Novamente vou abrir espaço para um artigo de outra pessoa. Trata-se de Luana Russo Hoehne, profissional da área de RH com grande experiência no trato com pessoal. Nada melhor do que um especialista para responder a leitora Veridiane, que ao comentar o meu texto de 15/03/07 pediu que aprofundassemos no assunto. Segue o link com o pedido de Veridiane e abaixo a opinião de Luana.
http://aguinaldocps.blog.terra.com.br/a_importancia_do_rh_nas_empresas#comments

Recursos Humanos. Não se trata de algo novo, mas poucos o conhecem de fato. O RH é visto por muitos como a área responsável por contratar funcionários, elaborar folha de pagamento, apontar horas-extras, calcular férias e demitir funcionários, e de fato o é. Mas seria somente esse o papel do RH?
Definição segundo o dicionário Michaelis:
Recursos – 1. Bens materiais, dinheiro, haveres. 2. Meios pecuniários.
Humanos - 1. Relativo ao homem.
O conceito de Recursos Humanos e do papel do Chefe de Pessoal é bem antigo. Na verdade, surgiu no século XIX, com a chegada das máquinas, do vapor e da eletricidade. Nessa época, para o empresário, o trabalhador era apenas um instrumento a ser utilizado na busca pelos resultados da empresa, assim como seus maquinários. Sua principal característica deveria ser a boa condição física e a abnegação, que o fariam cumprir as longas jornadas de trabalho, de até 18 horas diárias.
Neste momento surge o chefe de pessoal, ou o Gerubal Paschoal, personagem criado para simbolizar o responsável por controlar e contabilizar as entradas e saídas, os pagamentos, os vales, os descontos e as faltas dos trabalhadores. Cabia a ele advertir e demitir os faltosos. Sua função exercia um grande poder coercivo, já que punia as ações dos empregados em nome do bom andamento da empresa.
Por muitos anos o RH foi visto como um mal necessário, como uma área que, apesar de necessária, não agregava valor algum, ou seja, um centro de custo a mais.
Mas será que, com tantos avanços tecnológicos surgidos nesses dois séculos que se sucederam e com toda a busca existente por inovação e qualidade em prol da competitividade, este modelo de Recursos Humanos continua sendo aplicado?
Em muitos casos, sim. Agora, o fato de continuar sendo aplicado por várias empresas, não significa que seja o modelo ideal. Pelo menos para aquelas que desejam crescer, ocupar o seu lugar e mostrar para que vieram.
A área de Recursos Humanos exerce papel fundamental nas organizações. Ela saiu do nível operacional para atuar no nível tático e, acompanhando as tendências atuais, no nível estratégico das pirâmides empresariais. É uma área indispensável para o crescimento de todas as organizações, das pequenas às grandes. E porque podemos afirmar isso?
Podemos afirmar que o RH se faz necessário em todas as organizações porque, independente do tamanho ou do tempo de atuação, seus objetivos são crescer e dar lucro. O que distingue uma empresa da outra é sua capacidade de inovação, é o valor que agrega ao seu produto ou serviço, é o diferencial. Isso é o que podemos chamar de vantagem competitiva. Mas onde entra o RH nessa história toda?
O RH é o meio pelo qual a empresa contrata, motiva, desenvolve e retém talentos. Atuando no nível tático, o RH prepara seus gerentes para lidarem com suas equipes, transformando-os em líderes. Atuando no nível estratégico, o RH difunde ou transforma a cultura da empresa, fazendo com que seus funcionários sejam elementos fundamentais para o cumprimento de sua missão, de sua visão e de seus valores.
O operacional deixou de ser o mais importante. As funções operacionais (folha de pagamento, por exemplo) podem inclusive ser terceirizadas, proporcionando assim ao RH maior tempo para se dedicar a atividades estratégicas.
O sistema de RH inclui, além do Departamento Pessoal, os subsistemas de Remuneração e Benefícios, Recrutamento e Seleção, Treinamento e Desenvolvimento e Avaliação de Desempenho que, juntos, contribuem para que a empresa 1) contrate os melhores profissionais, através da perfeita definição do perfil desejado e de sua busca no mercado, 2) motive e retenha talentos, através do reconhecimento e desenvolvimento de suas potencialidades e habilidades e da prática da remuneração justa, conquistada através do equilíbrio salarial interno e interno e 3) traga lucros, através da obtenção do máximo desempenho do pessoal, conquistado por meio da qualificação profissional e dos sistemas de avaliação e recompensa. Desta forma, os empregados se sentem satisfeitos e motivados a contribuírem para o sucesso da empresa e a empresa atua como uma organização competitiva, que aprende com o conhecimento humano (que não pode ser substituído por máquina alguma) e se torna apta a crescer e a superar a concorrência.
Luana Russo Hoehne, especialmente para este blog.