com sua eleição, dizia que conhecia o Mercadente e tinha simpatia por ele, mas o Lula não.

Entre essas e outras histórias, eu marcava a cada ano uma consulta, nem que fosse para bater um papo. Entre consulta, retorno depois dos exames e mais um retorno depois de um mês, conversavamos horas. Ele cobrava R$ 50 por consulta e me confidenciou que somente cobrava para não formar fila em seu consultório, pois na verdade a medicina para ele era uma diversão. Um dia eu cheguei lá com uma pasta da Uptime e dei de presente a ele. A cada retorno ele me agradecia novamente pelo presente.

————-

No ano passado eu tive o último contato com o meu amigo velho. Depois disso fiquei sabendo através do Gevair que ele havia morrido. Não sei exatamente o que aconteceu, mas me parece que uma enchente invadiu seu consultório e estragou seus livros. Ele ficou bem desgostoso e depois de uns dias infartou.

Mas o mesmo Gevair me contou algumas aventuras "Edgarianas" que eu não sabia. Me parece que ele já foi político, Secretário da Saúde e até governador nomeado do então território de Roraima. Segundo o Geva, ele chegou em Campo Limpo Paulista na década de 70 e lá chegou a concorrer pela prefeitura, teve mais de um terço dos votos, mas não foi eleito.

Como minha mãe sempre diz, algumas pessoas não deveriam morrer, né? O Doutor Edgar não deveria!

criado por aguinaldocps    19:58 — Arquivado em: Grandes Figuras, mundo moderno, política

16/6/07

Um brasileiro em Buenos Aires?

No post anterior eu falava sobre o Congresso de Franqueados qual participei nesta sexta e sábado, em Belo Horizonte. Pois tenho algumas coisas para narrar:

1- Conheci muita gente boa. Quero citar o pessoal de Itaúna (que eu acho que é perto de Divinópolis) que são muito simpáticos, os novos franqueados de Petrópolis, a Virginia da Exodus, o Robert, com quem conversei na hora do almoço de hoje e mais uma meia dúzia de gente finíssima.

2- Confirmei o que eu já sabia, que a Uptime vem muito forte para se tornar uma das maiores - senão a maior - empresa desse segmento em todo o país.

3- Vou para a Argentina.

———

Então agora eu explico. Percebi quanto posso aprender com gente que está chegando agora. Durante o a noite da sexta-feira fui jantar no Porcão com todo o pessoal e tive a oportunidade de conversar com gente de todos os lugares do Brasil. Imagine, um goiano, um coreano, um carioca e um mineiro me pedindo para fotografá-los.

Aprendi com o Celton ( http://www.simsempre.com.br/celton.html ) que devemos ter cuidado com o que falamos para nós mesmos, pois somos fontes confiáveis.

Aprendi com o nosso franqueador que trabalhando conseguiremos o sucesso.

Aprendi com o Bernardinho que ser um campeão é uma questão de treino.

No encerramento fui surpreendido com um belo presente: havia uma homenagem para as melhores franquias da empresa e nós fomos citados pelas nossas 3 unidades. Entre os homenageados houve também uma disputa de perguntas e respostas. Eu costumo dizer que não gosto de perder em nada, nem em par ou ímpar, acho que por isso me dediquei a vencer. Deu certo, eu ganhei. E nem sabia que haveria premio para o ganhador, mas havia. Eu e a Paula vamos ter que passar uns dias em Buenos Aires, que sofrimento!!! Fui presentado com uma viagem a Argentina.

Muito obrigado a todos, nós iremos sim. Vamos fazer esse esforço (rs). Aprendi que sempre que entrar numa disputa devo querer vencer, independente de haver ou não algum prêmio.

Ainda bem que a Paula fala espanhol, porque meu negócio é inglês.

criado por aguinaldocps    23:39 — Arquivado em: curiosidades, histórias pessoais
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