Crônicas Corporativas

Há 22 anos trabalhando, coleciono vitórias e derrotas, experiências positivas e negativas de coisas que tenho orgulho de lembrar e outras que desejaria esquecer. O objetivo deste blog é contar um pouco do que eu aprendi ao longo da minha carreira.

31/5/06

Maitê Proença na revista Época

Dizem que mulher não entende nada de futebol e normalmente isso é verdade. Maitê Proença, por exemplo, adimite que não entende. Mas seguramente ela entende o que o futebol representa para o universo masculino.

Segue um texo da própria Maitê na Revista Época.

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 Era inveja

 No  Brasil,  três coisas são indiscutivelmente democráticas. A praia, que debaixo de um sol junta madame e funkeira trajadas no mesmo uniforme. O futebol, que une o ladrão e o padre numa imensa fraternidade. E o trânsito,  que  bota o Zé do Chevette e João do Jaguar lado a lado, paralisados pela mesma encrenca.

Das três brasilidades, o futebol é a que mais me intriga:
Tenho um namorado que ama a bola. É uma pessoa cheia de virtudes, mas, se há uma constância em seu caráter, esta é a impontualidade. Não consegue chegar na hora, o mundo o atrapalha, a menos é claro no caso do futebol. Não falo aqui daquele jogo no estádio com hora oficial para começar, refiro-me à pelada, ao racha, àquele bate-bola entre amigos, que no caso aqui de casa acontece três vezes por semana. O campo é longe, uma viagem, o sol  a  pino  -  não importa. Dia do compromisso logo cedo o moço fica ansioso,  não  pode atrasar e não há imprevisto que o segure. Nesses dias meu amor é um britânico!
Sábado  desses resolvi acompanhá-lo. Os companheiros de partida, esbeltos desportistas, não gostaram nadinha, mas, gentis, fizeram que sim. Aquilo não é lugar de  mulher, eu já devia saber. Para compensar o mal-estar, começa o jogo e eu bato muita palma, exagero o entusiasmo, assovio e tanto faço que o dono do campo a quem eu bajulava escancaradamente sentiu-se  na  obrigação de me dedicar um gol. Segue o embate com altos e baixos, a coisa aquece e pimba… um golaço, aquele chutão do meio do campo para dentro da rede à Roberto Carlos. As más-línguas desmerecendo o artilheiro dizem que o momento é histórico  e não se repetirá - não acredito, foi jogada de mestre; vi e guardarei na memória.
Continua a partida com bons momentos, outros nem tanto, uma contusão aqui, uma falta ali, um corpo caído no chão.
De repente me bate uma estranheza e vou percebendo que acima da bola, das jogadas, do corre para lá e para cá, o que mais se via, na verdade, eram discussões, ofensas, xingamentos e uma roubalheira de fazer corar um palmito. A coisa chegou a um ponto em que tive a certeza de que terminado aquilo os  adversários não voltariam a se falar.
Acaba o jogo. Entre vitórias e desilusões, corre-se para o vestiário e devo dizer que nem na feira fala-se tão alto e ao mesmo tempo quanto num banheiro cheio de homens; eu não estava dentro, mas nem precisava…
Fiquei quietinha do lado de fora esperando meu namorado, que, pela delonga, tomava um banho de Cleópatra. Assim, pude observar bem os outros rapazes que sorridentes e limpinhos iam saindo do vestiário qual amigos de infância. Aqueles mesmos que há pouco se juravam de morte agora pavoneavam-se uns para os outros aos tapinhas nas costas. Havia ali cantores-compositores, um sapateiro, o editor de um jornal, um empresário da música, atores, um jogador aposentado, dois médicos e alguns moços das redondezas empobrecidas cuja competência em campo desequilibrara o jogo - tudo adversário de sangue na hora da bola e amigo do peito na saída para o chope. Na pelada  não há  rancores, o que se passa em campo fica no campo. Nem  pudores, ali são todos craques - o vírus da imodéstia ataca democraticamente. Uma beleza!

Fui-me  embora  com  um  vazio a futucar o espírito. O que nós, mulheres, temos de parecido, o shopping, o salão? Nem chegam perto. Não pode xingar,  espernear, soltar os sapos da garganta - além do que, num e noutro, o máximo de exercício que se faz é com a língua na futrica da vida alheia? Muito chato. Não havia como negar, o brinquedo dos rapazes é divertido como só, e meu vazio era de inveja.

