Crônicas Corporativas

Há 22 anos trabalhando, coleciono vitórias e derrotas, experiências positivas e negativas de coisas que tenho orgulho de lembrar e outras que desejaria esquecer. O objetivo deste blog é contar um pouco do que eu aprendi ao longo da minha carreira.

28/7/06

Parceria

Um dia uma colega me perguntou o que eu acreditava que ela deveria fazer para alavancar a empresa dela.

Era um caso complexo, pois o negócio dela era no mesmo ramo que o meu, porém num segmento completamente diferente. Isso significava que eu não poderia dar uma orientação precisa, já que o público consumidor do produto que ela colocava no mercado era completamente diferente do meu público.

Então restou-me, devido ao profundo respeito que eu tenho com aquela colega, sugerir algo que é um princípio para quem quer empreender. Disse a ela que deveria fazer parcerias, ter gente ao seu lado. Gente fiel, amiga, responsável e motivada.

Lembrando disso há pouco comecei a notar a expressão das pessoas que trabalham aqui na empresa e percebi que invariavelmente os sorrisos estão extensos. Quis então aproveitar essa oportunidade para agradecer a todos os profissionais das unidades de Campinas e Jundiaí por tudo que vocês fazem por nosso ideal.

Espero que possamos sempre ter um excelente relacionamento.

criado por aguinaldocps    16:19 — Arquivado em: comportamento, opinião pessoal, projetos na Uptime

25/7/06

Você tem experiência?

Num processo de seleção de uma Multi Nacional alemã, os candidatos deveriam responder a seguinte pergunta: "Você tem experiência?"
A redação abaixo foi desenvolvida por um dos candidatos. Ele foi aprovado e seu texto está fazendo sucesso, e ele certamente será sempre lembrado por sua criatividade, sua poesia, e acima de tudo por sua alma.

REDAÇÃO VENCEDORA:

"Já fiz cosquinha na minha irmã só pra ela parar de chorar, já me queimei brincando com vela. Eu já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto, já conversei com o espelho, e até já brinquei de ser bruxo. Já quis ser astronauta, violonista, mágico, caçador e trapezista. Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés pra fora.
Já passei trote por telefone. Já tomei banho de chuva e acabei me viciando.
Já roubei beijo. Já confundi sentimentos. Peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido. Já raspei o fundo da panela de arroz carreteiro, já me cortei fazendo a barba apressado, já chorei ouvindo música no ônibus.
Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que essas são as mais difíceis de se esquecer. Já subi escondido no telhado pra tentar pegar estrelas, já subi em árvore pra roubar fruta, já caí da escada de bunda. Já fiz juras eternas, já escrevi no muro da escola, já chorei sentado no chão do banheiro, já fugi de casa pra sempre, e voltei no outro instante.
Já corri pra não deixar alguém chorando, já fiquei sozinho no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só. Já vi pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado, já me joguei na piscina sem vontade de voltar, já bebi uísque até sentir dormentes os meus lábios, já olhei a cidade de cima e mesmo assim não encontrei meu lugar. Já senti medo do escuro, já tremi de nervoso, já quase morri de amor, mas renasci novamente pra ver o sorriso de alguém especial.
Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar.
Já apostei em correr descalço na rua, já gritei de felicidade, já roubei rosas num enorme jardim. Já me apaixonei e achei que era para sempre, mas sempre era um "para sempre" pela metade.
Já deitei na grama de madrugada e vi a Lua virar Sol, já chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo chegam novos, e a vida é mesmo um ir e vir sem razão.
Foram tantas coisas feitas, momentos fotografados pelas lentes da emoção, guardados num baú, chamado coração. E agora um formulário me interroga, me encosta na parede e grita: "- Qual sua experiência?".
Essa pergunta ecoa no meu cérebro: experiência…experiência… Será que ser "plantador de sorrisos" é uma boa experiência?
Não!!! Talvez eles não saibam ainda colher sonhos!
Agora gostaria de indagar uma pequena coisinha para quem formulou esta pergunta: Experiência? Quem a tem, se a todo momento tudo se renova?"

criado por aguinaldocps    11:05 — Arquivado em: comportamento

21/7/06

Muito tempo na mesma empresa é sinal de comodismo?

