Crônicas Corporativas

Há 22 anos trabalhando, coleciono vitórias e derrotas, experiências positivas e negativas de coisas que tenho orgulho de lembrar e outras que desejaria esquecer. O objetivo deste blog é contar um pouco do que eu aprendi ao longo da minha carreira.

12/12/08

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criado por aguinaldocps    9:30 — Arquivado em: Sem categoria

Deus era Comunista?

No principio Deus criou o Céu e a Terra. E depois criou o ser humano, que evoluiu e aprendeu a manufaturar. Depois aprendeu a industrializar e a digitalizar. Mas antes um pouco, quando ele simplesmente fazia coletas de alimentos nas matas, teve a idéia de trocar alimentos com seus semelhantes. Assim nasceu o trabalho.

Dizia a minha professora do ginásio que “trabalho” era tudo aquilo feito por um em benefício de todos. Então quando o homem deixou de buscar na floresta somente a sua comida, ele fundou o trabalho. Colia mais que o necessário para si mesmo, pois tinha que levar aos seus semelhantes, que em contrapartida, o abasteciam com outros frutos. Era o comunismo.

Assim o homem evoluiu mais um pouco percebeu que sempre tinha aquele folgado que quase não trabalhava, mas vinha buscar alimento. Então ele colocou uma regra: só forneço meus frutos a quem me oferecer algo em troca. E nesse momento ele inventou o comércio.

Alguns séculos se passaram e o homem descobriu que a dificuldade que ele vivia para apanhar os frutos mais altos era maior do que o seu semelhante tinha para recolher frutos rasteiros, portanto deveria quantificar o numero de frutos rasteiros que precisaria levar para dar de volta um fruto dos difíceis. E assim surgiu o preço.

Passaram-se mais algumas décadas e o homem percebeu que mesmo dando o seu fruto difícil por dezenas de outros fáceis, ele poderia não ter necessidade de tantos. Mas que poderia pegar depois a sua sobra. Então ele inventou o dinheiro.

Pensando em ter mais dinheiro, o homem resolveu jogar várias sementes de frutos difíceis em seu redor e com isso, ali ele poderia colher. Então se deu a origem do empreendedorismo.

Mas se ele plantava e colhia e havia tido a idéia e assumia os riscos, então deveria tomar posse. Cercou o sítio e disse que era dele. Eis o capitalismo.

Felizes e ricos, os homens acreditavam que deviam se organizar. Definiram que um deles iria representá-los perante outras tribos e o chamaram de chefe. Estava criado o governo.

Mas então choveu muito e estragou a plantação do homem. Ele então resolveu que o governo deveria ajudá-lo com um pouco do que produziam os outros homens. Fez passeatas pela floresta, gritou palavras de ordem e finalmente foi atendido. Apareceu o socialismo.

Alguns anos depois eles entenderam que era desnecessário ter o tal do governo que só mandava e que ninguém era dono de ninguém. Não mais reconheceram o chefe e sua organização e saíram em batalha para conquistar a liberdade. Ali se instalava o anarquismo.

Depois de um tempo de liberdade, a confusão era tão grande que os homens não conseguiam exercer sua liberdade porque a liberdade do outro não queria. Nesse momento desejaram estabelecer regras que todos deveriam obedecer em prol do bem estar social de todos. Era a Social Democracia.

Mas aqueles que eram mais espertos e ambiciosos queriam ter mais frutos para escolher. Eles então ofereciam facilidades a outros homens em troca de mais frutos. Eis a origem da corrupção.

Alguém então disse que estava tudo errado e que o sistema político que ali estava era podre e tirano. Criou-se uma onda de revolta e concluíram que a culpa de tudo isso ser assim era de Deus, que criou o homem e deu a ele a capacidade de pensar. Aí surgiu o comentarista político!

criado por aguinaldocps    8:46 — Arquivado em: fábulas — Tags:

5/12/08

Perseverança é diferente de Esperança

Hoje conversei com um amigo agoniado. Ele me disse que trabalha faz 4 anos na mesma profissão, já está na segunda empresa, sabe que tem potencial, mas ainda não conseguiu resultados que o levem ao lugar que ele quer estar. Me disse ainda que fica feliz quando vê um colega de trabalho alcançar o sucesso, mas se pergunta porque ele não consegue fazer a mesma coisa.