Nós, mulheres, não temos nada que se compare!

criado por aguinaldocps    10:15 — Arquivado em: outros autores

17/5/06

Música que diz tudo

Quem me conhece sabe meu gosto musical. Sou fã de Rock e MPB principalmente. Mas na empresa uso em algumas reuniões uma música do Gabriel, o pensador, para chacoalhar a mesmisse que as vezes aparece. Trata-se de uma crítica ao cidadão que não pensa, o modista, que segue o fluxo.

Sem mais delongas, segue a letra completa da música pra quem. Se vc se identificar com isso, aproveite para rever seus conceitos.

Aguinaldo

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Ãh - Gabriel O Pensador/Itaal Shur  

Eu não sei quem inventou essa mania e nem sei o que seria esse "ãh".
Eu só sei que eu acordei no outro dia e só ouvia todo mundo dizer ãh.
Eu nem sabia que existia essa palavra ou esse nome ou o que quer que seja ãh.
E de repente vi que toda a minha gente enfiou na sua mente o tal do ãh.
Tranqüilamente fui lá na padaria e falei bom dia, responderam ãh.
Comprei um pão e fui ver televisão, só que na programação só tinha ãh.
Fui pro estádio assistir a um futebol e a torcida só gritava: "ãh! ãh!"
Liguei o rádio pra ouvir os comentários e era "ãh-ãh-ãh-ãh-ãh-ãh-ãh".
Cheguei em casa, o meu amigo me ligou, eu disse alô, ele disse ãh.
Ele me falou duma festinha recheada de gatinha, eu disse ah… hmm… Ãh!!
Cheguei na festa e realmente tava bom, mas o som…
Uma garota me deu mole e começou o bate-papo: "ah? ãh! ãh…"
Fomos lá pra casa e aí ãh, perguntei se ela ãh, ela veio e "ãh"…
 

Por isso eu digo "ãh!"
Everybody say "ãh!"
Se todo mundo fala "ãh!", eu também quero falar… ãh…
Por isso eu digo "ãh!"
Vem dizer comigo: "ãh!"
Se todo mundo fala "ãh", então eu digo ãh… ah, sei lá!
  

 Fui pra escola e esqueci a minha cola, e na prova eu respondia tudo ãh.
O professor me falou alguma coisa que eu não entendi porque não era ãh.
Voltei pra casa meio ãh, e o guarda me pegou com uma ãh, e falou que eu ia ãh.
"Peraí, seu guarda, eu posso explicar"
- "Então explica!"
- "É que… ãh…"
E o meu pai ficou sabendo e já veio me dizendo que eu era muito ãh.
Eu disse "pai, ãh, pai, mas pai, ãh, pai…"
- "Cê tá me respondendo, meu filho?!"
- "Ô, pai, ãh!!"
Meu pai nunca me escuta e pra mostrar quem é que manda ainda faz aquela cara meio ãh.
Eu resolvi fazer uma banda que é pra ver se alguém me escuta! O nome dela é Ãh.
O nosso som é uma mistura de ãh com ãh, e a nossa postura é ãh!
Acho que vai ser o maior sucesso, mas não sei se vai ser bom fazer sucesso, que o sucesso é meio ãh.
Hoje eu já falei com um, ãh, jornalista, que na hora da entrevista perguntou:
- "Porque ‘Ãh’?"
- Ah… Por que ‘Ãh’? Ah, Ãh por que ãh!
Se você não entendeu, sinto muito mas ãh…
  

 Tava tudo indo muito bem, porque eu só falava ãh, escutava ãh e pensava ãh.
Tudo como manda o figurino, as meninas e os meninos, todo mundo repetindo ãh.
Parecia muita hipocrisia, porque todo mundo repetia e nem sabia o que era "ãh".
Tão fazendo a gente de robô, só não sei quem programou.
Quando eu percebi eu disse: "ô-ôu!"
Foi aí que todo mundo olhou pra mim, só pra ver o quê que eu ia dizer.
Foi aquele olhar assim bem ãh, de quem quer ouvir um "ãh", só que aí em vez de "ãh" eu disse "Be"!
Depois dessa resposta muita gente deu as costas, e até quem me adorava hoje fala que não gosta.
Eu até tentei compreender o "ãh", mas quando eu falei do "Be" ninguém tentou me entender.
É porque pra eles é o "ãh", tem que ser o "ãh", pelo jeito vai ser ãh a vida toda.
Se você quiser saber, depois do B já vem o C, e tem o D e tem o E e com o F eu digo foi.
 