Dias atrás ouvi de um colega aquela antiga afirmação dizendo que um profissional que permanece por muito tempo numa mesma empresa tem dificuldade para encontrar outro emprego, afinal é visto como acomodado. Lembro-me deste colega me perguntar sobre minha opinião.

Disse a ele que até pode ser que algumas empresas pensem assim ou tenham essa filosofia, mas sem sombra de dúvidas eu não faço parte dessas algumas.

Na minha opinião, ficar bastante tempo numa mesma empresa não é sinal de comodismo e nem defeito, mas sim uma virtude. Sinal de comodismo seria uma pessoa ficar anos na mesma empresa sem crescer ou sair do lugar. Nesse caso, além de comodismo é burrice.

Por outro lado, conheço pessoas que trabalham há 10 ou 12 anos na mesma empresa, mas que fizeram carreira. Uma ex Recepcionista que hoje é gerente comercial, outra ex Recepcionista que hoje é responsável pelo departamento de importação ou exportação. Essas são pessoas que não tem nada de acomodadas. Pelo contrário: são pessoas que qualquer empresário inteligente iria querer, pois fazem a empresa crescer.

Eu quero ter gente comigo por muito tempo, que faça carreira. O que de pior pode acontecer numa empresa é ter parte da sua equipe procurando outro emprego, com currículos cadastrados em vários sites de recolocação. Isso só traz instabilidade para a empresa e mais trabalho, pois quando um profissional começa a ficar bom e com a cara da empresa, esta tem que contratar outro e treinar desde o início, pois o primeiro já foi embora.

Eu dou muito mais valor a quem me apresenta um curriculum de anos na mesma empresa do que aquele que fica pulando de galho em galho.

 

criado por aguinaldocps    20:53 — Arquivado em: comportamento, opinião pessoal

17/7/06

Transformando a Água

Uma menina se queixou a seu pai sobre sua vida e de como as coisas 
estavam tão difíceis para ela. Ela já não sabia mais o que fazer e queria
desistir. Estava cansada de lutar e combater. Parecia que assim que um problema estava resolvido um outro surgia. 
Seu pai, um chef, levou-a até a cozinha. Encheu três panelas com água e colocou cada uma delas em fogo alto. Em uma ele colocou cenouras, em outra colocou ovos e, na última pó de café. Deixou que tudo fervesse, sem dizer uma palavra. 
A filha deu um suspiro e esperou impacientemente, imaginando o que ele estaria fazendo. 
Cerca de vinte minutos depois, ele apagou as bocas de gás. Pescou as cenouras e as colocou em uma tigela. Retirou os ovos e os colocou em
uma tigela. Então pegou o café com uma concha e o colocou em uma tigela. Virando-se para ela, perguntou: - "Querida, o que você está vendo?" 
- "Cenouras, ovos e café. O que isto significa, pai?" 
Ele explicou que cada um deles havia enfrentado a mesma adversidade, a água fervendo, mas que cada um reagira de maneira diferente. 
A cenoura entrara forte, firme e inflexível, mas depois de ter sido submetida à água fervendo, ela amolecera e se tornara frágil. Os ovos eram frágeis - sua casca fina havia protegido o líquido interior, mas depois de terem sido fervidos na água, seu interior se tornara mais rígido. O pó de café, contudo, era incomparável; depois que fora colocado na água fervente, ele havia mudado a água. 
Ele perguntou à filha: - "Qual deles é você, minha querida?". Quando a adversidade bate à sua porta, como você responde? 
Você é como a cenoura que parece forte, mas com a dor e a adversidade 
você murcha, torna-se frágil e perde sua força? Ou será você como o ovo, que começa com um coração maleável,mas que depois de alguma perda ou decepção se torna mais duro, apesar de a casca parecer a mesma? Ou será que você é como o pó de café, capaz de transformar a adversidade em algo melhor ainda do que ele próprio?"
Somos nós os responsáveis pelas próprias decisões. Cabe a nós - somente a nós - decidir se a suposta crise irá ou não afetar nosso rendimento profissional, nossos relacionamentos pessoais, nossa vida enfim.
Ao ouvir outras pessoas reclamando da situação, ofereça uma palavra positiva. Mas você precisa acreditar nisso.
Confiar que você tem capacidade e tenacidade suficientes para superar este desafio. 
Sugiro inclusive que, nestas semanas que se seguem, quando lhe convidarem para tomar um café, você possa repassar essa história.

criado por aguinaldocps    14:20 — Arquivado em: comportamento, fábulas

14/7/06

João Marcos, estamos orando por você!

