30/9/06
Democracia é votar com o coração
Em 15 de novembro de 1982, eu que recentemente completara 10 anos de idade fui até o SENAI em Jundiaí com meu pai e minha mãe. Ambos iam votar. Naquele tempo não se votava para presidente nem para prefeitos de capitais e cidades importantes. Porém como estávamos em Jundiaí, meus pais puderam escolher governador, senadores, deputados, prefeito e vereador.
Já em 83 minha professora de história, Dna Vilma Voelsk, uma mulher extremamente carrancuda e "brava" nos explicava a importância da democracia numa sociedade. Ela dizia que tornar um povo ignorante era uma forma de opressão. Nós, os alunos, criavamos ali uma vontade muito grande de mudar aquilo e faziamos das eleições para o Centro Cívico uma batalha eleitoral dentro da escola.
Entendiamos que votar seria o mínimo para podermos melhorar nosso país. Que esse direito seria fundamental.
Em 1985 Tancredo Neves derrota Paulo Maluf no colégio Eleitoral e se elege o primeiro presidente Civíl depois de 20 anos de ditadura militar. O povo se alivia, mas Tancredo morre depois de complicações causadas por uma apendicite mal cuidada. José Sarney assume a presidência.
Até 1988, o que mais se ouviu foi o povo reclamando do direito ao voto. Votar para presidente era questão de honra para o cidadão brasileiro. Em 88 a Nova Constituição nos garantiu tal direito.
Em 89, os principais nomes do cenário político brasileiro se lançaram candidatos a presidencia. Entre eles estavam Paulo Maluf, Leonel Brizola, Lula, Ulysses Guimarães, Mario Covas, Fernando Collor de Melo, além de alguns então desconhecidos, como Enéas Carneiro e "Marronzinho".
O povo exercia então o direito tão aclamado. Elegeu Fernando Collor, que derrotou Lula no segundo turno. Collor foi cassado dois anos depois deixando Itamar Franco completar o Governo.
De lá pra cá muitas foram as eleições. Ano sim, ano não, iamos às urnas depositar nossa cédula - que depois informatizou e nos fez digitar numerozinhos. Elegemos governadores, prefeitos, senadores, deputados, vereadores. Também elegemos FHC duas vezes e depois Lula. Ainda escolhemos viver numa "República Presidencialista" e que "NÃO" deveríamos proibir o comércio de armas de fogo.
E agora parece que o brasileiro cansou de votar. Hoje ouvimos gente reclamar de ter que ir votar. Reclamam da obrigação, comparam com os EUA, onde não é obrigatório. Esquecem que o modelo Norte Americano de eleições é ridículo.
Não existe direito sem haver dever. Quem reclama de ter que ir votar certamente não viveu a ditadura ou se esqueceu dela. Tem um amigo meu que disse que vai votar no Serra e no Lula, pois os dois tem chances de ganhar no primeiro turno. Assim não teria segundo turno. Quer mais absurdo?
A eleição é em dois turnos justamente para você poder manifestar melhor sua opinião. Vote naquele candidato que você mais gosta, independente das pesquisas. Se ele for ao segundo turno, vote nele novamente. Se ele não for, então escolha entre as duas opções que sobrarem.
Se seu candidato for eleito, comemore respeitando os adversários, afinal o eleito deve cuidar bem deles também. Caso seu preferido não se eleja, respeite o outro e torça a favor do governo dele.
No futebol, quando meu time é desclassificado eu posso torcer para o outro time que o eliminou se extrepar. Na política isso seria uma enorme burrice.
Boa eleição!
criado por aguinaldocps
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