E eu contei a ele a minha história. Contei que eu fui um cara muito cabeçudo. Sempre tive boa intenção, mas não conseguia coloca-las em prática e nem transformá-la em resultados. Eu havia aprendido que deveria ser perseverante e eu era, mas quando chegava no final de cada ano, percebia que nada havia mudado. Mesmo assim eu entrava o ano seguinte determinado a fazer a revolução que tanto era necessária na minha vida.

Assim se passaram vários anos e o meu sonho foi desaparecendo. Parecia que a minha esperança de ser um baita profissional de sucesso começava a morrer. Mas a minha perseverança continuava, afinal perseverança é uma coisa, esperança é outra. Esperança é quando a gente “espera”. E eu havia sido acostumado a perseverar, ou seja, trabalhar. Em todos esses anos eu trabalhei muito.

Trabalhava até sem pensar e isso foi bom, porque se eu pensasse muito, teria desistido. Eu tive mil razões para desistir, mas como não pensava nelas, perseverava. Até que as coisas começaram a mudar e eu, como não pensava, também não percebi. Mas elas mudavam assim mesmo e pra melhor. Talvez se eu tivesse percebido tivesse também acomodado. Poderia haver, naquela época, um paradigma na minha cabeça que me mantivesse abaixo do nível da água, sei lá o que…

Só sei que quando eu percebi, estava crescendo na vida. E minha vida profissional estava indo para um rumo diferente do que eu planejei. É verdade, eu nem imaginava tanto. Se tivesse pensado muito naquela época, talvez tivesse tentado ir para o lado planejado e continuado na mesma. Enfim, eu perseverei, continuei trabalhando e a coisa aconteceu. Portanto, ter esperança é importante, mas ter perseverança é fundamental.

Meu amigo entendeu o recado. Ele concluiu dizendo que, às vezes, as coisas boas demoram chegar e a gente tem que ter perseverança para poder aproveitar. Tudo tem seu tempo, mas pode demorar um pouco. Somente há que se ter sensibilidade para não perder as oportunidades.

Quem quiser vencer tem que ter paciência. Afinal, se a gente trabalhar, não é certeza que vence, mas se não trabalhar, é certeza que não vence.

criado por aguinaldocps    13:51 — Arquivado em: comportamento, histórias pessoais, opinião pessoal

17/11/08

Cão que muito late é porque tem medo de morder.

Por diversas vezes tive a oportunidade de presenciar aquelas conversas descompromissadas ou, como diria Nizan Guanaes, papos dos "empresários de mesa de bar". Quero dizer que são aquelas conversas onde se prega ética e moral, mas ao sair dali o cidadão pouco faz para agir da forma com que acabou de defender uma posição.

Faz uns quinze dias, fui almoçar com um amigo em Campinas. Este, por sinal, estava acompanhado de seu colega de trabalho e aproveitou para me apresentar o cidadão. Tratava-se de um garoto de 22 anos, estudante de Direito, muito bem apresentado e igualmente comunicativo.
Durante o almoço, surgiu o assunto da eleição Americana e, por isso, o garoto mostrou seu espírito revolucionário. Falou a respeito da podridão do Capitalismo, da herança imperialista, da justiça e revelou-se ser, embora jovem, um experiente defensor da ética e da revolução.

Alguns dos assuntos citados foram o absurdo de uma cidade como Campinas não ter cestos de lixo nas esquinas de um bairro como aquele em que estávamos (Guanabara), a falta de faculdades públicas ou ainda a necessidade de os teatros públicos ou privados serem adaptados aos portadores de deficiência.

A verdade é que tudo aquilo que o garoto falava (e falava sem parar) era totalmente pertinente e razoável. Mas, eu sempre tive a sensação de que aquelas pessoas que falam demais, normalmente esquecem-se de executar suas pregações. Geralmente, o cara que se diz muito sincero é o que mente. Como dizia o meu avô, "Cão que muito late, tá querendo é assustar o ladrão porque tem medo de morder".