Notícia triste. Fui informado na manhã deste sábado do falecimento do nosso colega de trabalho, o diretor João Marcos Kretly, que atuava na região do Triângulo Mineiro.

criado por aguinaldocps    19:20 — Arquivado em: opinião pessoal

7/7/06

A melhor empresa é a escola de samba

Um dos textos que mais me chamou atenção durante todos esses anos quando trabalhei com pessoas foi o que estou colando abaixo. Nele, Julio Ribeiro, autor do livro “fazer acontecer” compara uma empresa normal a uma escola de samba. Vejam que interessante:

Através dos tempos, as empresas têm procurado usando das mais variadas técnicas de gerência, administrar e influenciar seu corpo de funcionários de tal modo a obter máxima produtividade, e nos tempos atuais, convenhamos, tem sido cada vez mais difícil motivar uma equipe a dar o máximo de si de modo a se atingir os objetivos planejados. Motivação parece ser a palavra chave. Como então motivar nossos parceiros para que todos possamos trabalhar felizes, contentes e unidos em torno do mesmo objetivo? É aqui que entra uma análise interessante, já objeto de diversos estudos feitos por alguns especialistas da área comportamental,do fenômeno escolas de samba. Sim, escolas de samba!!!Essa mesma de sambas enredo e tudo.
Flávio Toledo, um dos grandes mestres em organização empresarial já dizia ser a escola de samba a mais perfeita empresa, a mais surpreendente que ele conhecia do ponto de vista operacional, fundamentando assim sua análise:
“…Que outra instituição desse mundo conseguiria capitalizar todos os esforços de cerca de 10 mil sambistas, moradores do Morro da Mangueira e arredores? Eles comparecem pontualmente durante semanas ao mesmo local. Ensaiam coreografias, decoram a letra e melodia de sambas complicadíssimos; fazem pesquisas históricas; concebem cenografias holywoodianas; confeccionam milhares de adereços e organizam centenas de costureiras num barracão que é um primor de linha e montagem. Os sambistas lidam com milhares de dólares e pagam a fantasia do próprio bolso. Além disso, obedecem cegamente às ordens dos fiscais, chegam sem atraso à concentração e ajudam a empurrar carros alegóricos. Aí sambam por uma hora e ainda choram se a escola perde, é incrível! É muito mais complicado organizar uma escola de samba do que a General Motors!
E por que é que uma funciona com a perfeição de um relógio suíço e a outra não? É que numa escola de samba os objetivos e valores dos sambistas são rigorosamente os da diretoria. Todos querem a mesma coisa: desfilar bem…”
Os empresários muitas vezes perdem milhões ou até a própria empresa por esquecer um principio simples que rege as leis de convivência: As coisas só acontecem, na empresa, na escola de samba, no partido comunista, no governo ou em qualquer outro grupo, se as pessoas envolvidas quiserem que aconteça.
O gerente de banco precisa convencer seu atendente de que tratar bem o cliente é uma coisa importante. Já o diretor da escola de samba não precisa convencer nenhum sambista da necessidade de sambar bem. Esse desejo já dele.
Assim, para os planos de vendas de uma empresa darem realmente resultados, para as metas de produção serem alcançadas, é preciso que todos na empresa, do presidente à copeira, da diretoria aos boys, queiram genuinamente que esses mesmos objetivos sejam alcançados.
Todo treinamento que tenha por objetivo, valores estranhos às pessoas envolvidas se transforma em adestramento. É o mesmo que ensinar um cachorro a trazer o chinelo.
O Grande problema do adestramento é que o adestrado, seja um presidente da empresa, seja um chimpanzé, se não pratica todos os dias, acaba esquecendo o truque. As coisas só acontecem com a renovação constante do estimulo.
Freqüentemente assistimos as empresas tentarem implementar programa de redução de custos, melhoria da qualidade de atendimento, etc, que resultam em enormes fracassos, porque os procedimentos às vezes impostos nesses programas embutem valores que são conflitantes com os desejos e valores dos funcionários.
Imaginemos um sambista que divide o seu tempo entre trabalhar durante o dia numa empresa e a noite sambar. No emprego, vias de regra, os seus valores são opostos aos do seu chefe. Se puder, dorme um pouco mais e chega atrasado, tira quarenta minutos de café, leva dois jornais pra ler no banheiro, arranja atestado médico pra faltar, e deixa um casaco avulso na cadeira ao sair do escritório pra cuidar de assuntos particulares. Ameaças, reprimendas, conselhos, nada muda o seu procedimento, por quê?
Porque ele não acredita nos valores da empresa para qual trabalha. Assim, às quatro e meia, alegando para o chefe que tem que ir ao dentista, ele larga o trabalho, pega duas conduções, chega apressado em casa para pegar o tamborim e deixa de jantar para não chegar atrasado no ensaio da quadra. O ensaio termina à meia-noite, mas ele fica um pouco mais para ajudar na limpeza. Sai à uma e meia exausto, contente, já pensando na desculpa que vai dar para chegar atrasado ao escritório no dia seguinte. É a mesma pessoa. Na empresa, trabalha mal. Na escola de samba, trabalha de graça e se esforça.
Por que o paradoxo? Freud mais uma vez explica: “O ser humano é programado para procurar o prazer e fugir da dor”. Se a empresa ameaçar de forma convincente, pode conseguir cooperação enquanto durar o medo. Ao contrário, quando o ato a ser praticado é estimulante, a pessoa faz, mesmo que ninguém faça.

