29/3/06
Turismo e negócios
Passei uma semana em Natal/RN. É impossível deixar de ser empresário mesmo longe da empresa.
Não! Não estou dizendo que não me diverti ou que fiquei preocupado com alguma coisa, muito pelo contrário. Minha equipe é fantástica e eu só ligava pra empresa pra pedir mais dinheiro, afinal gasta-se sempre mais do que se espera gastar.
Digo que continuei empresário porque analisava tudo que via como negócio. Ficava vendo a quantidade de hotéis à beira do mar e tentando imaginar como negociava-se o trabalho dos guias. Como eles ganham? São funcionários da agência ou são autônomos? Eles trabalham em cooperativa? São organizados?
Em todas as pousadas ou restaurantes, quando iamos pagar, alguém sempre perguntava: Quem é seu guia?" Imagino que ela (o guia) ganhava uma comissão sempre quando nos levava à algum lugar.
Também percebi que quando pedi desconto (e consegui) num pacote de passeios opcionais, ela não precisou contatar nenhum superior pra isso. Portanto imagino que ela foi quem contratou o ônibus e tudo mais.
Se eu estiver certo, adimiro ainda mais o trabalho dos guias, tanto pelo que fazem como pelo risco do negócio que assumem.
O guia que nos acompanhou era uma moça muito simpática e divertida, mas que sabia ser dura se necessário. Seu nome é Gleide. Então me acostumei a chamá-la por "Gleide, bichino", uma alusão às expressões nordestinas. Ela mesma brincava com seu próprio nome, dizendo que para não se esquecerem dela, poderia lembrar-se do "Gleide Sachet".
Num dos passeios, minha esposa e um casal de amigos que me acompanhava ficou conversando com o comandante da escuna em que navegamos. Gleide, usando de todo seu carisma, foi buscá-los no barco, trazendo a Aline, minha amiga, fingindo puchar sua orelha.
Aproveitamos o passeio para conhecer um jovem casal vindo do Rio de Janeiro. Ele aos 73 anos de idade e ela algo próximo a isso (eu não perguntei) foram fantásticos. Fizemos amizade rapidamente na praia de Cacimbinhas, próximo à Pipa. Na despedida trocamos telefones e prometemos nos ver na primeira oportunidade. Carlos e Anita, ele um flamenguista insuportável e ela uma elegante e vaidosa senhora nos proporcionaram alguns momentos de muitas risadas.
Enfim, voltando aos negócios, o turismo praticamente sustenta a cidade do Natal, onde também se vive muito da pesca e do artesanato. Aliás, a pesca e o artesanato também vive do turismo.
O "bugueiro" que nos levou às dunas comentava que havia comprado aquele buggy há alguns anos. Imagino que é como ser taxista, porém com menos risco de assalto. Num determinado lugar tínhamos que passar por um rio e usamos uma balsa do Governo do Estado. Pórém em outro ponto, num outro rio mais rasteiro e estreito o Estado nada proporciona. Lá, nativos construíram pequenas balsas que carregam apenas um carro e ganham a vida remando e cobrando 2 Reais por travessia, organizados numa cooperativa. Um outro pessoal também bem esperto se organizou e fica no meio do rio, numa das jangadas, fotografando quem passa. Como na volta temos que passar por alí novamente, eles vendem a foto por 5 Reais. E é uma foto que não se pode tirar com sua própria câmera, afinal como você faria?
Mais ainda, no alto das dunas de Genipabu ficam algumas pessoas vendendo objetos diversos, como filmes fotográficos, pilhas para máquinas digitais, protetores de pele, bonés, etc. Outro mais ousado importou alguns Dromedários e agora os aluga para passeios pela areia. Quem não tem Dromedários, leva jegues, saguis, iguanas e tudo mais que possa render-lhes alguns trocados. Olha a criatividade de um povo.
Esse é um exemplo de que quem quer trabalhar encontra sempre uma maneira de o fazer. Por outro lado, quem não quer, encontra sempre uma desculpa pra dar.
criado por aguinaldocps
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