E vejam só o que descobri quando estávamos de saída: o carro do garoto revolucionário e indignado com a falta de ética da sociedade, estacionado bem em frente a um acesso de deficientes. É óbvio que eu o convidei a sair na foto, mas ele não quis. E eu não o fotografaria sem sua autorização. Mas o carro sim, mesmo sem mostrar a placa.

Enfim, percebemos que a sociedade passa o tempo todo cobrando ética dos governantes, mas não faz também a sua parte. O cidadão que reclama que a sua cidade está suja, normalmente é o mesmo que joga uma embalagem de bolacha pela janela do ônibus. O mesmo que se mostra indignado diante da notícia de corrupção é o que pede um desconto na loja para comprar sem nota.

criado por aguinaldocps    13:35 — Arquivado em: comportamento, opinião pessoal, política

13/11/08

Encontrei velhos Amigos

O ano 2000 foi o último que eu vivi na antiga empresa, onde trabalhei por 8 anos. Lá, além do aprendizado, fiz muitos e muitos amigos. Porém, como na época não existia Orkut, a maioria deles sumiu do mapa. E eu digo isso porque foi pelo Orkut que eu encontrei muitos deles.

Recentemente, encontrei pelo site de relacionamento, o Henrique e o Armando, dois ex-colegas de trabalho que fizeram parte de uma fantástica equipe que tive o prazer de liderar no início do milênio. Numa das conversas, sugeri um almoço para nos reencontrarmos. Eles toparam, mas ficamos de marcar a data. E com isso, o tempo passou e não marcamos.

Até que o Henrique me chamou a atenção sobre a lenda do almoço. Pois então ele aconteceu. Ontem, dia 13 de novembro de 2008, no restaurante Samurai Mix, em Campinas, fomos nos reencontrar.

Cominamos tudo pela internet. Eu, o Armando, o Henrique e o Ricardo. Esse último, quando eu mudei de empresa, ele me acompanhou e trabalha comigo até hoje. Os outros dois, creio que fazia uns 7 anos que eu não via mais. Sabia que o Henrique estava gordo e que o Armando não tinha mais cabelos, pois as fotos do Orkut estavam lá pra todo mundo ver. Mas pessoalmente, eles estão muito mais feios.

Eu fui o primeiro a chegar, único pontual. Alguns minutos depois aparece o Armando. Depois o Ricardo (unico de gravata) e por fim o Atrazildo Henrique Siqueira. Ficamos exatamente duas horas almoçando e contando histórias.

Por fim, combinamos de nos encontrarmos a cada mês. Esse encontro mostra que o tempo não apaga as amizades. Grandes caras… menos o Ricardo, que é baixinho.

***Na foto, eu estou de amarelo, o Henriqeu de azul, o Armando de camisa escura e o Ricardo de gravata.

criado por aguinaldocps    17:08 — Arquivado em: Grandes Figuras

4/11/08

Pitadinhas de Especiarias que caem por aqui.

Um dia desses eu tive a oportunidade de conhecer uma daquelas grandes figuras que Deus espalha por aí. Eu creio que esses caras são como aquela pitadinha de especiarias que a gente joga sobre um bolo. Deus também fez isso no mundo, espalhou uns caras acima da média e alguns deles caíram aqui em Jundiaí. Foi o caso do nosso amigo abaixo.

Plínio Esteves Ricon, arquiteto e designer há mais de trinta anos, com várias obras premiadas no campo profissional, apareceu em minha frente. Aqui em nossa cidade, ele criou “a Capela”, monumento de comemoração aos 350 anos de fundação da Vila de Jundiahy, criou a Praça em homenagem ao Lions Club e também a Praça do Maçon, entre outros. Eu já havia lido sobre ele, mas não o conhecia.

Eis que numa dessas quartas-feiras ele surge para assistir uma palestra onde eu também estava. Não me contive a me apresentar e dizer que admirava muito o seu trabalho. Foi o bastante para aquele fantástico e simpaticíssimo cidadão me contar tudo que o inspirou na construção daquelas obras.