criado por aguinaldocps    16:44 — Arquivado em: comportamento, fábulas

5/7/06

É conversando que a gente se entende

A maioria dos problemas podem ser resolvidos através de uma boa conversa. Porém, quando essa conversa falta, os problemas se agravam e aí, nem o melhor coach poderia consertar o estrago, pois a coisa ficou tão grande que já atingiu o lado pessoal.

Podemos dar vários exemplos em que se aplica essa teoria. É o caso do adolescente que não respeita e desafia a autoridade dos pais. É o caso do funcionário revoltado. É o caso do aluno descrente. É o caso do namorado ciumento.

Se desde o princípio, a empresa tiver o hábito de conversar com seus funcionários, participá-los do que está acontecendo, estes serão mais fiéis aos propósitos da empresa. Por outro lado, se a empresa simplesmente agir, sem se preocupar com o que os outros estão pensando, certamente terá que remediar mais tarde.

Frequentemente, aquilo que é normal e óbvio para alguns, não é tão óbvio para outros. É aí que entra a capacidade de dedução do ser humano, que pode cometer o que a Bíblia cita como o pecado da presunção. É o hábito de presumir (pré-assumir) e tomar atitudes, geralmente de revolta, contra quem supõe-se ser o malvado da história.

Eu já conheci muitas empresas onde o ambiente é ruim devido a um grupinho que vive reclamando de coisas que nem eles mesmos sabem o que é. Mas reclamam. Quem chega novo na empresa, motivado por ter encontrado um emprego, rapidamente se influencia pelos revoltados  e aumenta seu efetivo.

Se, em tempos atrás, essa empresa tivesse se preocupado em simplesmente conversar com as pessoas e comentar decisões, pouparia isso. Ainda que tivessem (e sempre tem) os mal intencionados, esses não conseguiriam formar sua tribo, pois seus argumentos já teriam sido desativados antes mesmo de saírem do forno.

Então, minha sugestão aos pais, casais, patrões, gerentes e líderes em geral é que busquem na sua equipe o apoio necessário para as suas obras. Com isso o objetivo maior deixa de ser somente do chefe e passa a ser de todos.

 

criado por aguinaldocps    15:34 — Arquivado em: comportamento, opinião pessoal
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