Tenho certeza que você olhou este título pensando que seria alguma besteira que o Aguinaldo escreveu antes das eleições, afinal segundo as pesquisas, ele estaria reeleito. Quem sabe me imaginou um "tucanista" já inconformado ou ainda esperançoso. Pois não será bem esse o desenrolar desta crônica.
Daqui há algumas horas o Brasil vai às urnas e amanhã, provavelmente por volta desse mesmo horário, coneceremos oficialmente o nome do presidente pelos próximos 4 anos. E infelizmente ainda, provavelmente será Lula.
Pois hoje, pela enésima vez eu conversava sobre o tema numa mesa de bar com amigos e o negócio me parece unânime: Todo mundo vai votar em Alkmin. Dirijo pelas ruas de Campinas, Jundiaí, São Paulo e vejo centenas de carros com adesivos pró Alkmin. Recebo dezenas de emails por dia propagando a campanha Tucana, criticando o PT e chamando a população a despertar.
Mas então, o que está acontecendo? Porque as pesquisas mostram vitória de Lula com 60% dos votos se todos dizem que preferem Alkmin? A resposta está no passado recente.
Se analisarmos o Brasil desde a Ditadura Militar, perceberemos que naquele momento as pessoas mais esclarecidas da sociedade já falavam em democracia. O partido da democracia, na época era o MDB - que depois virou PMDB. O MDB dos anos 80 tinha em sua base Ulysses Guimarães, Tancredo Neves, Franco Montoro e alguns mais jovens como Fernando Henrique Cardoso, Mario Covas e José Serra. O MDB era considerado pelos estudiosos, jornalistas, professores, artistas e outros esclarecidos como a grande esperança brasileira para a democracia.

Naquele tempo, o PDT e o PMDB eram a esquerda, o PT que recem surgia era a extrema esquerda, o PTB era o centro e o PDS (antiga ARENA e atual PP) era a direita da direita. Todos chamavam o PDS de partido da aristocracia e por aí vai.
Em 1982 os esclarecidos votaram no PMDB, mas o PDS ainda teve a maior votação no Brasil, porque o povo ainda votava nos coronéis que davam brindes.
Em 89 já existia o PSDB, que veio como uma dissidência do PMDB. Era formado por Mario Covas, Fernando Henrique, José Serra, Montoro, Magalhães Teixeira e mais alguns grandes nomes. Os esclarecidos votaram 45, mas Covas não foi nem para o segundo turno.
Já em 94 eles conseguiram. Fernando Henrique Cardoso assume a presidência. Mas aí ele vira FHC e os esclarecidos começam a achar que Lula seria uma opção melhor.
E mesmo assim em 98 FHC vai para sua reeleição sem segundo turno. Concluímos que os esclarecidos não foram suficientes para dar a Lula uma chance.
Já em 2002… eles conseguiram. Lula assume a presidência com o apoio maciço dos esclarecidos que conseguiram convencer a massa da população que o PT tinha a fórmula para mudar o Brasil.
Quatro anos depois eles perceberam que estavam errados. E agora, como das outras vezes, não vão conseguir imediatamente mudar os rumos do Brasil. Isso será só na próxima eleição, em 2010. É por isso que eu digo que a era Lula está no fim. Terá mais 4 anos, no máximo, assim como aconteceu com FHC e os caciques.
Mas percebam que o partido dos esclarecidos era o MDB, que virou inimigo, depois foi o PSDB que também virou inimigo e depois o PT que também virou inimigo. O povo virá no vácuo, mas demorará um pouco.
Enquanto isso percebemos que os adesivos nos carros ou mensagens pela internet provêem de um público que não é a maioria, pois a maioria no Brasil que vota em Lula, infelizmente não tem carro para por adesivo e nem computador para entrar na internet.
Mas qual seria a solução? A solução seria que a classe esclarecida fosse maioria e não minoria. Mas para isso acontecer só um milagre. Afinal, 2006 ficará marcado pela eleição onde um candidato que pregou a educação teve somente 2% dos votos, enquanto um outro que diz que ler é muito chato e se gaba por ser presidente sem falar inglês e nem ter faculdade será eleito. Se considerarmos que a única forma de mudarmos esse cenário seria educar o povo, podemos dizer que estamos com um caminho complicado pela frente.
*esclarecidos: população com capacidade de analisar os rumos de um país devido a terem tido oportunidades de acesso a escola e meios de comunicação, independentemente de sua classe social ou financeira.