E eu o ouvi, duas vezes, sem pressa, antes e depois da palestra. E se tivesse tempo, o ouviria mais. Pois pessoas como ele, conforme eu disse lá em cima, não tem aos montes. Eu sei que esse artigo não agrega muito no ponto de vista do objetivo deste blog, mas eu tinha que fazer essa homenagem. Vale lembrar aos nossos leitores que uma das melhores maneiras de tornarmo-nos bons homens é ler biografia de bons homens. E eu acrescento que conhecê-los pessoalmente também agrega muito.

criado por aguinaldocps    10:23 — Arquivado em: Sem categoria

3/11/08

Oração do Velho Legal

Quem me conhece, sabe que sou fã de conversar com pessoas mais velhas. Os idosos, invariavelmente, me ensinam muito e por esse motivo eu tenho muita simpatia por eles.

Justamente por admirá-los, afinal eles conseguiram vencer muitas etapas que eu ainda pretendo vencer, aproveito para dar as dicas de como se tornar um idoso admirável.

Vale lembrar que ter paciência com os hábitos dos mais idosos tem dado ao inteligentes, mais sabedoria do que irritação. Aos que pensam o contrário, nem orando muito…

Publico agora uma "tirada" muito interessante, contada por um idoso.

"Oração do Velho Legal":

Ó Senhor, tu sabes melhor do que eu que estou envelhecendo a cada dia.
Sendo assim, Senhor, livra-me da tolice de achar que devo dizer algo, em toda e qualquer ocasião.
Livra-me, também, Senhor, deste desejo enorme que tenho de querer pôr em ordem a vida dos outros.
Ensina-me a pensar nos outros e ajudá-los, sem jamais me impor sobre eles, mesmo considerando com modéstia a sabedoria que acumulei e que penso ser uma lástima não passar adiante.
Tu sabes, Senhor, que desejo preservar alguns amigos e uma boa relação com os filhos, e que só se preserva os amigos e os filhos… quando não há intromissão na vida deles.
Livra-me, também, Senhor, da tolice de querer contar tudo com detalhes e minúcias e dá-me asas para voar diretamente ao ponto que interessa.
Ensina-me a fazer silêncio sobre minhas dores e doenças. Elas estão aumentando e, com isso, a vontade de descrevê-las vai crescendo a cada ano que passa.
Não ouso pedir o dom de ouvir com alegria a descrição das doenças alheias; seria pedir muito. Mas, ensina-me, Senhor, a suportar ouvi-las com paciência.
Ensina-me a maravilhosa sabedoria de saber que posso estar errado em algumas ocasiões.
Já descobri que pessoas que acertam sempre são maçantes e desagradáveis.
Mas, sobretudo, Senhor, nesta prece de envelhecimento, peço: Mantenha-me a mais amável possível..
Livrai-me de ser santo. É difícil conviver com santos! Mas um velho rabugenta, Senhor, é obra prima do diabo!
Me poupe!!!
Amém!

criado por aguinaldocps    10:39 — Arquivado em: comportamento

20/10/08

Aprenda a andar de bicicleta para viver a vida.

Ultimamente, uma das características mais admiradas em um profissional é a sua capacidade de tomar decisões corretas em momentos de pressão. O poder de decidir, de falar na hora certa, de aproveitar uma oportunidade ou de não agir por impulso, de mostrar calma no momento em que todos estão nervosos ou ser agressivo quando ninguém quer arriscar, tem sido o grande diferencial entre o homem normal e o outro acima da média. Esse poder de decisão é resultado de uma outra característica fundamental na vida de um ser humano bem sucedido: o equilíbrio mental.

Esse tal equilíbrio mental pode ser comparado a um outro que encontramos numa das atividades mais simples e mais loucas de nossa vida, que é andar de bicicleta. A bicicleta, que era o brinquedo mais esperado na minha época de criança, é um negócio muito doido, basta ver que foi feita para cair. Ela, por si só, não para em pé, a não ser que esteja em movimento. E é justamente aí que o ciclista precisa aprender uma das coisas mais importantes na vida: ter equilíbrio.