Por isso eu digo "ãh!"
Everybody say "ãh!"
Se todo mundo fala "ãh!", eu também quero falar "Be"!
Por isso eu digo "ãh!"
Vem dizer comigo: "ãh!"
Se todo mundo fala "ãh", então eu digo foi…
Por isso eu digo "ãh!"
Everybody say "ãh!"
Se todo mundo fala "ãh!", eu também quero falar "Be"!
Por isso eu digo "ãh!"
Vem dizer comigo: "ãh!"
Se todo mundo fala "ãh", então eu digo Foda-se.
 

criado por aguinaldocps    12:40 — Arquivado em: comportamento, música/cultura, outros autores

13/5/06

Creedence Clearwater Revisited, no Credicard Hall

Na oportunidade em que escrevi sobre o show do U2 em São Paulo, um dos comentários apontava a visão empresarial mesmo num texto sobre uma banda de rock. Mas como dizia a um colega por esses dias, o têma deste blog é justamente a empresa. É por isso que sobre o show do CCR na quinta a noite, no Credicard Hall em São Paulo eu destaco os quase 50 anos de história do Creedence.

Tocam para quase todo tipo de público. Os jovens dos anos 50 e 60 hoje estão com quase 70. A geração seguinte que foi ainda mais fiel aos irmãos Fogert, esta está na casa dos 40, vive as músicas do Creedence tanto quanto a garotada de hoje vive Pearl Jam.

Curioso é que a moçadinha de 20 anos de idade também estava lá. Na marginal Pinheiros já viamos a galera indo ao show. Alguns mais exaltados gritando, cantando "I wanna know, have you ever see in the rain". Já na chegada ao estacionamento, debaixo de uma fina garoa, perguntavam "Who’ll stop the rain???"

A pista estava repleta de garotos se espremendo querendo de qualquer forma chegar perto do velho Stu Cook. Já os camarotes seriam ocupados por um pessoal mais comportado, traje esporte fino, de 30 a 70 anos, mais ou menos. De vez em quando entrava nessa área uma "gatinha" ou um "playboyzinho", mas a maioria seguramente preferia ver os "born on the bayou" pelo telão, mas sentadinhos nos camarotes.

São duas ou três gerações, todas apaixonadas pelo mesmo som, ainda que agora sem a formação original, sem o mesmo nome Creedence Clearwater Revival, mas com o mesmo charme daquela época.

E onde está o aspecto empresarial da coisa? Está no coração de uma banda que não morre jamais, com ou sem seus fundadores, ainda que troquem o "contrato social", mas a força do "Mardy Grass" da região dos "Bayou" contou sua história. Um demissionário aqui, uma contratação alí e tudo continua. Whille e os "poor boys" não deixaram de ser lembrados ao vivo em "Dow on the corner".

E de onde vem esse nome? O batera contou a historinha: Nos anos 50, quando tudo começou eles tinham uma banda com outro nome, que agora não me lembro. Queriam um nome diferente e a influência foi um amigo que acompanhava os ensaios, cujo nome de batismo era Creedence. A cerveja que eles bebiam na época era a Clearwater. E aí, o resto você pode imaginar. Revival na versão original e Revisited atualmente.

Só faço uma pequena crítica: O meu irmão que acompanhou o show juntamente comigo e com nossas esposas passou a semana inteira comentando que faria questão de ouvir "Sail Away" com uma atenção especial. Trata-se de um som histórico, a única em que John Fogert não ia aos vocais. O baixista Stu Cook dava conta de cantá-la. Sabem o que aconteceu? Pela decepção dele vocês percebem… NÃO TOCARAM ESSA MÚSICA!!!

criado por aguinaldocps    14:25 — Arquivado em: música/cultura

11/5/06

O gato

Um policial do 190 atendeu o telefone e foi anotando o pedido de socorro:
- POR FAVOR, MANDEM ALGUÉM URGENTE, ENTROU UM GATO AQUI EM CASA!!!!
- Mas como assim, um gato em casa????…
- UM GATO!!! ELE INVADIU A MINHA CASA E ESTÁ CAMINHANDO NA MINHA DIREÇÃO!!!!
- Mas como assim? você quer dizer um ladrão?
- NÃO CARALHO! ESTOU FALANDO DE UM GATO MESMO, DESSES QUE FAZEM MIAU, !!!!!!
- Mas o que tem de mais um gato ir na sua direção?
- ELE VAI ME MATAR, PUTA QUE PARIIU!!!! E VOCÊS SERÃO OS CULPADOS!!!!!!
- Quem está falando!!!!????
- O PAPAGAIO!!!!!!!

criado por aguinaldocps    18:17 — Arquivado em: fábulas
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