Nossa vida é cheia de dificuldades, gente complicando aquilo que é simples, outros nos deixando nervosos, às vezes nós mesmos ficando nervosos à toa, brigas, discussões, problemas, etc. Tudo isso só para atrapalhar o nosso caminhar. Assim também é o caminho de um ciclista desde o princípio. Se ele estiver pedalando no meio do mato e cair, vai se estrepar todo. Se estiver no asfalto, vai se ralar. Ou seja, independentemente de qual seja a trilha, a primeira coisa que o cara aprender é a ter equilíbrio.

E para se equilibrar é necessário ter movimento. Para ter movimento é preciso pedalar. Quanto mais se pedala, mais preparado se está para continuar pedalando. Na vida é igual, pois precisamos nos movimentar para manter o equilíbrio. Um ser humano que não consegue vencer suas dificuldades e seus problemas, é como alguém que está com a bicicleta parada. Não pedala porque não agüenta o esforço, não agüenta o esforço porque não treina e não treina porque é mais fácil ficar parado. Mas, se a gente parar com a vida, assim como com a bicicleta, a gente cai.

É importante dizer que não é sadio e nem inteligente pedalarmos além do nosso nível de atleta. Então, começar pedalando pouco é normal, desde que vá aumentando o ritmo conforme a experiência e a força chega. Surgirem pedras e sarjetas no meio do caminho também é normal, pois são elas que dão graça no nosso passeio. Imaginem como seria um destino reto, sem subidas, sem descidas, sem obstáculos, sem desafios: seria muito chato!
Converse com um ciclista e ele te contará que escolhe caminhos com obstáculos, pois são justamente esses obstáculos que o farão sentir-se vitorioso no final do trecho percorrido.

Mais uma coisinha: às vezes precisamos empurrar a nossa bicicleta morro acima. Nessa situação, pense que mesmo sendo um peso a mais para carregar, ela o ajudará nos outros trechos planos ou de descida. Assim é a vida, às vezes empurramos alguém para cima e depois esse alguém nos ajuda a andarmos mais rápido. Pra finalizar, eu gostaria de dizer que quem inventou a bicicleta provavelmente diria que é uma das máquinas mais simples que existem: duas rodas, um guidão, uma corrente, duas engrenagens e dois pedais. Mas a nossa vida super simples também, a gente é que complica, porque temos a mania de pensar demais e agir de menos. Então vamos agir, pedalar, correr e buscar o nosso caminho, porque pensar demais não é sinônimo de inteligência. O verdadeiro inteligente é quem transforma o conhecimento em prosperidade.

criado por aguinaldocps    13:12 — Arquivado em: comportamento, opinião pessoal

14/10/08

Visita ao Lar Galeão Coutinho

As ações de Responsabilidade Social tem sido comuns no meio em que vivo. Tanto na empresa em que eu trabalho, como na minha família ou entre meus amigos, o habito de preparar donativos para entidades beneficentes é algo normal. Mas confesso que quando fica comigo a tarefa de entregá-los aos destinatários, sinto-me ainda mais feliz.

Na última sexta-feira, diante da antecedência do dia das crianças, estivemos no Lar Galeão Coutinho, em Jundiaí, para levar algumas coisinhas para a molecada. O encontro ocorreu por iniciativa da Entidade da qual faço parte, que arrecadou verba suficiente para a doação de brinquedos as 64 crianças que passam o dia na creche. Para complementar, a escola onde eu trabalho arrecadou doces, entre seus alunos (que são adultos), durante os 20 dias que antecediam o dia das crianças.

Nessa narrativa, vale citar alguns momentos interessantes, como os gritos da molecada, que já esperavam por nós “os sorveteiros”, logo depois do almoço. Também foi fantástico podermos interagir com as crianças, mesmo sendo em coisinhas simples, como organizar filas ou ver quem levanta primeiro a mão.

Aproveito para agradecer aos meus três companheiros, nesse dia, o Reginaldo, o Nadalin e o Galego, assim como a todos os outros membros da Entidade acima citada e a todos os alunos da UPTIME que trouxeram os doces. Vocês podem, mesmo sem saberem ao certo, terem contribuído para dar rumo à vida de algumas pessoas.

criado por aguinaldocps    15:52 — Arquivado em: responsabilidade social

6/10/08

De Office Boy a Diretor

Hoje eu vou contar a história do Carlinhos. Ele é um velho conhecido, do tempo em que eu arrumei um emprego numa loja lá no Centro. O Carlinhos tinha 16 anos e era o boy. Ele fazia todo aquele trabalho que já sabemos qual é, como correios, cartórios, bancos, etc. Era um garoto muito simpático e muito bem quisto por todos. Tanto nós da mesma idade, quanto os funcionários mais velhos nos simpatizávamos com ele, afinal era inteligente e prestativo e tinha muita vontade de trabalhar.

Hoje, mais de quinze anos depois, o Dr. Carlos Zamparotto é o Diretor financeiro de uma grande rede de Concessionárias de Veículos e controla algumas lojas em 3 cidades da nossa região. Um dia desses encontrei-me com ele, por acaso, no bar do Pedro, no Mercado Municipal. E ele estava me contando sobre como tudo aconteceu. Afinal, na época em que trabalhávamos juntos, ele chegou até a ter oportunidades de crescer, mas continuava sendo visto como o boy que ia buscar os lanches.

Segundo o que me contou, tudo começou 2 anos depois, de uma forma muito natural, quando um cliente lhe sugeriu que mudasse a forma de vestir-se. Aconselhou-o a trajar-se mais formalmente no trabalho, dispensando aquelas camisetas dos Ramones (estou falando de 1990) e habituando-se ao jeans com sapato social. Ele experimentou, percebeu que, embora os colegas mais antigos ainda o tratassem como o eterno ofice-boy, os novos funcionários já tinham outra visão. Também notou que os clientes já demonstravam mais confiança em suas explicações.

Outra mudança foi o linguajar. O Carlos deixou de usar gírias, passou a falar mais devagar e, segundo ele, a não mais contar aberta e orgulhosamente as “loucuras” que fazia nas baladas. Resumindo, começou a se comportar de outra maneira. Nessa época, devido a ida para o exército, precisou ficar fora da empresa por um período e, quando voltou, lhe foi confiado o cargo de Supervisor de Contas a Receber.

Incentivado pelo cargo novo, voltou a estudar e fez faculdade de Direito. Ainda antes de se formar, aos 24 anos começou a estagiar em um escritório de advocacia e contabilidade, onde aprendeu a usar gravatas. Nessa época comprou seu primeiro carro, um Gol ano 83. Formou-se na faculdade aos 25 anos, mas não quis seguir como Advogado, pois preferiu trabalhar como gerente numa financeira. Foi lá que conheceu sua esposa, a Débora, com quem se casou aos 28 anos e, tempos depois, a convite de um cliente, passou a exercer o cargo de gerente administrativo em uma loja de veículos.

Aos 32 anos, Carlos se sobressaiu num dos processos seletivos que participou, assumindo o cargo que mantém hoje. Ele me contou, em tom de brincadeira, que em seu departamento, tem alguns “guardinhas” e que sempre que pode conta sua história. Também complementa dizendo que continua usando as camisetas dos Ramones, mas no lugar certo e não no trabalho.

Resumindo, o que fez com que o Carlos fosse reconhecido pelas outras pessoas foi sua mudança de comportamento. Não é de um dia para o outro que se poderá sentir o respeito das pessoas, mas sim ao longo de um determinado tempo, conforme o quadro de funcionários de sua empresa for mudando e pessoas novas chegarem. Mas para quem quer resultados rápidos, já poderá sentir a diferença com os clientes novos, que não o vêem todos os dias. Para finalizar a história, o Carlinhos ainda contou que, na época da mudança de comportamento, como estava sempre ocupado fazendo coisas legais, não tinha mais tempo para sair comprar lanches para o pessoal e, com o tempo, eles também pararam de pedir.

criado por aguinaldocps    15:20 — Arquivado em: Grandes Figuras, comportamento
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